quinta-feira, 30 de outubro de 2008

111

Hoje estou estranho. Talvez esteja como o raio do dia. Um pouco de sol pela manhã misturado com chuva e frio. O Sol ainda não desabrochou em mim, talvez mais tarde. O dia ainda vai a meio, e nem os elogios profissionais de uma colega, conseguiram aquecer o ânimo. Sinto-me frio e chuvoso. Normalmente quando cometo erros crassos é assim que fico. Pensativo, com uma calma aparente mas muito relutante em aceitar a minha própria estupidez. E ainda não a consegui aceitar. Apetece-me andar à cabeçada às paredes.
Era tão mais fácil se conseguisse controlar alguns instintos que saem tipo leão enjaulado e que, no repente, em que as palavras saem da boca, podem ser mal interpretados e conduzir a uma confusão ainda maior. Criei a situação. Anormal pá! És mesmo burro! Agora tenho de me sujeitar a ela e ás suas consequências. Tenho de dar a volta ao texto. Os olhares, os sorrisos, aquilo em que poucos notam, eu reparo. E consigo discernir claramente os maliciosos dos normais e amistosos. Honestamente passou-me pela cabeça enfaixar um soco nas trombas do artista que te tentou engatar tão descaradamente. É que foi tão notório que não sei como percebeste!A culpa aí também é tua. Ou gostas de jogos perigosos ou então és tão inocente… mas tão inocente mesmo… Agora é a minha altura de me atravessar ao caminho. Tal qual cavaleiro andante, mas que não hesita em tirar a espada para proteger a princesa indefesa. A não ser que a princesa diga para não espetar a espada no meio dos olhos de um ser nauseabundo…

domingo, 26 de outubro de 2008

Tu...

Sábado foi um dia estranho. Acordei a pensar em ti. Estava a pensar em algumas frases que disseste quando apanhei um susto monumental. Fiquei com demasiado medo ao ver uma das pessoas que mais amo no mundo, deitada não chão, imóvel como se estivesse sem vida. Nesse momento, passou-me pela cabeça algo em que já pensei. Algo que temo, embora tenha a certeza que a cada dia que passa se aproxima esse momento. Não sei como vai ser como isso acontecer...
A verdade é que estava a pensar numa frase que disseste quando tudo aconteceu. Pensava que, de facto, tens toda a razão. "Quando os teus pais me conhecerem vão acabar a pensar: esta é a mulher ideal para o meu filho." Independentemente do que eles possam vir a pensar ou do qualquer outra pessoa pense, independentemente do que acabe ou não por acontecer entre nós, tenho já a certeza dessa frase.
És, sem sombra de dúvidas, uma mulher ideal. Um ser humano quase perfeito, e apenas digo quase, porque não existem pessoas perfeitas. Já te disse tantas vezes que és belíssima, inteligente, divertida, sensata, carinhosa, surpreendente e tanto mais que podia dizer. Tens também os teus defeitos, e se é verdade, que por vezes são algo irritantes, é por não os ver como verdadeiros defeitos, mas apenas meras inconsistências que definem verdadeiramente a mulher extraordinária que és. Achei piada à tua insegurança, quando saíste do café só para te poder ver entrar e ter a certeza que o vestido vermelho te fica bem! Já te tinha dito mil vezes e volto agora a repetir, o vermelho fica em ti muito bem! Reforça a tua beleza e dá mais vigor aos teus longos cabelos e à tua beleza pura e incrivelmente sedutora.
Voltei a pensar em ti logo após o que aconteceu. Nesse momento, apesar do medo e da fúria que se apoderava de mim, lembrei-me das tuas palavras e dos teus "faz atenção". Tentei isso mesmo, ter cuidado para não estourar e focar-me no que realmente era importante naquele instante. Como vês, presto atenção ao que dizes, e ao mesmo tempo senti uma estranha proximidade de ti. Sei que estás distante neste momento, mas em breve estarás de volta. Foi naquele instante que te quis perto de mim. Sabes amiga, percebi que ao teu lado para além da alegria que sinto, sinto também uma paz e uma serenidade incríveis. Só pela tua presença tiras o melhor que existe em mim. Apercebi-me claramente que estás cá dentro de uma forma estranha e intensa. Apercebi-me que te talvez te queira dizer algo mais. Quem sabe mesmo se não quero acabar aquela tua frase... Talvez só eu saiba, mas também talvez só eu duvido o momento correcto de a dizer. Temos tempo para isso...
Resolvi escrever-te porque estava a desenhar na minha mente a tua cara sorridente. O teu sorriso rasgado. As covinhas que a tua cara faz quando te ris. A forma como os teus olhos vão diminuindo de tamanho até se fecharem de tanto rir. Desenho o teu sorriso em pensamento porque não sou capaz de o desenhar à mão. Mereces ter esse sorriso eternizado num quadro, mas creio que também fica bem guardado onde está agora. Cravado na mente de alguém, como mais um dos momentos mágicos que viu nesta vida.
Estive também a pensar numa boa data para o tal jantar cá em casa. Acho que a descobri. Far-te-ei o convite quando estivermos cara a cara. Espero que seja já amanhã. Conversar contigo, estar contigo, ver-te fumar tal qual um anjo fumegante faz já parte de uma rotina que torna os dias incompreensivelmente mais agradáveis.
Até onde iremos? O que irá acontecer? Perguntas para as quais não tenho respostas. Apenas aquelas combinadas. Iremos embarcar numa viagem. Iremos conhecer novas terras, novas gentes. Novos pratos? Talvez. Mas olha que entre um leitão e uma sande vegan... hummm!
Só tenho a agradecer pelo destino nos ter cruzado e poder agora tomar conta de ti. Tenho a agradecer-te por seres quem e como és. Uma grande amiga. Uma grande mulher. Uma grande...
Quem tiver a sorte de te levar, fica sem dúvida com uma grande mulher, uma grande companheira, um magnifico ser humano. Permite-me só este desabafo final:
Ai! Se um dia tiver essa sorte...! (Vá, mas não fiques muito convencida!!!). :-)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A Nossa História Continua

Foi com esta frase que terminaste uma noite em que mais uma vez quebramos a fronteira da razão e do bom senso. Era tarde, demasiado tarde para quem tinha de trabalhar na manhã que se aproximava. No entanto, era cedo, demasiado cedo para dormir e pôr ponto final naquele momento em que te vi pela primeira vez solta. Foi o primeiro momento em que vi o sorriso largo ultrapassar a carinha triste que mostravas desde que te conheci.
Em boa verdade não sei se te recordas de alguns momentos da noite. Reflexões literárias e conversas cruzadas com os rapazes da mesa ao lado, sei que sim. Sei que te lembras, sei que gostaste. Será que te lembras das conversas sobre os efeitos do álcool, dos cogumelos, do mezcal? Provavelmente. Guardas para ti talvez o melhor.
Desde que te conheci, e ainda temos tanto para conhecer um do outro, nunca tinha sequer pensado na frase título e que só podia sair da tua boca. Nunca tinha pensado que estamos a traçar a nossa própria história, uma história a dois, marcada por momentos de tristeza, de alegria, de cumplicidade que só nós podemos entender. E porquê? Porque apenas os dois vivemos esses momentos. E eu que julgava que a verdadeira história tem tanto de pesado como de épico, descubro agora que se pode criar uma história apenas com simples momentos de companheirismo infindável.
Curioso é também o facto de (apesar de faltar cumprir-se Portugal - e tu sabes do que estou a falar!) cumprir-se uma pequena profecia que deixaste quando nos conhecemos. "Agora nunca mais nos largamos" foi a frase que disseste no carro, naquela noite escura e fria. E o facto é que nunca mais nos largamos. E ainda bem acrescento!
Como vês , e pese embora a situação dificil em que te encontravas quando nos conhecemos, não tem de ser pesado e complicado conhecer outra pessoa. É bem mais simples e fácil do que parece.
Sem stresses, sem complicações e sem outros tantos ões (lá está o gajo a cair outra vez no erro de parecer um anúncio ao Pingo Doce... chiça!!!). Duas pessoas conhecem-se; criam uma forte, rápida (e nada habitual em mim) empatia e vão-se descobrindo uma à outra. Tão simples quanto isto!
Devo confessar que por vezes és desconcertante de uma forma muito positiva. Gosto de "abrir" uma pessoa e saber que posso ser surpreendido a qualquer momento. Por isso gosto de estar contigo. Não seria capaz de meter conversa com ninguém de forma tão livre e espontânea como tu fizeste. É por isso que para mim és tão interessante. De um dualismo, de um arrebatador sentido de critério, de uma cultura e inteligência vasta. E basta perceberes isto para que tenhas qualquer homem a teus pés!
O álcool pode, de facto, ser tramado. Falávamos disso quando me pregaste uma partida. "E se eu te disser que...? reticências". Fingi que não tinha percebido para ver se realmente tinha entendido bem. "E se eu te disser que...? reticências... E ficamos assim porque a nossa história continua!". Sorri. Larguei um "é do género livro onde se coloca uma folha para marcar a página e se recomeçar de novo". Disseste que fui perspicaz. Sou quando quero. E pese embora me vir a arrepender da frase seguinte... Fica a saber que ouço mesmo muito bem! Não sei se já era o álcool a falar por ti (estou em crer que não), não sei sequer se te recordas dessa frase e desse momento. Mais uma cumplicidade apenas nossa.
Somos (não a caminho - como te disse para te picar) grandes amigos. Conquistaste um espaço difícil de conquistar num tempo tão curto que por vezes até estranho. Já estás dentro do meu coração e fazes parte da minha vida.
E se eu te disser que? reticências... A nossa história continua.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Meu Cérebro Cansado

Ando cansado. Nem vale a pena esconder. Não é um mero cansaço físico, mas psicológico. Já é habitual o meu cérebro andar numa autêntica roller coaster ride. Uma mistura entre as largas avenidas da Foz e as estreitas ruas do circuito da Guia. Mas desta vez chega ás 5 da tarde a pedir um shutdown à máquina. Daí em diante funciona devagar e nessas duas horas que faltam para abandonar o emprego, multiplicam-se as visitas à porta do armazém para fumar um cigarro. Depois saio e finalmente descansa.
Contudo é estranho o despertar que ele tem tido pela noite. A verdade é que ontem levou um par de estalos mentais que até andou de lado. O corpo... esse... reagiu como habitual. Fez cara de esquisito, cara de pouco convencido e de quem assobia para o lado. Sou teimoso... No entanto, e sabendo que a capacidade de discernir é maior para quem está de fora, vim a pensar no assunto para casa. Tu que me deste os estalos sabes que tens razão. Eu também sei que a tens. Talvez precise de aprender a mudar, mas devagar... Com esse arrepio que me deste, conquistaste o direito a puxar-me as orelhas, mas tem cuidado... sou tão teimoso que até mereço... mas não quero ficar como o Dumbo!!!
Revelar a alguém quem sou e como verdadeiramente sou é doloroso. É algo que estou habituado a guardar só para mim. Nem sei bem porque o fiz contigo. Talvez tenha sido uma parvoíce. Se o foi, a única coisa que talvez tenhas perdido por mim, foi o respeito como homem.
Não penses que o amigo que te tenta guardar e proteger, não pensa como um homem. Protege-se apenas dos seus impulsos animais como tantas vezes fez e faz. Ver-te frágil aguça ainda mais os meus instintos protectores, mas o carinho e as caricias que te dou, são de um homem que sabe que nada mais te pode pedir. Não agora. Não nunca? Quem o saberá? Não sei.
Não tenhas por isso medo das minhas meiguices nem dos meus toques. Somos amigos. Serei o berço que te embala o sono e o braço que te protegerá das balas. Enquanto quiseres, enquanto entenderes, enquanto necessitares.

NOTA DE RODAPÉ: Pese o cansaço, consegui finalmente a resposta para uma pergunta que lancei aqui há uns meses neste espaço. Porventura os leitores mais assíduos recordar-se-ão e encontrarão agora a resposta: Es-tu divin...

domingo, 12 de outubro de 2008

A Semana Que Passou

A semana que acaba hoje não foi uma semana nada normal mesmo para mim. Começou mal. Segunda é sempre um dia complicado e do qual não gosto mesmo nada. Para acabar o dia só faltava mesmo um acidente automóvel. Não fui eu que o tive, mas um dos gestos que acabei por ter ao ajudar por uns foi considerado heroísmo, por outros um acto de loucura. Para mim talvez tenha apenas sido um impulso cheio de adrenalina ou um acto de puro egoísmo.
Terça feira tive uma noite agradável com boa conversa. É interessante quando nos sentamos numa mesa e descobrimos pessoas novas. Parece que mundos novos se abrem de repente. Para mim uma conversa interessante é bem melhor do que uma bebedeira descomunal e uma noite bem animada. É algo que nos atinge o intelecto. Algo que nos faz pensar. Pessoalmente faz-me despertar os sentidos todos. Tentar prever ou antecipar um gesto, uma palavra. Descobrir acções ou reacções a situações novas. Foi uma espécie de banho de sensações novas. Gostei, gostei verdadeiramente.
Quarta acho que foi o único dia normal desta semana. Trabalho, casa, conversas na net e pouco mais. Claro que como todas as quartas à noite, me sentei no sofá à espera de dois programas (sem nexo nenhum diga-se de passagem...), mas que se tornaram duas series de culto. "Air Galicia" e "Pratos Combinados". Aconselho vivamente a quem se queira rir a bandeiras despregadas em português da Galiza.
Quinta Feira. Sem que nada o fizesse prever até essa tarde, aproximava-se uma noitada em plena semana de trabalho. Não tenho tido uma grande vontade de sair nos últimos tempos. Se calhar não é bem vontade de sair, é mais falta de quem me arraste para tais loucuras sadias. Por volta das 22.30 encontramo-nos. Era cedo demais para o que queríamos fazer. Café tomado e o tempo a correr febrilmente. Continuo na minha, é incrível como uma boa conversa faz o tempo disparar como uma bala de prata em direcção a qualquer vampiro. Novo local de diversão nocturna. Morto como nunca vi. Não deu para dançar. Apenas para prosseguir a conversa. Cada vez mais mais uma conversa profunda, triste, mas cheia de empatia. Sem penas ou alegrias. Apenas franca, vincadamente marcada pela verdade de uma vida, que não sendo a minha, quis o destino que nos fizesse cruzar num momento esquisito. É verdade, perdemos já demasiado tempo, mas pode ser facilmente recuperado, caso qualquer contrariedade da vida não nos faça perder o tempo precioso que ainda nos resta. Voltamos a sair. Agora para ver gente, para finalmente dançar como estava previsto. Sorrisos e mais sorrisos. Copos. Uma simplicidade intrigante e uma cumplicidade que não é fácil para mim criar tão rapidamente. Ver aquilo que ainda não tive oportunidade de ver. A felicidade em estado puro. Também não foi essa que vi ainda, mas já valeu a noite ver tantos sorrisos.
Sexta Feira. Depois de dormir duas horas, fui trabalhar. O dia correu como normal. À noite esperava-me mais um jantar com os amigos do costume. Uma noite como sempre divertida. Copos, francesinhas. Dois primos que se não os conhecesse diria que têm fortes tendências gayzolas. Parece que gostam muito de se comer um ao outro! No entanto uma noticia deixou-me algo abalado. Ninguém merece. Mas a puta da vida é mesmo como assim. O tempo que tão precioso nos é, consegue ser tão cruel que até dói. Ainda não recuperei bem. Não conheço bem a pessoa em questão, mas a crueldade da vida deixa-me sempre a pensar se valem de facto a pena algumas guerras, alguns desentendimentos, episódios pouco agradáveis que nos levam a separações, a discussões. Talvez seja algo evitável. Mas a verdade é que são esses que mais facilmente guardamos na memória.
Por isso vamos aproveitar esses sorrisos bem dispostos e recuperar o tempo que perdemos. Da forma que está a correr, esta amizade daqui a pouco está completamente recuperada... mas nunca sabemos quando nos vai ser tirado o tempo para a recuperar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Observações

Quem me conhece sabe que sou um observador por natureza. Gosto de observar os gestos, as expressões peculiares que cada um de nós faz em certas e determinadas situações. Não me chamem voyeur porque não é nada disso! Existem pessoas que falam com os olhos, com expressões faciais ou corporais. É interessante esse lado do ser humano.
Raramente sou apanhado, mas ontem aconteceu. Das duas quatro, ou estava com um ar altamente babado ou o sorriso não me permitiu esconder o que estava a ver. Creio que foi mais este último caso. Após o sorriso e umas palavras simpáticas e sorridentes, fui "forçado" a dizer qual estava a ser o meu pensamento. É verdade... ganhou mesmo... Obviamente não vou dizer aqui aquilo em que estava a pensar. Não por pudor ou outra qualquer desculpa, apenas porque... caro leitor... desta vez tentem descobrir o meu pensamento! Uma vez que seja para ser diferente!
Existe uma grande probabilidade de quem passou por esta situação comigo ler este post. Essa pessoa sabe qual foi o meu pensamento, mas creio que não se vai chibar. Timidez. Mas se reparei nos gestos, nas expressões, na forma como vincava com o maço de tabaco as dobras do papel foi porque encontrei ali algo que merecia ser observado. Falou com a convicção de quem sabe as vivências e tudo aquilo que diz, mas se soubesse o que mais observei, algumas coisas por não por culpa minha... Talvez lhe diga, pessoalmente, em público ou em privado, mas pessoalmente.
Vá... Não queiram ficar a saber mais do que eu!

Para ti... Sabes Quem És...

A estupidez do sexo masculino consegue ser tão incompreensível que ainda hoje me consegue deixar boquiaberto. Por mais que tente não percebo o porquê de alguns homens terem certas iniciativas e tomarem determinadas atitudes. Vem isto a propósito de uma situação muito recente. Conheço mal, bastante mal a pessoa em causa, mas não pude ficar indiferente ao que vi e ao que me contou. Não interessa o seu nome, a sua condição ou o seu credo. Não interessa porque podia acontecer a qualquer mulher. Vou por isso falar directamente para ti que me abriste o coração para dizer o que te ia na alma.

Sei que te dirigiste a mim porque não sobrava ninguém por perto para te ajudar. Sei que estavas receosa e insegura se te iria ajudar. Conhecemo-nos mal, muito mal mesmo. Não tínhamos a mais pequena confiança um com o outro, mas aquilo que fiz foi o que faria por qualquer amigo.
Confesso também que o teu contacto foi tão surpreendente que não me apercebi da gravidade do teu estado na hora. Apenas compreendi que algo mais se passava quando te olhei. Nesse momento os pensamentos correram rápido pelo meu cérebro. Algo do género “é impossível estares assim apenas pelo que me contaste”, “devia ter vindo logo a correr”, “como vou acalmar alguém que mal conheço?”. Hoje sei que devia ter corrido de imediato em teu auxílio, devia ter deixado tudo para trás. Só me apercebi quão frágil, quão indefesa, devias estar conforme me foste contando a história por entre lágrimas e cigarros. O tempo voou enquanto ouvia a tua história. Desculpa as minhas próximas palavras, mas já as tinha ouvido contadas por outra pessoa, praticamente iguais e essa história não acabou bem.
Compreendo o teu sofrer, o teu ponto de vista, a tua desilusão e a tua dor. Quatro anos e muitos sonhos deitados ao lixo, sem sequer se ter dignado a terminar com a tua angústia é um fardo pesado…
Confesso que da única vez que nos vimos tinha ficado com uma ideia diferente de ti. Espero que a mulher linda, forte, que sabe o que quer, quando e onde quer regresse depressa. No entanto, a fragilidade, a tristeza e, mesmo assim, a simpatia e o sorriso que demonstraste é um dualismo extremamente cativante. Tirou de cima de ti o peso da ideia de uma beleza de alguma forma esfíngica com que tinha ficado. E isto que só pode ter um significado. Com ou sem o teu namorado ou ex-namorado (não sei como o classificar) vais com toda a certeza ser feliz! Se reparei nisto tão rapidamente, qualquer outro homem irá reparar.
Abro agora um ligeiro parêntesis. Fomos quase interrompidos com o súbito aparecimento da tua prima. Ainda me vais explicar o porquê de achares que somos algo mais do que amigos. Eu e a K. não somos nem nunca iremos ser mais do que amigos. Por favor explica-me o porquê de tal ideia!
Honestamente, e já to disse, acho que tu e o teu amor tinham ideias diferentes para o que queriam da vida. Parece que ele nunca vai querer ter aquilo que tu queres, e assim sendo, és muito mais madura do que ele. A K. já me tinha dito e avisado. Mas esperava que fosses tu a sair por cima. Assim não ocorreu, mas ainda podes dar a volta e ficar por cima dando o derradeiro e decisivo passo.
Percebi o teu motivo. Ter tudo consolidado. Saber, conhecer e esperar a reacção da pessoa que se ama é tudo para ti. Acho que se começares tudo de novo, com um homem que te ame, que te mereça e que te respeite, pode nem ser assim tão difícil e stressante. Depende do homem que escolheres e nesse caso o melhor conselho que te posso dar é: deixa-te ir na onda.
Disse-te que eras uma mulher lindíssima. Respondeste que naquele dia te sentias feia. Todos nós temos dias em que nos sentimos assim. É perfeitamente normal. Sabes bem isso, mas é imprescindível que saibas que não és, nem nunca vais ser feia mesmo quando assim te sentires. Uma mulher culta, inteligente, sensata nunca vai ser desinteressante. Descobri apenas um defeito em ti. Não gostas de velocidades, mas ninguém é perfeito!
Quero que saibas que o gesto que te fiz quando falaste em pagar o que estava a fazer por ti, é para manter. Gosto pouco de apresentar contas. Anjo também não sou. Ás vezes pareço, mas já disseram que tenho olhos de diabo! Disseste que deve ser fácil gostar de mim. Não sei, honestamente não sei. Apenas tenho duas tentativas e ambas falhadas, por isso talvez não seja. Ou talvez seja a velha máxima do “quem eu quero não me quer e quem me quer não me chega”. Talvez nunca me tenham visto como homem. Não sei. Mas para mim como para ti pode ser que, como dizem os americanos “third time is a charm”. Um ensinamento que te vou tentar agora passar. Não vale a pena tentar entender os motivos pelos quais se faz isto ou aquilo. Essa busca apenas pode levar à loucura, e louco já sou!
Não te feches nesse quarto. Não te martirizes sozinha. Aliás nem te martirizes de todo. A culpa não é tua! Os tais amigos que perdeste talvez tenham ido para sempre, mas como descobriste podes ter aqui um. E afinal bem perto estamos um do outro. Acredita que podes estar completamente à vontade comigo. Sem stresses, sem medos. Não julgo as pessoas, como tal também não te vou julgar os teus actos e as tuas ideias.
Apenas deves gostar mais de ti. Se não gostarmos de nó, quem gostará? Eu sei que por estes dias tudo parece sombrio e terminal. É só uma fase passageira e não irá tardar até o sol se voltar a por em ti.
Pensa no que queres. Pensa se realmente vale a pena dares tudo, por quem parece pouco disposto a fazer sacrifícios por ti. E deixa entrar no teu coração alguém que esteja disposto a fazê-los. Conhecemo-nos mal, muito mal, mas estou certo que vales muito mais do que pensas.
Quanto à tal mão “rechonchuda” que se fechou na tua mão, podes estar certa que vai estar no mesmo local sempre que precisares e quando o entenderes. Afinal os amigos (novos ou de anos) são para os momentos difíceis. E era incapaz de te deixar sozinha naqueles momentos. Se não tivesses saído eu tinha ficado ali o tempo que fosse preciso.
E espero que o que disseste seja para manter. Agora não nos largamos tão cedo. Afinal o tempo que perdemos pode facilmente ser recuperado. Também tu vais recuperar do momento difícil que estás a passar vais ver! Dou-te a minha palavra!


Um beijo enorme!

sábado, 4 de outubro de 2008

A Given Saturday

Sábado 27 de Setembro de 2008, 16 horas:
Dirijo-me para o carro com uma ansiedade que nunca tinha sentido. Pelo caminho a ansiedade continuava a crescer, fui sem saber bem o que ia encontrar e quem ia encontrar. Os pensamentos e as recordações ecoavam na cabeça. Bons momentos, maus momentos, os piores momentos da minha vida. Todos eles passavam por mim enquanto conduzia a uma velocidade excessiva. Era o reencontro de um grande amor, o único que dura há 28 anos.
Ia muito bem acompanhado. Ia precisamente com aqueles que me são mais queridos, e com uma grande e profunda surpresa. O meu pai e o meu avô (a minha surpresa com este senhor é diária, mesmo aos 86 anos não o consigo deixar de admirar) responderam à chamada!
Pelo caminho, bem conhecido, a ansiedade era tanta que me consegui perder e enganar no caminho. Não consegui deixar de ecoar um profundo e sonoro "foda-seeeeee!". Finalmente estacionei o carro. Caminhei rapidamente para onde queria. Sentia um chamamento, como se fosse o renascer dos momentos gloriosos, do sofrimento que vale a pena, do grande amor e da grande paixão da minha vida.

Sábado 27 de Setembro de 2008, 16.30:
A fila era já enorme para comprar bilhete. Cá fora viam-se os conhecidos do costume. Caras com quem já falei, pessoas com quem nunca falei, mas são tão conhecidos para mim como eu sou para eles. A união comum... os sorrisos de verdadeira felicidade por partilharmos este regresso ao amor de uma vida. Velhos, de meia-idade, jovens, miúdos, crianças. Todos! O sangue é vermelho e corria a uma velocidade fora do comum nas nossas veias. Finalmente entrei para um campo que me trazia ternas e gratas recordações de infância. A última vez que lá tinha entrado devia ter uns 11 anos. Nesse momento, parece que estava a rever o meu pai dentro das 4 linhas com a camisola vermelha de águia ao peito. Recuei para me relembrar que o meu avô me segurava pela mão enquanto via aquele jogo de andebol de 11... tantos anos passaram. Foi uma vida...

Sábado 27 de Setembro de 2008, 17 horas:
O regresso do meu amor estava marcado para essa hora. A partida atrasou-se, mas nesse momento correu-me um arrepio forte na espinha. Estava de volta o nosso hino. O hino do velhinho e histórico Sport Comércio e Salgueiros. Sim esse é o meu grande amor... de toda e para toda a minha vida... As lágrimas vieram marotas aos olhos. Os óculos de sol tapavam essas lágrimas que não deixaram de escorrer cara abaixo. Não consegui exprimir uma palavra. Olhei para o meu pai... estava na mesma. O meu avô permanecia calado, como um menino. Alguns cantavam, outros aplaudiam ao ritmo da música, mas na face de muitos que naquela hora já enchiam o Parque de Jogos da Senhora da Hora, era momento de deixar as lágrimas correr. Todos estávamos ali com o mesmo sentimento. Tal como a Fénix que agora ocupa o lugar da águia, todos nos sentimos renascidos. Estávamos calados há demasiado tempo...

Sábado 27 de Setembro de 2008, 17.15:
Finalmente as camisolas encarnadas estavam de volta a um relvado. Tanto nos faz que seja na Liga Sagres como na 2ª Divisão Distrital. O jogo correu mal. Jogamos bem, mas perdemos. O que interessa é que estamos de volta! Quanto a mim ficavam parvos se me tivessem visto. Os impropérios, as palavras de ordem, os gritos de apoio, a pressão feita em cima de jogadores adversários e daquele boi (agora vestido de azul em vez de negro) foram tão grandes que cheguei a casa quase sem voz. Foram 4 anos entalado, muito tempo, tempo a mais, como disse a um vizinho e a uma pessoa que muito respeito pela sua idade e pelo apoio que teve na carreira do meu pai e posteriormente na minha.

Sábado 27 de Setembro de 2008, 19.15:
Terminada a partida e com uma derrota no bolso, voltei para casa. Curiosamente não estava minimamente aborrecido com o resultado. O que me fazia falta era sentir de novo a paixão, o sofrer por uma boa causa. Fazia falta poder aborrecer-me com algo para lá da vida quotidiana. Fazia falta poder discutir o penalty não marcado, o fora-de-jogo que não existiu. Vim de lá como um menino a quem voltaram a dar o seu brinquedo favorito.
O Salgueiros é muito mais do que um clube. É um estado de alma. Por muito que tente aqui exprimir o porquê de me sentir assim, por muito que tente explicar este amor... não consigo. São estes sentimentos inexplicáveis que definem o bom da vida e aquilo que somos. Quem, como eu, envergou aquela camisola durante muitos anos, quem orgulhosamente e com todo o sentido de responsabilidade usou uma braçadeira de capitão daquela casa, conhece a mística, a alma. Foi lá que comecei a ser moldado como homem, foi lá que conquistei as minhas internacionalizações, foi lá que pela primeira vez me senti responsável e símbolo de algo maior do que a vida.
Como alguém disse um dia, um homem pode mudar de país, de mulher, de sexo, de religião, mas nunca de clube. É exactamente assim que sinto. E voltei, tal como o clube e o seu emblema, uma Fénix renascida das cinzas. Esperam-nos, com certeza, mais tardes de glória, mais tardes de sofrimento, mais alegrias, mais tristezas, mais abraços nos festejos e ainda mais abraços nas desilusões.
No futebol como na vida, não mais somos do que peões de algo maior. Renasceu a paixão, o amor, a febre. Voltei a ter o amor que me tem andado a passar ao lado e, finalmente, posso gritar de novo e ainda com mais força:

AMO-TE, SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE IREI AMAR SALGUEIROS!

Ondas de Choque

Estava ciente que o último post ia trazer ondas de choque. E mais uma vez não me enganei. Disseram-me para reler o que tinha escrito e perceber as duras palavras que estavam presentes no texto. A verdade é apenas uma. Sei bem o que escrevi, não preciso reler. Cada palavra escrita no Olha a Menina a Dançar é criteriosamente escolhida e pensada antes de ser aqui colocada.
Não faria, para mim, qualquer sentido escrever neste espaço caso assim não fosse. É talvez o único espaço em que posso revelar a cada momento o que sinto e o que penso. São desabafos, sentimentos e expressões que escondo no meu dia a dia. Nem sempre saem com a verdadeira dimensão do que sinto para não chocar alguns dos leitores que por aqui passam. Sei quem eles são e o porquê de não escrever o que quero a dados momentos.
Não esperem contudo que seja uma escrita politicamente correcta, que não diga o que sinto ou que o esconda. Para isso, mais valia escrever em papel e guardar para mim, em vez de me abrir neste último reduto de verdadeira liberdade que é a Internet.Não sou politicamente correcto, nunca o serei. Sou do contra, sempre fui e sempre serei, recuso-me determinantemente a ser mais um cordeiro na fila para o matadouro. Por isso doía a quem doer vou escrever por aqui o que penso e o que sinto. Se serei injusto? Talvez. Mas verdadeiro perante o momento, sempre!
Talvez mereça o que tenho, talvez mereça mais. Penso honestamente que mereço mais e melhor, mas como diz uma amiga longínqua… at the end of the day we all have what we deserve.