segunda-feira, 31 de março de 2008

Factos Impressionantes

Devo dizer que o estado de espírito com que escrevo é de quem está de ressaca. Se na noite da passada Quinta-feira fiz um teste às minhas capacidades, no Sábado foi a desgraça completa. Tanta que ainda hoje me sinto assim como que... vá lá... mal! Mas, no meu caso, o facto mais impressionante de ficar completamente alcoolizado é a capacidade de ver com clarividência a minha vida. O álcool, no meu sistema, tem o efeito contrário do que à maior parte dos humanos (neste momento a pensar... none of them knew he's a robot...). Como já se aperceberam sou diferente dos restantes humanos... E mais uma vez foi o que aconteceu.
Que faz um grupo de gajos (que se encontra uma ou duas vezes por ano) enquanto conversa e diz umas asneiradas? Evidentemente bebe! E muito de preferência! No meu caso, e enquanto voltava para casa (não se preocupem que não conduzi, não sou assim tão inconsciente!!!) serviu também para pensar. Pensar em coisas que ainda não tinha pensado desde que sucederam. E algumas delas nem sucederam e também fiquei a pensar o porquê.
É uma sensação estranha, saber que estou a tentar fazer tudo direitinho e evitar merdas que já fiz no passado e, no entanto, reparar que cometi um erro crasso pelo caminho. Ganhei logo um formigueiro pela espinha acima, algo normal quando me apetece bater em mim mesmo! No caso até nem cometi um único erro, foram dois... o que ainda é pior!
Confesso que sou um gajo que fala pouco, excepto quando a conversa lhe agrada. Falo quando tenho que falar e nos restantes momentos calo-me (até para evitar as burrices que tenho tendência a dizer quando falo demais). Não sou como uma pessoa (em especial) que conheço que diz que não é como aqueles parvinhos que começam a falar só por falar até porque não é assim, mas se não o interromper continua a divagar neste tema durante mais 15 minutos e a dizer continuamente a mesma coisa.
Por vezes acontece que falo demais e digo claramente o que sinto, só me apercebendo mais tarde da burrice que fiz. Estou a pensar numa pessoa em particular à qual fiz isso. E só com o tempo é que me apercebi da cagada em três actos que fiz. 1º acto: estiquei-me e disse algo que não devia; 2º acto: não percebi alguns dos sinais que recebi antes de dizer o que disse (não interessa para nada saberem o que disse... até porque ficavam a saber o mesmo que eu... e não vale a pena); 3º acto: fiz essa pessoa regredir em relação a mim. Nestes três acto estão englobados os dois erros que cometi. Se forem inteligentes chegam lá, se não forem paciência... não estou com pachorra para explicar!
Todos nós somos como somos. Uns mais abertos, outros mais fechados, uns inteligentes, outros burros and so on... Mas como já perdi pessoas por não dizer o que sentia, arrisquei. Alguns dirão que fui muito rápido, outros muito burro, outros ainda muito directo. Para quê ficar com aquele nó na garganta durante dias, meses ou anos? Para depois mais tarde perceber que devíamos ter dito aquilo que não dissemos? Fod@-se arrisquem! O pior que pode acontecer é ficarem com um sabor amargo na boca, mas não podem dizer que não tentaram! De que valem os sorrisos de cumplicidade, os olhares de desejo ou carinho, se no final não disseram o que tinham a dizer e a pessoa de que gostam ou desejam vos troca por outro só porque não tiveram a coragem necessária para segredarem ao ouvido um gosto de ti ou um amo-te ou qualquer outra coisa que queiram dizer? Não valem de nada! Time is running!
Por isso arrisquei, mesmo que agora perceba que foi um erro, que talvez fosse cedo demais, que talvez essa pessoa não me veja como eu a vejo, que talvez não precise de mim como julguei que precisava. Talvez até precise, mas não esteja para aí virada, talvez não precise, talvez tenha medo de dar um salto no escuro ou o passo para a frente junto ao abismo ou até um leap of faith como já ouvi chamar. Não sei. Ela o saberá. Chamem-me o que quiserem, mas eu chamo aos que se sentem tentados a dizer, mas que nunca o dizem uma palavra apenas. Cobardes! Forte? Provavelmente. Mas so many if's and why's para quê? Se não tentarem...
Tudo o que é diferente, seja no trabalho como nos sentimentos, mete medo. De acordo. Mas de que serve passar nesta vida para sermos uns cordeirinhos à espera da degola? Ao invés, não valerá mais a pena tentar marcar a diferença, nem que seja apenas a uma pessoa? Acordem seus nabos!!!

PS: Quero só deixar um agradecimento a todos os que lêem este espaço e que nunca comentam. Até porque sei que esses casos existem! Hehehe!!! Little devillish me!!! Hehehe!!! Perder tempo a ler lixo dos outros não é fácil, daí o meu agradecimento. Sem pôr nomes ou pessoas claro. Apenas um obrigado pela paciência a todos (conhecidos, desconhecidos and something in between).

quinta-feira, 27 de março de 2008

Mais Um Encontro Casual

Pois é aconteceu mais uma vez... A quem nunca aconteceu ir na rua e cruzar-se com um amigo ou conhecido que já não vê à muito tempo? Mais uma vez tive um desses encontros casuais. Desta vez a quatro. Eu e o meu pai encontramos um amigo/vizinho e o filho dele. Somos aproximadamente da mesma idade (sim... sou um 27 year old kid!!!). Conversas divertidas, passadas ali no Marquês e no velhinho e tristemente desaparecido café Portugal. Um ícone de muitas conversas e de muito tempo passado ali ao lado da minha primeira residência.
Não refiro aqui os nomes desses amigos, por serem distintos... ou vá lá... diferentes, mas conhecidos cidadãos do Porto. Aliás este post debia ser escrebinhado em portuense e naum em português. Espero que a seu tempo vos consiga deixar aqui um fabuloso post, tenho apenas de actualizar o meu portuense ao nível de excelência.
Foi uma conversa divertida, que passou para um copo, e onde ficamos durante algumas horas a lembrar o passado... se bem que eu e o puto nos sentimos um bocado mais rebaixados do que divertidos... É tão bom sermos recordados pelas birras, asneiras, vidros partidos e outras cenas tristes que fazemos quando somos criancinhas imberbes...
Mas recordo claramente dessa conversa o tema polícia... quem me conhece sabe que tenho um enorme problema com a polícia, basta a sua existência para ficar com náuseas, enjoo, raiva e uma enorme vontade de armar um contra-revolução que acabasse com esses senhores da repressão, que mais não sabem fazer do que passar multas. Penso que consegui demonstrar o "amor" que sinto por eles na última frase. Ser bófia, era a unica profissão que não conseguiria nunca desempenhar, preferia ser... é melhor não dizer a profissão que me passa neste momento pela cabeça...
Curiosamente foi um encontro cheio de recordações, entre uma estupidez e outra, escutava com atenção uma pianada que passava ali ao lado. Ninguém se recordava do nome da canção que era ali tocada. Todos estávamos de acordo apenas em que era muito antiga e eu batia na tecla que era uma música da Carly Simon. Quando voltei para casa, fiz uma busca por aquele som fantástico. Nada. Durou algum tempo a busca até encontrar o "Coming Around Again" de 1987.
Fui levado outra vez até à minha infância por esta musica e esta maravilhosa voz. Precisamente nestas alturas é que sinto que estou a ficar velho...
E precisamente nestes momentos consigo compreender coisas que no passado nunca compreendi. Como esta letra. Nunca atentei bem nas palavras que correm esta grande balada e que, hoje, sinto que são tão verdadeiras e tão belas... "I know nothing stays the same / But if you're willing to play the game / It's coming around again / So don't mind if I fall apart / There's more room in a broken heart". Este chorus é uma verdade sobre a vida. Após um grande amor tudo muda nada fica na mesma, mas se estivermos dispostos a jogar o jogo que se reaproxima vez após vez (porque é assim mesmo que acontece) então o espaço no nosso coração reabre-se a uma vida e a sentimentos que são tão maravilhosos de sentir.
Sou obrigado a concordar com isto "And I believe in love / But what else can I do / I'm so in love with you". Somos praticamente obrigados a acreditar no amor, ressurge a qualquer altura e é bem melhor quando cai de forma inesperada no nosso colo.
Todas as restantes frases soltas desta letra são tão soltas como verdadeiras. A vida não passa disso mesmo, de recordações e vivências soltas na nossa memória que com o passar dos anos vão fazendo todo o sentido, mesmo que não façam sentido nenhum. Quem é que no seu perfeito juízo "Scream a lullaby"? E quantas vezes já não tivemos vontade (eu já o fiz várias vezes... e garanto que sabe bem no fim) de berrar bem alto alguma coisa que nos vai na alma. Gritar bem alto (se bem que aconselho vivamente a fazerem à pessoa que amam, ou então, dirijam-se a um local ermo e isolado e berrem sozinhos... só para ninguém achar que um internamento de urgência numa instituição psiquiátrica resolve o caso) ajuda a libertar os nossos fantasmas, as nossas tristezas, frustrações. Ser adulto é complicado. Libertar a nossa força interior ou a criança que ainda vive em nós... sabe muito bem!
Um encontro casual deu neste post. E este post será que faz algum sentido? Não sei... talvez daqui a alguns anos tenha a resposta. É sempre assim...

sábado, 22 de março de 2008

Um Curioso Mail...

Passo a transcrever um mail que recebi esta semana e, que para além de me ter feito rir muito, me deixou emocionado. Não estou muito habituado a receber estes elogios, se bem que as situações retratadas no pós elogios sejam tudo menos simpáticas. Aliás pensando melhor, deve ser um texto repleto de ironia, e que sendo burro como sou, não consegui compreender até agora lol!
Para as três mulheres que se deram ao trabalho de escrever, deixo um grande beijo de amizade, um pedido especial de desculpa pela dor que infligi a uma delas... já vão perceber porquê... e uma garantia, passe o tempo que passar, vocês são as maiores. Aturar-me não é fácil!
Este texto trouxe muitas emoções, um misto de alegria e saudade, tristeza e riso. Havia tantas mais cenas para contar... não é meninas??? :)
Aproveitem para ler este testamento único, alguém a falar de mim que não eu e compreendam que (bem lá no fundo) elas são umas grandes mentirosas!!!

Olá Bruniño!

Estamos a escrever este mail a 6 mãos! Algo difícil dirás, mas sabes como somos! Não penses que estamos a dar graxa ao escrever estas palavras. Até porque nunca te poderemos dar graxa suficiente para agradecer o peso que nos tiras de cima. Nem graxa, nem dinheiro todo no mundo poderá algum dia pagar o peso do qual nos livraste. Siiiiiiim! Falamos da Inês. Essa coisa absolutamente arrogante, egoísta, bestial (no sentido de besta mesmo hehehehe) e absolutamente indescritível que saiu (parece impossível!!!) do ventre da nossa querida mãe.
Esclarecemos desde já que só estamos a escrever estas palavras porque não temos mais nada para fazer. Assim sendo, começamos a falar de ti e decidimos escrever-te. Algo que não fazemos muitas vezes! Achamos inútil e difícil escrever sobre ti…
Ora bem, estávamos nós a falar do passado e de alguns desastres ambulantes com os quais nos cruzamos, incluindo a tua pessoa (sabes que te prezamos muito e que gostamos muito de ti), mas as verdades são para se dizer… E tens essa incrível tendência para seres um desastre ambulante ou também aquele bomba relógio sempre à espera de explodir!
És das pessoas mais fantásticas que conhecemos. Sempre presente quando é preciso, sempre disponível para ajudar, sempre com uma palavra amiga. És um tipo de homem em vias de extinção. Quem te levar vai ser muito feliz! Tens tanto para dar! Provas: sempre nos ajudaste nos momentos difíceis (incluindo quando atiraste o meu ex ao mar quando estava a chatear hehehe gostei!!!), quando mudei de casa (e prontamente ajudaste a partir uma mesa que adorava, mas aí a culpa é repartida), aquela palavra amiga que nós precisamos e que a ofereces sempre (mesmo que para isso nos precises de chamar cabra, vaca ou mesmo pior, mas todas te perdoamos... porque te chamamos pior hehehehe) para acordarmos.
Por seres como és deixas sempre cicatrizes profundas no coração das pessoas que passam pela tua vida. Pelo coração e não só (eu que o diga e agora sabes quem está a escrever!!!). Ainda tenho uma cicatriz deixada ficar pela tua pessoa, ou melhor, pelo cotovelo da tua pessoa. Cada vez que me lembro, fico irritada e com vontade para te oferecer o mesmo tratamento! A tua capacidade de fazer asneiras é assustadora. Partes um copo, gentilmente vou ajudar-te a apanhar o vidro e ao baixar-me levo com uma cotovelada que abriu o olho. Fogo… podias ser mais mansinho, mas isso nem foi o pior. Vou com um olho totalmente aberto e a inchar para o hospital, chego lá, sou atendida e ainda por cima levo com a bófia a perguntar o que se tinha passado. Se tinha sido abusada, que podia apresentar queixa e bla bla bla. Sabes bem que depois disso tive de ir 3 vezes à esquadra para dar explicações e dizer que não queria apresentar queixa. Já não chegavam os 3 pontos (ainda hoje tenho trabalho a esconder por baixo da sobrancelha…), o olho roxo que durou uma semana a passar e acabou com a policia… Se bem que cada vez que lá ia, dava mesmo vontade de te meter numa jaula durante uns dias!!! Cabrón!!! Mas depois uma pessoa olha para essa cara de santinho, de cãozinho sem dono e perdoa tudo… que raivaaaaaaa!!!
Outros momentos inesquecíveis que vivemos nas esplanadas perto de Samil. Não sei como consegues estar quase uma tarde inteira calado. E depois quando finalmente resolves abrir a boca e esperamos uma frase daquelas filosóficas, sai a maior estupidez que alguém consegue dizer. Lembro-me de uma em especial… nem sequer foi a pior… estávamos com algumas amigas… um sol quente… eras o único homem… estávamos a falar de filosofia… quando tu sais com uma frase que, se não fosses tu, não tinhas sobrevivido “expliquem-me lá porque é que vocês dizem que sexo entre mulheres é mais doce?”. Horas calado a ouvir a conversa… e de repente zássss… caiu a bomba! Ainda gostava de saber o que estava a passar por essa cabeça.
Ás vezes fico com a ideia que o teu cérebro bloqueia e não pensa. Ou que tens momentos em que viras o comum homem (o das cavernas… típico do sec. XXI). A tua sorte é que sendo tão especial, deixamos passar esses momentos alucinados que por vezes vives. Ou será que te drogas de vez em quando hehehehe???
Uma das tuas características mais especiais é a tua serenidade e auto-controlo. Consegue por vezes ser assustadora, mas em alguns momentos tem muita piada. Lembraste com certeza daquela famosa queda nos Balaídos! Lambeste 10 escadas em plena bancada e quando qualquer pessoa ficava deitada no chão com dores, o que é que fizeste? Levantaste-te rapidamente e com toda a altivez que conhecemos, caminhaste até ao lugar e só quando te sentaste é que abriste a boca “Foda-se que dores de costas!”. Quando chegaste a casa tinhas a marca das escadas todas nas costas, mas mesmo assim não perdeste a compostura. Malucooooooo hehehehehehe!!!
Nem quando sofres por uma mulher perdes esse teu sentido. Dizes que não podemos baixar ao nível das outras pessoas porque perdemos toda a razão, mesmo quando a temos. És capaz de ter razão nesse ponto. Aliás dá tanta vontade de acertar o passo às mulheres que te magoaram. É assustador que em tantos anos os dedos de uma mão chegam e sobram para contar as vezes em que perdeste a razão.
Os teus momentos de loucura são únicos. Só mesmo tu para enfrentares um boi de 150kg. Depois pagaste as consequências… Uma placagem de futebol americano sem protecções… praia… areia… e kilos de areia dentro da tua boca hehehehe! Ainda bem que o vídeo dessa brincadeira está bem escondido longe de ti! Mais uma prova da tua loucura!!!
Já para não falar das magistrais bebedeiras que apanhavas (acompanhado claro!!! hehehe). Era cada uma que andávamos todos com ressacas durante dias. Curioso é que a tua máxima de começar a beber logo de manhã para evitar ressacas, funciona mesmo! Porque será?
Temos tanto para contar e para dizer sobre ti. E este mail já vai tão longo… Sentimos falta daquele tempo em que tudo era fácil e em que tínhamos todo o tempo do mundo para asneirar. A vida não nos permite estar muitas vezes juntos, por isso temos de aproveitar bem, os poucos momentos em que estamos juntos.
Maninho (sim porque é isso que sentimos que és para nós), sabemos que a vida te tirou muitos dos sorrisos e dos risos estridentes que davas. Estás mais triste agora do que quando éramos jovens, mas acredita que as pessoas (mulheres em especial) não sabem dar valor ao que perdem. Para nós és um anjo. Com os teus defeitos e as tuas virtudes. És aquele pedacinho de céu que ofereces quando alguém nos magoa. Aquela ternura, aquele carinho, aquele toque das tuas mãos fortes como que a dizer “força vai correr tudo bem”. Não conseguimos devolver todos esses momentos, não porque não queremos, mas mesmo porque não podemos. Queríamos estar junto a ti nesses momentos, queríamos passar a mão por essa cabeça (XXL hehehe) e acariciar o teu cabelo quando estás triste. Sabes que não podemos, mas que em pensamento estás sempre connosco.
És grande puto!!!

Besiños
E. & C. & L.

Lição de Vida

Todos nós temos alguns encontros que nos marcam. Decididamente ontem tive um desses encontros. No fim não consegui ficar indiferente, aliás acabei por ficar de mal comigo mesmo. É quase um cliché dizer que as crianças com problemas graves de saúde são diferentes. Ontem tive a prova desse facto.
Uma menina linda de 12 anos com a consciência do seu estado grave e, no entanto, com um sorriso tão belo, tão vincado e tão maduro que me assustou. Dizer abertamente que "já me retalharam toda, por isso podem fazer aquilo que quiserem que já nem sinto", dizer que "quero ser médica" mesmo a saber que pode nem ter tempo para chegar a esse sonho, dizer que "não quero casar" são frases de uma maturidade impressionante, assustadora, avassaladora.
Como é que aquela menina com os seus gravíssimos problemas de saúde consegue ser feliz? Como é que tendo uma guilhotina a pender sobre o pescoço consegue ser a mais sorridente e mais feliz das quatro irmãs? Fiquei completamente esmagado por aquela simplicidade e serenidade.
Senti-me pequenino, minúsculo, fútil. Pensamos que os nossos problemas são sempre os piores e os de mais difícil resolução. Contudo medi os meus problemas e os desta criança e senti que os meus eram tão fúteis, tão mesquinhos que fiquei magoado comigo mesmo. Nunca pensei que fosse uma pessoa fútil, mas foi assim mesmo que me senti. Que intensidade ou que valor tem uma pessoa gostar de nós ou não? Que valor tem a falta de objectivos profissionais? Que tamanho têm aqueles problemas banais mediante o obscuro problema de saúde de uma menina/mulher?
Aquele sorriso, aquela felicidade, aquela intensidade, aquela vontade de viver marcaram-me o coração. Fiquei triste comigo mesmo, revoltado com a vida. Que mal fez aquela princesa para ter de andar metida em hospitais desde que nasceu? E ainda me perguntam porque não acredito em Deus e na igreja? Querem melhor resposta do que esta? Há muito que me pergunto que Deus permite que morram crianças à fome, que Deus permite que hajam guerras como no Darfur, que Deus é este que permite que os homens se transformem em animais e trafiquem crianças e mulheres? Que Deus é este afinal? Deixem-se de merdas e acreditem que se não formos nós a alterar todo este estado de coisas, não vai ser Deus a fazê-lo.
Por isso é que muitas vezes penso para mim... que se foda Deus! Tal e qual!

Esclarecimento: Tenho bem claro na minha mente que este é um post que pode ferir mentalidades. Acreditem que este grito de revolta não foi propositado devido à época que estamos a viver. Aconteceu ontem. Fiquei triste, demasiado triste com aquela história e ainda continuo com o mesmo sabor a fel na minha boca. Foi um encontro breve e casual, mas que deixou fortes marcas no interior do meu ser. Por este facto peço desculpa se feri alguém. Peço apenas que se puderem ajudar estas crianças e estas instituições (tal como o IPO) de alguma forma o façam. Não podemos ficar conformados. E aproveito para deixar os meus mais sinceros desejos de uma Boa Páscoa a todos os leitores do "Olha a Menina a Dançar".

segunda-feira, 17 de março de 2008

Encontros Imediatos

A semana que ontem terminou (sim, porque para mim as semanas terminam ao Domingo) teve alguns encontros imediatos típicos da twilight zone. Um desses encontros passou-se num café da baixa. Uma coisa rápida, estranha e ao mesmo tempo desconcertante. Este tipo de encontros casuais podem ser bons ou maus, conforme os nossos sentidos e sentimentos.
Pude, pela primeira vez, olhar para um grande amor e perceber fisicamente, aquilo que já sabia interiormente. Ou seja, olhar para aquela mulher e sentir apenas um vazio de indiferença em que já nem a amizade cabe. Se bem que inadvertidamente, dei por mim a perguntar, como fui capaz de me apaixonar por ela. A pessoa que surgiu à minha frente, sentada com algumas colegas numa mesa de café, era a imagem de uma mulher cansada, abatida, triste. Não a imagem que me habituei a ver e a sentir. Este tipo de efeitos podem ser trágicos a longo prazo. Não deixo de assinalar contudo, que ainda houve um sentimento que ressaltou a olhar para ela, esse sentimento (que quando surge em mim, tem um mau significado porque o detesto sentir) foi pena. Pena porque caso quisesse podia ter tido comigo uma vida bem melhor do que leva com o namorado. Pena porque se quiser, com certeza, que pode ter uma vida melhor, mas agora com qualquer outro homem que se atravesse na vida dela, comigo nunca mais! Pena porque merece ter essa vida melhor e porque, quando acordar vai acabar por se encontrar numa valeta sozinha e sem tempo para remediar o passado.
Cada um escolhe os seus passos e vive a vida como quer. Não há volta a dar. As coisas são como são. Talvez tenha aquilo que merece, cada um tem o que merece. Mas lá que foi estranho foi, olhar para um antigo amor e perceber que só emerge indiferença, quando em tempos estive disposto a fazer e a dar tudo por ela, foi algo que me deixou a pensar. Enfim, estou curado!
Considero que a vida é uma experiência extraordinária, complexa, por vezes ininteligível, estranha, absurda com laivos de excentricidade e requintes de loucura. É mesmo assim e, quando pensamos, que já vimos tudo o que tínhamos para ver... caímos no engano de forma redonda! E foi assim mesmo que, no final do ano passado, conheci uma das mais belas mulheres que já conheci, até talvez a mais bela. Bela interiormente e tão inatingível que por vezes dá vontade de... eu sei o que dá vontade... e já estive perto de o fazer por duas vezes! Mas seguindo para bingo...
Ontem entre indecisões e indefinições, muito devido às condições atmosféricas, acabei por concretizar mais um desses encontros típicos da twilight. Decidi a custo levantar o fofo do sofá e ir ver, por mera curiosidade, como se pratica desporto por mera carolice e amor ao desporto e ao preservar de tradições que nem são nossas. Já sei que quando estamos distanciados do país onde nascemos, tentamos manter vivas essas tradições, nem que para tal seja preciso implementar essas mesmas tradições em países em que o jogo não tem condições, nem tradição ou como era o caso rigorosamente nada! Mas lá foi ele... e a renitência que tinha passou em cinco minutos.
Em menos de cinco minutos, os tugas (aos quais são muitas vezes avesso) fizeram-me sentir bem e em casa. Foi uma tarde bem passada, no meio de gente desconhecida, que rapidamente me acolheu e se fez conhecida. É incrível que o desporto una raças, credos, gentes diferentes independentemente das suas classes sociais, económicas, culturais e mesmo das suas línguas mater.
E são estas tardes em que o respeito ainda impera mesmo que num desporto duro (por muitos apelidado de violento, por mero desconhecimento), pela forma como fui recebido, que ainda me fazem acreditar no ser humano. E acima de tudo foi bom não me sentir um alien ali no meio. Assistir ao jogo junto a pessoas que percebem da matéria é muito fixe. Talvez para breve esteja num desses treinos, junto a essas pessoas, até lá fica marcado novo encontro para o próximo jogo em casa e quem sabe se não estão a nascer ali algumas boas amizades. O futuro o dirá!
São nestes pequenos encontros casuais, que a vida nos trás surpresas. Algumas agradáveis, outras desagradáveis. A vida é mesmo assim, quando menos esperamos surge o melhor das pessoas e nós, ainda que com todas as vivências que já temos, ainda conseguimos ser surpreendidos! Estas são as pequenas alegrias da vida e que dão força e vontade de continuarmos a viver. Só porque os amigos se afastam, não quer dizer que não surjam mais amizades. Só porque um amor morreu, não quer dizer que do nada não surja outro amor diferente, mas que nos atrai e nos faz sentir bem. Apenas temos de estar abertos ao mundo, aos sentimentos e às pessoas... porque afinal num planeta com 6 biliões de pessoas... ainda existem muitas surpresas pelo caminho! Esta bola redonda onde vivemos é pequena, mas demasiado grande para nos fecharmos apenas num mundinho com um fim ao virar da esquina e em meia dúzia de caramelos (entenda-se amigos) a quem estamos habituados. As surpresas aproximam-se a grande velocidade, boas ou más, e os 6 biliões não são apenas 6 caramelos!
Espero que os leitores do "Olha a Menina a Dançar" possam encontrar-se com estas surpresas da vida, já nesta semana que hoje se inicia! Uma boa semana a todos!

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Luz

Na nossa vida existem ou aparecem algumas pessoas que têm uma luz especial. Talvez assim seja, pela forma de ser ou pela forma como encaram a vida. Conseguem adquirir uma aura especial para quem, de alguma maneira, tem a sorte de conviver com elas. Mas o que acontece quando essas pessoas estão em baixo? Nem que seja um poucochinho em baixo?
Em recentes conversas apercebi-me de um facto interessante. Essas pessoas quando ficam tristes ou murchas, deixam os outros da mesma forma. E porquê? Porque são tão interessantes, tão amigas, tão carinhosas que todos os que as rodeiam as detestam ver sofrer e porque sabemos que merecem tudo o que de bom a vida lhes guarda. Talvez na sua simplicidade se queiram diminuir. Talvez não queiram sentir esse fardo ou até não consigam perceber o impacto que têm na vida dos outros. E deixo para trás muitos outros talvez que podia aqui acrescentar.
Mas o que será que podemos fazer para mudar esse estado de espírito? Algumas pessoas talvez fiquem tristes e resignadas, outras (como eu) tentam mudar esse estado de coisas. Uma palavra, uma carinho, um gesto, um olhar e, quando necessário, até um puxão de orelhas servem para tentar levantar a moral dessas pessoas especiais.
No meu caso, até pela minha forma de ser, tento sempre dar o carinho ou a palavra necessária para ajudar. Confesso que para quem merece sou uma pessoa muito carinhosa. Talvez tenha surpreendido ao afirmar isto outras pessoas, mas se assim o foi, pensem que não merecem esse carinho! No meio do desastre sou daquele tipo de gajo que fica impávido e sereno. Tento sempre encontrar uma forma de ajudar. Um puxão de orelhas às vezes também é válido.
Por isso, caros amigos, no caso de terem uma pessoa com a tal aura que falei na vossa vida (seja amigo, familiar, amante ou outro qualquer caso) peço-vos que tentem ajudar essa pessoa. Não serve de qualquer ajuda fazer um freeze e ter um assédio de raiva, angústia ou tristeza.
Ás pessoas com essa luz especial, peço que tentem viver a vida com alegria. Nem sempre estamos na melhor forma física e psicológica, mas tenham a certeza que existe muita gente para vos ajudar e para vos dar o devido valor. Sendo que merecem tudo de bom na vida, tenham a certeza que o vosso valor vai trazer-vos muita felicidade e o brilho nos vossos olhos. Mais cedo ou mais tarde os pale blue eyes vão tornar-se ocean blue eyes! Acreditem!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Noites Sem Sono

A madrugada de Sábado para Domingo trouxe-me mais uma noite sem sono. E como todas as noites de insónias, costumo pensar até cair para o lado. Curiosamente, desta vez não pensei na vidinha nem em cenas que me pudessem estragar o humor. Fui parar a um passado distante, onde o bem não se misturava com o mal e tudo era simples. Apenas vivido a uma velocidade extrema. "Sentir sem pensar" era um dos lemas.
A pessoa que mais marcou nesse lema foi a Carmen. Provavelmente a única pessoa que me conseguiu ler como um livro aberto. Nessa noite apercebi-me que recordo todos os momentos significativos que vivemos. A primeira vez que a vi, estava longe de pensar que nos íamos aproximar. Lá estava ela no meio da rua a conversar com uma amiga sem medo nem receio dos carros que pudessem passar. Era noite, vestia um vestido branco de alças e, como habitual, as suas botas estilo tropa. Nunca consegui compreender porque é que com 40 graus ela usava aquelas botas... A sua tez morena, os seus olhos e cabelos castanhos tiveram sobre mim um efeito quase mágico. Foi das poucas vezes na vida que fui impelido a voltar-me para trás para a observar. É raro fazer isto!
Dias mais tarde fomos apresentados por uma amiga comum. A primeira pergunta que me fez foi "porque é que paraste para me observar na rua?". Sorri embaraçado. Detesto ser apanhado desprevenido... Tentei dissimular a situação e disse que estava a olhar para outro lado, que nem a tinha visto. A Carmen riu-se como se me conhecesse muito bem. Menti tão mal...
Os dias e noites correram entre conversas básicas e outras mais profundas. Numa tarde de praia, em pleno mar, esse meu grande amigo, sacou um beijo vindo não sei muito bem de onde. Nada o fazia prever. A partir desse momento vivemos intensamente cada momento. Em especial aquele em que levei sem pedir, as chaves de um carro potente a essa nossa amiga comum e fomos passear a alta velocidade.
Deixei-me arrastar por ela em momentos mágicos e algo loucos. Revivendo-os agora na minha cabeça apercebo-me que nunca fui julgado nem crucificado por aquela alma. Sempre me aceitou com os meus defeitos e virtudes. Com 18 anos já não somos crianças, mas naquela altura vivemos como tal.
Quando volto aquela que considero a minha segunda casa, cruzo-me invariavelmente com os seus pais. Sou muito bem recebido e acarinhado. Estive alguns anos sem ver aquela mulher, mas é curioso, com o correr dos anos ainda mantém o mesmo sorriso de criança. Mudou o olhar... agora ainda mais arrasador do que no passado. Quando nos reencontramos, senti-me outra vez transparente perante ela. É capaz de saber o que sinto e o que vivi só ao olhar para mim. "Com os anos passaste a ser um Lobo Hombre que se esconde cada vez que o dia se aproxima. Tentas ser invisível durante o dia, porque só as sombras da noite te fazem sentir em casa.". A noite, nossa fiel companheira, sempre nos uniu e sempre nos separou. É curioso, mas vivemos nas sombras para evitar ser observados.
A Carmen, deixou para trás um curso de História para se dedicar às Artes, nunca devia ter escolhido outro caminho. Deixou para trás as botas de tropa para usar sapatos de tacão alto, mas nunca deixou de ser quem é. Uma alma perdida na luz do dia. Uma sombra radiante de luz durante a noite.
Quando a vida nos cruza, algumas noites de Agosto por ano, sentimos algo mais do que apenas a amizade que restou. Uma profunda união de almas que por se terem um dia perdido, sabem que vivem no limbo até encontrarem o pouso final. Ainda esperamos por essa alma que nos faça cair e pousar enfim.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Atentado Bárbaro

Na madrugada da passada terça-feira sofri um atentado bárbaro à minha vida. A minha querida mãe resolveu assustar-me quando andava em busca de uma delicia nocturna (chocolate mesmo!). Resultado... uma enorme tolada na mármore da banca da cozinha. Tenho a nuca com um gigantesco galo, fortes dores de cabeça e não dormi nas ultimas duas noites. Ando tipo zombie pela rua. Mas todos estes sintomas a bem ou mal se aguentam...
Agora as p*tas das piadinhas que ando farto de ouvir é que não! A mais engraçada de todas, foi dita pela Ines... como sempre... foi algo do género "És o único cornudo que conheço que só tem um chifre! Como não tens namorada és modelo a ser estudado em laboratório!". Já não bastam as dores de cabeça, enjoo e restante mau estar? Um gajo ainda tem de aturar uma maluca a dar piadas?! Honestamente se fosse uma pessoa normal eu até deixava passar, mas uma... enfim deixem-me ficar por maluca que a minha vontade é insultar essa gaja do pior... já é demasiado!!!
Sinceramente digo mal da minha vida por ter adoptado aquela coisa como maninha. Ainda por cima a gaja anda cá e lá... Não podias ficar apenas por lá? Porque é que sou idiota o bastante para não ter adoptado antes uma das tuas irmãs? Elas sim são pessoas normais! Tu és simplesmente detestável!
Falando agora a sério... preferia aturar um porco espinho do que te aturar a ti! Eu a dizer que ainda tenho de ir ao hospital para ver isto e responde com um "tens de ir é a um laboratório de genética". E tu Ines tens de ir à merda! Estou farto sua...

PS: Tenho um desafio que me foi proposto à bastante tempo para postar, mas ando sem vontade nenhuma para o fazer. Ando sem grande pachorra para pensar... essa é que é a verdade!