Para ti... Sabes Quem És...
Sei que te dirigiste a mim porque não sobrava ninguém por perto para te ajudar. Sei que estavas receosa e insegura se te iria ajudar. Conhecemo-nos mal, muito mal mesmo. Não tínhamos a mais pequena confiança um com o outro, mas aquilo que fiz foi o que faria por qualquer amigo.
Confesso também que o teu contacto foi tão surpreendente que não me apercebi da gravidade do teu estado na hora. Apenas compreendi que algo mais se passava quando te olhei. Nesse momento os pensamentos correram rápido pelo meu cérebro. Algo do género “é impossível estares assim apenas pelo que me contaste”, “devia ter vindo logo a correr”, “como vou acalmar alguém que mal conheço?”. Hoje sei que devia ter corrido de imediato em teu auxílio, devia ter deixado tudo para trás. Só me apercebi quão frágil, quão indefesa, devias estar conforme me foste contando a história por entre lágrimas e cigarros. O tempo voou enquanto ouvia a tua história. Desculpa as minhas próximas palavras, mas já as tinha ouvido contadas por outra pessoa, praticamente iguais e essa história não acabou bem.
Compreendo o teu sofrer, o teu ponto de vista, a tua desilusão e a tua dor. Quatro anos e muitos sonhos deitados ao lixo, sem sequer se ter dignado a terminar com a tua angústia é um fardo pesado…
Confesso que da única vez que nos vimos tinha ficado com uma ideia diferente de ti. Espero que a mulher linda, forte, que sabe o que quer, quando e onde quer regresse depressa. No entanto, a fragilidade, a tristeza e, mesmo assim, a simpatia e o sorriso que demonstraste é um dualismo extremamente cativante. Tirou de cima de ti o peso da ideia de uma beleza de alguma forma esfíngica com que tinha ficado. E isto que só pode ter um significado. Com ou sem o teu namorado ou ex-namorado (não sei como o classificar) vais com toda a certeza ser feliz! Se reparei nisto tão rapidamente, qualquer outro homem irá reparar.
Abro agora um ligeiro parêntesis. Fomos quase interrompidos com o súbito aparecimento da tua prima. Ainda me vais explicar o porquê de achares que somos algo mais do que amigos. Eu e a K. não somos nem nunca iremos ser mais do que amigos. Por favor explica-me o porquê de tal ideia!
Honestamente, e já to disse, acho que tu e o teu amor tinham ideias diferentes para o que queriam da vida. Parece que ele nunca vai querer ter aquilo que tu queres, e assim sendo, és muito mais madura do que ele. A K. já me tinha dito e avisado. Mas esperava que fosses tu a sair por cima. Assim não ocorreu, mas ainda podes dar a volta e ficar por cima dando o derradeiro e decisivo passo.
Percebi o teu motivo. Ter tudo consolidado. Saber, conhecer e esperar a reacção da pessoa que se ama é tudo para ti. Acho que se começares tudo de novo, com um homem que te ame, que te mereça e que te respeite, pode nem ser assim tão difícil e stressante. Depende do homem que escolheres e nesse caso o melhor conselho que te posso dar é: deixa-te ir na onda.
Disse-te que eras uma mulher lindíssima. Respondeste que naquele dia te sentias feia. Todos nós temos dias em que nos sentimos assim. É perfeitamente normal. Sabes bem isso, mas é imprescindível que saibas que não és, nem nunca vais ser feia mesmo quando assim te sentires. Uma mulher culta, inteligente, sensata nunca vai ser desinteressante. Descobri apenas um defeito em ti. Não gostas de velocidades, mas ninguém é perfeito!
Quero que saibas que o gesto que te fiz quando falaste em pagar o que estava a fazer por ti, é para manter. Gosto pouco de apresentar contas. Anjo também não sou. Ás vezes pareço, mas já disseram que tenho olhos de diabo! Disseste que deve ser fácil gostar de mim. Não sei, honestamente não sei. Apenas tenho duas tentativas e ambas falhadas, por isso talvez não seja. Ou talvez seja a velha máxima do “quem eu quero não me quer e quem me quer não me chega”. Talvez nunca me tenham visto como homem. Não sei. Mas para mim como para ti pode ser que, como dizem os americanos “third time is a charm”. Um ensinamento que te vou tentar agora passar. Não vale a pena tentar entender os motivos pelos quais se faz isto ou aquilo. Essa busca apenas pode levar à loucura, e louco já sou!
Não te feches nesse quarto. Não te martirizes sozinha. Aliás nem te martirizes de todo. A culpa não é tua! Os tais amigos que perdeste talvez tenham ido para sempre, mas como descobriste podes ter aqui um. E afinal bem perto estamos um do outro. Acredita que podes estar completamente à vontade comigo. Sem stresses, sem medos. Não julgo as pessoas, como tal também não te vou julgar os teus actos e as tuas ideias.
Apenas deves gostar mais de ti. Se não gostarmos de nó, quem gostará? Eu sei que por estes dias tudo parece sombrio e terminal. É só uma fase passageira e não irá tardar até o sol se voltar a por em ti.
Pensa no que queres. Pensa se realmente vale a pena dares tudo, por quem parece pouco disposto a fazer sacrifícios por ti. E deixa entrar no teu coração alguém que esteja disposto a fazê-los. Conhecemo-nos mal, muito mal, mas estou certo que vales muito mais do que pensas.
Quanto à tal mão “rechonchuda” que se fechou na tua mão, podes estar certa que vai estar no mesmo local sempre que precisares e quando o entenderes. Afinal os amigos (novos ou de anos) são para os momentos difíceis. E era incapaz de te deixar sozinha naqueles momentos. Se não tivesses saído eu tinha ficado ali o tempo que fosse preciso.
E espero que o que disseste seja para manter. Agora não nos largamos tão cedo. Afinal o tempo que perdemos pode facilmente ser recuperado. Também tu vais recuperar do momento difícil que estás a passar vais ver! Dou-te a minha palavra!
Um beijo enorme!

0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial