terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Conversetas

Existem muito tipos de conversa. Apenas em raras ocasiões as conversas conseguem ser totalmente francas e honestas. Tenho a felicidade de ter este tipo de conversa com pelo menos uma pessoa. Se calhar a única com a coragem de assumir aquilo que quer e os medos que tem. E sem duvida alguma… a única com coragem de assumir que gosta mais do cão do que de mim!!! É preciso ter lata!!! Mas ao mesmo tempo é essa honestidade, essa sinceridade de menina/mulher que é deliciosamente única.
Talvez por isso os nossos desentendimentos sejam momentâneos… isto porque segundo ela… lhe fodo muito a mona. É próprio da minha forma de ser. Quero mudar algo que vejo que está errado, quero fazer a diferença na vida de alguém nem que seja por um simples gesto, por um simples abrir de olhos ou por apenas um segundo. Talvez seja porque sou sempre do contra. Talvez porque me preocupe demais com os outros em vez de ser mais egoísta e mais egocêntrico. Não sou assim. Ponto final paragrafo. Dificilmente mudarei a minha personalidade. Considero que devo melhorar certos aspectos, mas mudar completamente era deixar de ser quem sou.
Mas essa mulher que alguns reconhecerão ao ler isto, é a mesma que recusa determinantemente um café. Acho que não percebeu bem o que quis enquanto a convidava para tal. Pensa demais nas merdas, talvez com medo de voltar a sentir. Diz que me está a proteger de algo… é curioso… nunca fui protegido por ninguém e ser protegido de algo que decididamente não quero ser protegido, é no mínimo curioso. Creio que antes de me proteger a mim, está a proteger-se a ela mesmo. Talvez não se sinta preparada para um café com um “amigo desconhecido”. Talvez tenha medo de algo. Até mesmo pelo que me vem dizendo. Até pelo que sei e que mantenho como segredo bem guardado.
Surge uma dualidade deveras interessante. Alguém disse que o mundo é um local muito pequeno. Sem dúvida que acertou em cheio. A dualidade, essa exprime-se pelo facto de lhe foder muito a cabeça; por sermos “vizinhos”; por mantermos uma amizade de mais de um ano sem nunca nos termos visto; por sentir que guarda um carinho especial por mim, tal qual sinto o mesmo por ela; pela preocupação que expressa por mim, acontecendo o mesmo na proporção inversa. Até mesmo pelo facto de quando nos chateamos e dizemos coisas da boca para fora (sim porque nisso somos os dois bons!) cenas radicais mesmo, resolvermos essas questões num espaço muito curto de tempo.
Se bem que pensei de distintas formas em distintas situações nela, nunca fui tão longe nesses pensamentos quanto ela. Estou em crer que nos iríamos entender da mesma forma como nos entendemos agora, apenas numa versão de presença física. E tenho a certeza deste facto apenas por um pequeno, mas completamente significante pormenor. Porque nos demos ao trabalho de nos conhecer um ao outro, sem nunca nos conhecer. Porque sabemos quando algo não vai bem mesmo sem nunca nos termos visto. Porque queremos o melhor um para o outro.
De facto, e ninguém o pode negar, a falta de presença física condiciona a nossa amizade. Não temos nem um momento que possamos guardar como nosso. Não temos uma história em comum nem momentos de partilha. Temos uma grande amizade sem ter nada. Ela é assim e não está para aí virada como diz. Resta-me, a mim, respeitar a sua vontade e esperar. Não esperar o tal café, mas esperar que não encare aquilo que digo nem o que já lhe pedi como malícia ou como segundas intenções. Até porque sempre fui sincero e leal, sem segundas intenções. Porque nunca as tive com ela nem com ninguém, porque a amizade e o respeito que lhe ofereci é a mesma que ofereço a quem recebe longas massagens, carinho, adormece e depois me vê levantar e caminhar em direcção à rua sem pedir nada em troca.
Nem a ti… sabes que escrevo para ti… alguma vez te pedi algo em troca. Creio que aceitas que seria normal que neste momento fossemos amigos presentes e, não amigos presentes numa ausência normalizada. Nunca te pedi que te apaixonasses por mim. Aliás continuo a dizer que seria uma utopia pedir isso… se bem que me considero muito mais homem do que um certo animal que curtes. Tens gostos muito estranhos de facto…
Enfim… talvez um dia a vida por algum acaso nos faça cruzar ou estejas virada para isso… talvez percas o medo de me ver… talvez desistas de me “proteger” ou de te proteger (sei bem fazer damage control)… talvez um dia a converseta possa ser cara a cara…
Ou talvez não… e se por acaso a magia se acabar antes desse momento… apenas perderás isto:

...forse allora mi ricorderai
un sorriso sulla faccia mia
ubriaco di nostalgia
si alzerà nel vento polvere
poi sarò un ricordo PER TE....



Talvez um dia possa ser realmente alguém para ti…