domingo, 12 de outubro de 2008

A Semana Que Passou

A semana que acaba hoje não foi uma semana nada normal mesmo para mim. Começou mal. Segunda é sempre um dia complicado e do qual não gosto mesmo nada. Para acabar o dia só faltava mesmo um acidente automóvel. Não fui eu que o tive, mas um dos gestos que acabei por ter ao ajudar por uns foi considerado heroísmo, por outros um acto de loucura. Para mim talvez tenha apenas sido um impulso cheio de adrenalina ou um acto de puro egoísmo.
Terça feira tive uma noite agradável com boa conversa. É interessante quando nos sentamos numa mesa e descobrimos pessoas novas. Parece que mundos novos se abrem de repente. Para mim uma conversa interessante é bem melhor do que uma bebedeira descomunal e uma noite bem animada. É algo que nos atinge o intelecto. Algo que nos faz pensar. Pessoalmente faz-me despertar os sentidos todos. Tentar prever ou antecipar um gesto, uma palavra. Descobrir acções ou reacções a situações novas. Foi uma espécie de banho de sensações novas. Gostei, gostei verdadeiramente.
Quarta acho que foi o único dia normal desta semana. Trabalho, casa, conversas na net e pouco mais. Claro que como todas as quartas à noite, me sentei no sofá à espera de dois programas (sem nexo nenhum diga-se de passagem...), mas que se tornaram duas series de culto. "Air Galicia" e "Pratos Combinados". Aconselho vivamente a quem se queira rir a bandeiras despregadas em português da Galiza.
Quinta Feira. Sem que nada o fizesse prever até essa tarde, aproximava-se uma noitada em plena semana de trabalho. Não tenho tido uma grande vontade de sair nos últimos tempos. Se calhar não é bem vontade de sair, é mais falta de quem me arraste para tais loucuras sadias. Por volta das 22.30 encontramo-nos. Era cedo demais para o que queríamos fazer. Café tomado e o tempo a correr febrilmente. Continuo na minha, é incrível como uma boa conversa faz o tempo disparar como uma bala de prata em direcção a qualquer vampiro. Novo local de diversão nocturna. Morto como nunca vi. Não deu para dançar. Apenas para prosseguir a conversa. Cada vez mais mais uma conversa profunda, triste, mas cheia de empatia. Sem penas ou alegrias. Apenas franca, vincadamente marcada pela verdade de uma vida, que não sendo a minha, quis o destino que nos fizesse cruzar num momento esquisito. É verdade, perdemos já demasiado tempo, mas pode ser facilmente recuperado, caso qualquer contrariedade da vida não nos faça perder o tempo precioso que ainda nos resta. Voltamos a sair. Agora para ver gente, para finalmente dançar como estava previsto. Sorrisos e mais sorrisos. Copos. Uma simplicidade intrigante e uma cumplicidade que não é fácil para mim criar tão rapidamente. Ver aquilo que ainda não tive oportunidade de ver. A felicidade em estado puro. Também não foi essa que vi ainda, mas já valeu a noite ver tantos sorrisos.
Sexta Feira. Depois de dormir duas horas, fui trabalhar. O dia correu como normal. À noite esperava-me mais um jantar com os amigos do costume. Uma noite como sempre divertida. Copos, francesinhas. Dois primos que se não os conhecesse diria que têm fortes tendências gayzolas. Parece que gostam muito de se comer um ao outro! No entanto uma noticia deixou-me algo abalado. Ninguém merece. Mas a puta da vida é mesmo como assim. O tempo que tão precioso nos é, consegue ser tão cruel que até dói. Ainda não recuperei bem. Não conheço bem a pessoa em questão, mas a crueldade da vida deixa-me sempre a pensar se valem de facto a pena algumas guerras, alguns desentendimentos, episódios pouco agradáveis que nos levam a separações, a discussões. Talvez seja algo evitável. Mas a verdade é que são esses que mais facilmente guardamos na memória.
Por isso vamos aproveitar esses sorrisos bem dispostos e recuperar o tempo que perdemos. Da forma que está a correr, esta amizade daqui a pouco está completamente recuperada... mas nunca sabemos quando nos vai ser tirado o tempo para a recuperar.

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