domingo, 22 de fevereiro de 2009

Te Miro... Te Quiero...

Ando de candeias às avessas com o mundo. Torna-se difícil viver quando se está assim. Desde que vocês se foram o tempo tornou-se lento, intragável, pesado. Está difícil... muito difícil de suportar esta vida sem sentido e estas horas... estes dias... estas semanas... Sempre soubeste que eras o lado esquerdo do meu cérebro quando ele teimava em não funcionar. E agora? Agora quem me vale? Agora quem me equilibra e dá na cabeça quando necessito?
Sinto-me tão sozinho... tão triste... tão sem sentido que nem me apetece viver. Gostava de cair na cama e desaparecer de uma vez. Assim mesmo... sem sequer cumprir a parte da vida que me falta. Ontem senti uma dor dilacerante a rasgar-me o peito quando li as tuas cartas. Sim Cris... as tuas cartas que sempre teimaste em escrever à mão. Como te compreendo... um pedaço de papel é muito mais humano do que este espaço em branco sem sentido onde as palavras se anulam num vazio humano inacreditável.
Aquilo que me escreveste fica para sempre na minha memória, agora que rasguei todas as tuas cartas, todas as vossas fotos. Se estiveres aí por algum lado a ver-me, saberás os meus motivos e perdoarás como sempre perdoaste os meu actos. De que valem fotos, anéis, cartas, de quem a vida foi roubada? São meros objectos que se apagarão com o tempo, mas ao contrário da memória nunca se apagará. Morreste-me Cris... Morreste-me...
Agora sinto-me perdido sem saber o que fazer neste meu turbilhão de ideias e sentimentos. Como me fazes falta minha irmã! Como me fazem falta aqueles longos passeios pelo Samil nas manhãs frias e ventosas de Inverno, em que quebrávamos o limite do razoável e nos sentávamos a conversar ao frio... ao vento... à chuva... a discutir os nossos sentimentos... as nossas vivências... o porquê das coisas acontecerem desta ou daquela forma.
Preciso imensamente da tua sabedoria, do teu poder frio de análise, da tua voz, do teu carinho. Preciso de ti como do pão que preciso para sobreviver. Foste sempre a minha razão. Foste sempre aquela, que sem nunca me julgar, me deu conselhos válidos e sábios. E agora Cris? E agora? Como é que vou fazer para sobreviver a isto?! Sem ninguém... Sem os amigos que fugiram... Sem a nossa menina... Sem a minha sobrinha que tantos motivos me dava para sorrir... Sem o teu sorriso terno e olhar condescendente quando a ensinava a fazer mais uma asneira. No fundo sabes que a tua filha era a minha filha... Aquela menina linda de olhar doce e sorriso pronto. E agora meu Deus? Deus??? Declaro-te morto, falhado, falido. Declaro por ti... deus (sim com letra pequena) todo o meu ódio e o meu repúdio!!! És uma besta inexistente em que os pobres de espírito acreditam para que não pensem nem vejam o que se aproxima desde o dia em que nascemos... A morte! Neste momento desejava a minha morte... enfim... acho que morri no dia em que morreste Cris. Não vejo motivos para sorrir sem ti, para estar alegre sem ti, para viver sem ti. Esta é a declaração de amor que sempre te neguei minha irmã. O amor que sabias que tinha por ti, não de forma apaixonada, mas de forma pura e límpida... tal qual dois irmãos se amam. E agora Cris? E agora quem me ajuda a vencer as minhas dúvidas, os meus desatinos? Preciso tanto de ti...
Destruo tudo em que toco. Destruo todos os que gostam de mim. Destruo tudo em meu redor. Cris... Morreste-me... E agora quem me salva?! Sei que nunca mais posso ver o teu sorriso, sei que nunca mais te posso ouvir, sei que estas palavras que por aqui escrevo nunca as irás ler. O que é que eu faço à minha vida Cris? Como é que vou decidir se continuo ou não a tentar? Como é que vou decidir se não será tudo fruto da minha imaginação? Como é que vou decidir qual o passo seguinte? Se espero ou se deixo para trás tudo aquilo que podia dar certo?
Só sei que neste momento nada faz sentido. Que precisava do que não tenho. Dos amigos ao meu redor. De um amor que teima em não aparecer. De uma aventura que a minha vida não tem. Sei que precisava agora de ti. Talvez fosse tudo diferente e claro. E se eu te tivesse dito que sim Cris? E se eu tivesse dito que ia passar o Ano Novo contigo? Será que teria mudado o teu trágico destino? Será que ainda te teria aqui comigo minha irmã? Será?
Com certeza não me sentia tão perdido, tão confuso, tão vazio, tão mal como me ando a sentir. Quando é que vou finalmente ter paz? E que sentido fará opor resistência a um destino que está escolhido? Deverei eu resistir? Ou baixo os braços e deponho as armas? Nunca me deixarias desistir... mas agora duvido da minha capacidade de andar contra moinhos de vento... Será que vale a pena? Porque é que me morreste Cris?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Senzafine

Por estes dias ando sem grande pachorra para muitas coisas. Ando cansado. Cansado do emprego, cansado de muita gente que me rodeia, cansado de... eu sei lá do que ando cansado!!! Nem quero muito saber... Ando sem grande vontade para pensar... sem grande vontade para preocupações... sem grande vontade para nada.
A morte da minha "irmã" e da minha "sobrinha" afectaram-me bastante. Ainda estou a tentar recuperar desse trágico dia. Tenho conversado algumas vezes com a filha de uma amiga italiana. E por mais miúda que seja, aquela luz numa aura incrivelmente dark, fascina-me! Tanto como me fascinou a mãe. São apenas 12 anos, são 12 anos que a poderiam ter devorado por dentro, mas que aceitou como se nada fosse.
Em certo ponto é a unica pessoa que conheço em que revejo uma semelhança comigo. Começamos demasiado cedo a ouvir musica que não era para nós. A dada altura chamou-me à atenção para a sua banda favorita. Toda a gente conhece os "Lacuna Coil". Em bom italiano disse-me "lê as letras e depois diz-me alguma coisa!". Colou-me o Senzafine no messenger e perguntou-me "isto é o máximo ou quê?". Nem lhe tive coragem de responder... Como é que uma miúda linda de morrer, ternurenta, inteligentissima, uma miuda koala como costumo dizer. Ok... para quem não está no espirito da coisa... miuda koala significa uma miuda que dá vontade de abraçar e não largar mais... Como é que uma miuda assim tem uma aura tão dark antes dos 15 anos??? Só conheci uma pessoa assim... Eu!!!
A partir daí comecei a atentar cada vez mais nas letras dos Lacuna Coil em vez de estar atento à voz e à figura tão goth como fascinante da Cristina Scabbia. Letras que são autenticos hinos ao momento por que passo... cheio de curvas e cruzamentos perigosos. Neste momento estou sem saber o que fazer em relação a muitas coisas. Procuro encontrar respostas para tanta coisa... Como agir? O que fazer? Que reacção a ter? Porra e eu que julgava saber muito... não sei nada!
Tenho levado autenticas lições da Chiara. Fica no fundo do coração a frase "gostava de ter um pai cool como tu!". Ficam as nossas conversas nos pecaminosos caminhos da vida... mas aqui fica para todos uma banda sonora deliciosa... Lacuna Coil e a letra de Senzafine!

Scorre lento il mio tempo
Che scivola sul velo della mia pelle nuda
Se oltrepassassi il confine che mi hai dato
Forse io non sarei qui
Da adesso ormai che senso ha
Cercare di abbracciare un passato piu puro
Guardando avanti rischierò
Ma riesco a rispondere ai miei perchè
Tutto ciò che sarai
Era già stato scritto
Se davvero esiste
Questo dio ha fallito
Ogni parola pronunciata
Sarà lo specchio del tuo dolore
Riflette la colpa
Alimenta l'odio
Madre
Il mio destino scelgo
Se riesco a resistere
Sono ancora in piedi in questo istante di pura follia
non so piu' se desiderare il bene o il male
anche se il peccato forse piu' mi da'
Da adesso ormai che senso ha
Opporre resistenza a un destino segnato
Non restero a guardare senza
Riuscire a resisterti
Risvegliarmi
Madre
Il mio destino scelgo
Se riesco a resistere
Risvegliami
Non c'e scelta senza me
Non c'e vita senza me

Tradução inglesa:

My time flows slowly
gliding upon the veil of my naked skin
If I overstepped the borderline you gave me
maybe I would not be here
Now what's the sense
of trying to embrace a purer past
Looking forward I will risk
but I will answer my questions
All that you'll be
It was already written
If he truly exists
This God failed
Every spoken word
will be the mirror of your sorrow
reflects the fault
feeds hatred
Mother
My fate choose
if I will resist
I'm still standing up in this moment
of pure madness
I understand no longer if I should wish for good or evil
Even if sin maybe gives me more
Now what's the sense
of opposing resistance to a settled destiny
I will not be watching without
managing to withstand you
Awake me
Mother
My fate choose
if I will resist
Awake me
It isn't choice without me
It isn't life without me