quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Dias Assim... Não Valem a Pena

Pois é meus amigos. Ontem tive um daqueles dias mesmo marados.
Depois de algumas aventuras ao longo da manhã e da tarde, chego a casa descansadinho da vida e à uma mulher que resolve dar-me cabo da paciência. Quer dizer, já não chega ter um dia de cão e a minha querida mãezinha resolve ainda o estragar mais.
Bla bla bla pra aqui bla bla bla pra acoli. Resultado: o menino pegou no carro e foi comprar tabaco... a Penafiel.
"Porque?" - perguntam vocês.
Porque me apetecia fugir. Foi um acto irreflectido e o maço de tabaco mais caro que alguma vez comprei na minha vida. Mas por outro lado, soube bem acelerar auto-estrada fora, com as janelas abertas e levar com aquele vento cortante nas trombas.
Acalmei, mas mesmo assim não passou o mau humor. Voltei para casa a fumar como um burro (não que este acto já não seja próprio de um burro) e acabei por ir dar cabo da cabeça a uma pessoa que me é muito querida. Tenho a felicidade de ela me ter ajudado a rir por alguns momentos e depois de não se ter chateado comigo. Porque estava a ser mesmo muito chato.
Para ela fica aqui o meu sincero agradecimento e um grande beijo. Obrigado! E vou tentar comportar-me para a próxima!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Memórias de um Passado Distante II

Novo ano, novas memórias, novos sorrisos, novas pessoas. O último suspiro da ingenuidade de criança.
Recordo em especial aquela linda animadora espanhola. Encontrei-a à dias, nove anos depois, linda como sempre... Foi bom ter um traço do passado ainda bonito que vivi. Era bela, como era bela!
A pele suave e morena, os olhos negros a resplandecer alegria e aquele corpo, não muito alto, mas esguio e lindo. Um corpo onde passei horas mergulhado no seu cheiro, no seu sabor, na sua beleza.
Que bom recordar esses tempos e recordar aquela mulher. Parece que ainda a estou a ver sorrir, aquele sorriso puro de quem não pensa, só sente. De quem vive para o prazer.
Hoje, mais adulto e dolorido com a vida, tive com ela a conversa sobre uma vida e outra. Ela continua feliz e sorridente, e eu vejo esta vida passar sem sonhos, só com dor e aqueles pequenos prazeres de mergulhar em ti, meu amigo mar. Com ela senti de novo o eterno prazer de amar e como gostei... Seria uma boa companheira para a eternidade com o seu sorriso de criança.

Falei-lhe da minha nova vida, da minha nova filosofia. Disse e repeti que agora estou diferente, mais adulto... muito adulto até em demasia.
-"Pára de pensar e sofrer! Junta-te às crianças e sê uma delas!" afirmou com toda a certeza do mundo.
Hoje paro para pensar e vejo que ela tem razão. O único mundo perfeito e alegre. Feliz, essencialmente feliz. Porque no mundo das crianças não existe lugar para a mentira, não se pensa, apenas se sente.
Um mundo que é tão verdadeiro quanto cruel. Quantas vezes as crianças já nos leram de forma tão incrivelmente verdadeira que até dói? Dói muito alguém, em especial um bebé, pôr na sua boca todos os nossos defeitos e expor todos os nossos defeitos em praça pública. Não que seja por maldade. Não! As crianças são demasiado verdadeiras para mentir. Aliás sempre se disse que "criança não mente".
Como animadora, começou a trabalhar com crianças e voltou a ser criança de novo. E porque é que ela fez isso? Porque precisou de esquecer a verdade sobre o que somos e o que andamos aqui a fazer. A mais dura verdade de todas. A verdade eterna sobre a nossa vida...
Como foi bom ter reencontrado a minha amiga. Gostei de voltar a dançar junto ao corpo dela. Gostei de beijar aquela suave tez. Foi bom recordar o passado doce e suave!
Bom... de qualquer forma, hoje dorido e magoado com a verdade, recordo a nossa figura. Sentados na esplanada de um bar, óculos de sol nos olhos. Assim era melhor. Evitamos o sempre doloroso contacto visual de duas pessoas que sabem a verdade e que nos despe por completo.
Vi que ela estava feliz. E eu fiquei feliz por a ver assim. Senti até, confesso, um pouco de inveja. Mas fiquei feliz e um pouco apaziguado com a sua alegria...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Serão Eles os Loucos?

Faz vários dias que ando a pensar no conceito de loucura. Numa curta paragem que fiz numa "Casa de Saúde", fiquei pasmado com o que por lá se passava. Os "loucos" segundo a nossa palavra (e que estranha palavra esta) tinham uma vida feliz.
A casa era um palacete magnifico e por lá andavam a pairar aquelas almas. Lembro-me de um "Contador" que andava sempre em campanha discursando pela cultura e pelas crianças. Outro era o "Fiscal" que cobrava impostos felizes. Existiam outros "loucos", que na sua loucura vagueavam pela casa. Uns silenciosos e parados, outros barulhentos e irrequietos.
Existia até uma rainha! A Rainha D. Maria, com a sua postura altiva e o seu pajem, mas sempre benemérita e feliz. Todos se curvavam à sua passagem. Foi curioso ver como todos eram felizes. As suas alegrias pequenas insignificâncias.
Pude assistir à inauguração de uma sala para as crianças, filhas dos medicos e trabalhadores, puderem brincar. Foram eles, os "loucos" que fizeram tudo aquilo. Surpreendente? Talvez não. Focalizei-me no discurso do "Contador": "Nós morremos e quem cá fica são as crianças. E elas têm de brincar e ser felizes!"
Será que estas palavras são de um louco? Fica a pergunta para reflectirmos.
Eles tinham-me pedido, a mim a e outras pessoas, dinheiro para ajudar. Queriam balões, lápis de cor e cadernos para os miúdos. Quando lhes tentei oferecer o dinheiro, recusaram e pediram que os comprasse. Foi exactamente isso que fiz.
Foi uma experiência arrebatadora ver aquela alegria!
Tinham feito algo pelas crianças. Estavam tão ou mais felizes do que os próprios miúdos. Também eles pareciam crianças!
Nunca mais esquecerei aqueles gestos, aquelas caras sorridentes. Até disparos por parte da corte de D. Maria existiram! Disparos com paus de madeira. Uma banda silenciosa tocou uma musica belíssima. A mais bela de todas as musicas!
Será que são eles os loucos? Ou seremos nós, nas nossas vidas insignificantes, fúteis e estúpidas? Nas nossas vidas que não nos dão tempo para parar e pensar quanto mais para sermos felizes.
Se estes são os nossos loucos, eu também quero ser louco!

Y2K: Loucura ou Insensatez

Chegados ao ano 2000. Segundo milénio. O milénio da mudança de atitudes. O milénio do raciocínio. Neste mundo em plena mudança e expansão de pensamento, devo parar para reflectir no papel da igreja. A tal que nos invadiu e implementou este calendário aC e dC.
Todos conhecemos os crimes cometidos nas Cruzadas. (...)"A espada de madeira proferindo sentenças / Enterrada que ela foi no coração de outras crenças" (...) (in Os demónios de Alcácer-Quibir, Sérgio Godinho).
Mas talvez o maior crime cometido pela Igreja Católica (falhado que foi o massacre dos Templários, numa Sexta-Feira 13, assim nasceu o mito) foi o completo assassínio que fez ao papel da mulher na vida, assim como na igreja.
O concilio (século IV ou VI, perdoem-me, mas não me recordo da data precisa) que definiu os cânones e unificou o catolicismo, acabou por desfazer a mulher.
De mães extremosas, de seres únicos na Terra, respeitosos e respeitados; a prostitutas que tentaram alterar o rumo do filho de Deus, foi um curto passo. Daí para a frente seguiu-se a história que os livros nos contam.
Rainhas derrubadas, bruxas queimadas na fogueira, amantes degoladas. Seres destroçados pelo poder e pelo papel do homem ao longo de vinte séculos.
Os homens sempre puderam bater, humilhar, diminuir e subtrair o respeito e a vontade do sexo feminino.
Acham normal? Eu não.
De que barriga nascemos, nós homens, "seres todo-poderosos"? Do ventre de uma mulher.
De onde nos alimentamos durante nove meses e posteriormente anos? Do leite materno.
Quem é que cuida, Trata e define o sexo de uma criança? As mulheres.
Qual a nossa casa? De quem vem o beijo? A palavra amiga? O carinho quando tudo se desmorona em redor? Da mulher.
Será que nenhum homem consegue parar, reflectir e respeitar os seres mais completos à face da Terra?

Por tudo o que já sofri com mulheres e pelas mulheres, podia muito bem ter deixado de as respeitar. A opção mais fácil, seria a de as humilhar e trata-las como lixo. O que normalmente os homens (e a Igreja Católica) fazem. Mas por despeito a todos esses seres desprezáveis e minúsculos, por clara falta de respeito, sou incapaz de ser como eles.
Respeito todas as mulheres. Como seres humanos que são. Como seres bondosos, capazes de perceber seres menores e complicados (os homens), como pessoas capazes de efectuar múltiplas tarefas sem um queixume.
Um dia perguntei a um padre se estes eram os seres menores para o catolicismo. O seu silencio cúmplice foi a minha resposta. Nem é preciso outra.

Amei ferozmente uma pessoa que morreu. Sofri. Mas compreendi. Compreendo agora o sofrimento. Ganhei respeito. Ainda mais respeito. Se algum dia voltar a amar (duvido, só acredito que se ama uma vez na vida, mas se por acaso acontecer), tudo farei para amar, respeitar e cuidar dessa pessoa. E quando digo isto, estas palavras que disse a mim mesmo, prometo tentar nunca magoar nem desrespeitar esse maravilhoso ser que é a mulher.

Não sou nem nunca serei padre ou um homem comum. Perdoem-se se for caso disso...

03 de Janeiro de 2000

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Memórias de um Passado Distante I

São tantas as recordações que tenho de ti, amigo mar e de todo o teu poder e da nossa gente, que talvez já não me lembro de todas. A primeira, e talvez a mais longínqua será a da bela espanhola. Aquela que à dez anos andava de cadeira de rodas com uma perna partida. Recordo-me do seu namorado que a empurrava naquela longa e inclinada rampa que se dirigia ao hotel onde amos estávamos instalados. Lembro-me também do esforço que o rapaz fazia para empurrar a cadeira. Tanto esforço para quê? Será que ainda estão juntos? Ou o amor já se diluiu? A maioria dos amores diluem-se com o tempo...

"Que o nosso amor seja eterno, enquanto dure!" - José Carlos Ary dos Santos

Dizia e creio que tinha razão. Tudo se esfuma até a própria vida...
Lembro-me apesar de tudo com um sorriso, é uma boa recordação! Diluída com o tempo. Nem sequer me consigo recordar das caras, apenas da caricata situação a que o amor guia. É incrível como o tempo passa! Já lá vão dez anos! Rio e sorrio de estupefacção do tempo. Que estranha coisa que ele é...
É ele que nos marca a hora do nascimento e a hora da morte.
Ando agora mais alguns dias para me recordar dos risos, das gargalhadas, de todas as palhaçadas. De todas as brincadeiras inocentes de criança que ainda não sabiam qual o seu destino trágico, mas belo.

O Regresso a Casa

É sempre estranha a definição de casa.
Regressei hoje após deixar aquela que considero a minha segunda casa. Para trás ficam alguns amigos, outros de ocasião, as noitadas e o quente do Verão. Deixei o Mediterrâneo, o nada imponente mas muito meu castelo de Villena, Madrid, Salamanca e todos os outros locais passados ao longo da viagem.
Faltam agora poucos quilómetros, desço a Avenida da Republica em Gaia, com aquela sensação estranha de estar a chegar a casa. E de repente, ao atravessar o tabuleiro da D. Luís, assola aquele pensamento no cérebro.
-"Finalmente em casa!"
Como sempre que parto nunca tenho a certeza de regressar, seja por um dia ou por um ano, sinto-me reconfortado ao olhar para baixo e rever o Douro e as velhinhas casas da Ribeira. E mesmo sem ouvir, ouço o "Porto Sentido".

Facto: antes de partir visito todos os locais que muito me dizem e antes de regressar ao apartamento a que chamo de casa, faço questão de os rever, mesmo que seja por breves segundos.

Por muito mal que digamos desta cidade, a verdade é que ela nos marca de forma profunda. Molda quem somos, a nossa maneira de ser, a nossa forma de encarar a vida.
Obviamente podemos mudar de cidade ou de país, mas levamos sempre em nós, o Porto.
Esta segunda casa de que falei é tão diferente. Sei que era capaz de lá viver e de me sentir feliz, mas sempre com o sentimento de que nunca estaria em casa.

domingo, 25 de novembro de 2007

Cartas de um amor acabado I

Não sei se algum dia terei a coragem necessária para te mostrar estas palavras. Talvez para ti sejam apenas palavras ocas, despidas de qualquer sentimento, mas para mim, para mim são um desabafo sofrido daqueles que sempre, mas sempre me saíram melhor escritos do que falados.
Nunca fui bom a mostrar os meus sentimentos. Desde criança os ocultei. Hoje olhos para trás e presumo que fosse medo. Medo de sofrer, medo de chorar. Lembro-me de aos oito anos estar no funeral do meu avô (no preciso local onde, ainda hoje, me sou capaz de colocar) e ver toda a gente chorar e a minha mãe gritar pelo seu pai que partia.
Tenho noção que esse momento me marcou e fez-me forte para não derramar uma lágrima. E fingidor, fingidor para esconder, desde então o que sinto.
A minha mãe queixa-se que eu não rio, outros que passo demasiado tempo a pensar. Ambas são verdade, mas desde que te conheci, C. tu fazes-me rir mais do que ninguém.

Conhecemos-nos à tão pouco tempo, que nem sei porque não me escudei por trás da mesma máscara de sempre . Fui desde o primeiro momento mais honesto contigo do que alguma vez fui com outra pessoa.
Desvendei-te segredos tão profundos como o meu ser, não sei porque. Não consigo perceber o porque e é esse facto que me está a corroer por dentro. Sempre tentei perceber tudo e esclarecer tudo dentro de mim, talvez por isso não tenha chegado a lado nenhum.

Será que conheço o teu cheiro ou o sabor da tua pele? Porque raio me sinto assim? Estarei louco? Serei louco? Será isto amor? Será loucura? Insensatez? Não sei...

Ontem fiquei a saber que tinhas namorado. Sei pelo que senti depois que não levei nenhum soco no estômago, levei antes com uma pedra gigantesca que me esvaziou por dentro. O álcool, velho amigo das desilusões, voltou a encher-me por dentro.
Agora mais recomposto do choque, sei que me restam poucas hipóteses para que sejas minha. Qual David (nunca me senti como tal, sendo eu Adamastor) olho para Golias sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, sem saber como agir.

Fiz o que faço melhor e comecei a escrever. O meu coração palpita rapidamente, está acelerado. Se tu o pudesses sentir C.
Confesso que neste momento me apetece pegar no telefone e ouvir a tua voz. Não me apetece mesmo nada esperar pela manhã. Tu não sabes, princesa, mas vou preparar-te uma surpresa e ligar-te antes de chegares ao emprego.

Será que algum dia irás ler estas palavras? Será que vou ter essa coragem? O desplante de mostrar a quem escrevo, em quem penso. Será que mais uma vez me vou acobardar? Se o fizer, vou voltar a ler estas palavras daqui a meses ou anos, sozinho, triste e vazio.
Quero ter a coragem necessária para, desta vez, te mostrar o que é teu.


A verdade é que nunca ninguém leu estas palavras...

Definição de c@r@lho... no Porto

(…) O "c@r@lho" do Porto não é um "c@r@lho" qualquer. O "c@r@lho" do Porto é um "c@r@lho" meigo, nobre, íntimo, expressão sincera de amizade. No Porto, quando ouvirem chamar pelo "c@r@lho", convém olhar para trás. O "c@r@lho" podemos ser nós. É um tratamento entre amigos que se amam e respeitam.

Aliás, a expressão tem um significado tão profundo, que é sempre acompanhada de um possessivo. Quando um portuense chama o "caralho" do amigo, trata-o sempre por "meu caralho", ou "seu caralho" Há um sentido de posse entre "caralho". Os "caralho" pertencem-se.
- Onde é que andaste, meu "caralho"?
- Por aí a pastar. E tu, seu "caralho"?(…)

(Extracto de um e-mail enviado por um “c@r@lho” amigo à minha pessoa, um outro “c@r@lho” portanto)

Tudo isto merece uma curta reflexão. Sou “c@r@lho” de algumas pessoas, mas lutei muito para chegar a esta posição. É claro que existem outras expressões amigas e carinhosas como “ó boi”, “ó urso” (umas das minhas favoritas), entre outras. Mas todas estas expressões fazem parte de uma cultura única no país e no mundo.

E meus amigos, aconselho vivamente a beber e depois utilizarem estas expressões, garantidamente serão ainda mais carinhosas. Mas cuidado não insultem os “c@r@lhos”, sem serem um deles, pois correm o risco de se darem mal...

O Regresso do Estupor

Pois é meus caros, este blog volta em novo local, com uma nova atitude, mas com as parvoíces de sempre (sejam elas boas ou más).
Para todos aqueles que conheceram o "Olha a Menina a Dançar" no passado (eu e mais uma multidão de... talvez duas outras pessoas!), este regresso vem com uma nova atitude. Um blog mais aberto, mais moderado, mais calmo, menos doente, menos a cair de solidão e podridão. Como o estupor do seu dono! Sim estupor, não se assustem, mas é isso que eu sou!
O estupor que só dizia e fazia asneiras, agora mudou. Continua a ser o mesmo estupor... aquele que só diz e faz asneiras, mas de uma forma diferente. Será??? Não sei se eu mesmo acredito nisso, mas... o tempo o dirá.
A todos os que lerem o "Olha a Menina a Dançar" o meu agradecimento, primeiro porque têm o gosto de ler, depois porque ler lixo é difícil. E acreditem meus caros... isto é puro lixo!
Obrigado a todos!