Chegados ao ano 2000. Segundo milénio. O milénio da mudança de atitudes. O milénio do raciocínio. Neste mundo em plena mudança e expansão de pensamento, devo parar para reflectir no papel da igreja. A tal que nos invadiu e implementou este calendário aC e dC.
Todos conhecemos os crimes cometidos nas Cruzadas. (...)"A espada de madeira proferindo sentenças / Enterrada que ela foi no coração de outras crenças" (...) (in Os demónios de Alcácer-Quibir, Sérgio Godinho).
Mas talvez o maior crime cometido pela Igreja Católica (falhado que foi o massacre dos Templários, numa Sexta-Feira 13, assim nasceu o mito) foi o completo assassínio que fez ao papel da mulher na vida, assim como na igreja.
O concilio (século IV ou VI, perdoem-me, mas não me recordo da data precisa) que definiu os cânones e unificou o catolicismo, acabou por desfazer a mulher.
De mães extremosas, de seres únicos na Terra, respeitosos e respeitados; a prostitutas que tentaram alterar o rumo do filho de Deus, foi um curto passo. Daí para a frente seguiu-se a história que os livros nos contam.
Rainhas derrubadas, bruxas queimadas na fogueira, amantes degoladas. Seres destroçados pelo poder e pelo papel do homem ao longo de vinte séculos.
Os homens sempre puderam bater, humilhar, diminuir e subtrair o respeito e a vontade do sexo feminino.
Acham normal? Eu não.
De que barriga nascemos, nós homens, "seres todo-poderosos"? Do ventre de uma mulher.
De onde nos alimentamos durante nove meses e posteriormente anos? Do leite materno.
Quem é que cuida, Trata e define o sexo de uma criança? As mulheres.
Qual a nossa casa? De quem vem o beijo? A palavra amiga? O carinho quando tudo se desmorona em redor? Da mulher.
Será que nenhum homem consegue parar, reflectir e respeitar os seres mais completos à face da Terra?
Por tudo o que já sofri com mulheres e pelas mulheres, podia muito bem ter deixado de as respeitar. A opção mais fácil, seria a de as humilhar e trata-las como lixo. O que normalmente os homens (e a Igreja Católica) fazem. Mas por despeito a todos esses seres desprezáveis e minúsculos, por clara falta de respeito, sou incapaz de ser como eles.
Respeito todas as mulheres. Como seres humanos que são. Como seres bondosos, capazes de perceber seres menores e complicados (os homens), como pessoas capazes de efectuar múltiplas tarefas sem um queixume.
Um dia perguntei a um padre se estes eram os seres menores para o catolicismo. O seu silencio cúmplice foi a minha resposta. Nem é preciso outra.
Amei ferozmente uma pessoa que morreu. Sofri. Mas compreendi. Compreendo agora o sofrimento. Ganhei respeito. Ainda mais respeito. Se algum dia voltar a amar (duvido, só acredito que se ama uma vez na vida, mas se por acaso acontecer), tudo farei para amar, respeitar e cuidar dessa pessoa. E quando digo isto, estas palavras que disse a mim mesmo, prometo tentar nunca magoar nem desrespeitar esse maravilhoso ser que é a mulher.
Não sou nem nunca serei padre ou um homem comum. Perdoem-se se for caso disso...
03 de Janeiro de 2000