É assim que me sinto hoje. Imensamente triste. Todos os sonhos que tinha desde miúdo se esvaziaram e neste momento, quase a chegar aos 30, estou num vazio em que não sei bem o que fazer. Para trás ficaram sonhos que andaram bem perto de ser concretizados, outros nem por isso, mas neste momento olho para a frente e encaro a vida como um mar de dúvidas. É triste...
Ainda ontem fiquei com a sensação que não sou deste planeta. Como diz uma amiga pertenço ao planeta nomansland. Numa sociedade caracterizada por ritos e ideias nas quais não me revejo, qual o meu papel? Não o percebo. Talvez porque nunca o tenha entendido. Talvez porque seja uma pessoa incompleta ou um incompreendido. Tenho tanto para dar...
Os amigos foram-se ou andam afastados. A vida é mesmo assim. Cada um tem a sua vida e o ritmo a que vivemos não permite que, pelo menos os meus amigos, estejam presentes. Resta-me viver sozinho, quase em isolamento e tristeza. No fundo sou uma pessoa triste. Sou talvez o mais triste dos seres humanos. Todos os dias encaro e vejo transeuntes que fazem a sua vida complicada parecer simples. Pura e simplesmente não consigo.
Resta-me apenas dar o pouco de mim a quem o aceitar. Ultimamente tenho tentado oferecer o melhor de mim a uma pessoa. Também vive momentos como eu. Tento dar-lhe todo o carinho que tenho e erguer aquela pessoa maravilhosa das cinzas. Sei que vai conseguir porque é forte, muito forte. Merece tudo de bom nesta vida. Tentar ajudar e dar tudo o que ela me permite dar é o que posso fazer. Sinto-me bem por isso. Respeito-a como nunca respeitei ninguém. Talvez nunca olhe para mim como olho para ela. Ofereço tudo o que lhe posso oferecer sem pedir nada em troca. É mesmo assim. Mas estou aqui para ir ao fim do mundo por ela se preciso for. Seja como ou quando for. E um dia quando ela encontrar quem a respeite e mereça, volta tudo ao início. Tal como aconteceu vezes e vezes sem conta. Fica carinho por dar, respeito por oferecer.
Hoje estou como a música que passa em fundo. Sinto-me perdido no meio do mar sem saber se hei-de ficar no meio da rebentação ou se hei-de de me deitar com a morte, a minha noiva... Sinto-me a voltar ao mundo dos mortos onde já vivi. Nada faz sentido, nada tem sentido. Será que viver uma vida sem sentido é mesmo viver? Não sei.
Com o correr do tempo fui percebendo que se calhar não faz. Deixei de sentir raiva e tristeza para tentar perceber o porquê de algumas pessoas desistirem de viver. Hoje em dia tento mesmo responder se será de facto uma cobardia desistir de viver. Sempre defendi a tese da cobardia no suicídio tal como os clássicos. Agora que percebo melhor as coisas questiono seriamente se será uma cobardia ou um acto de dignidade final merecedor de respeito. Se for, sei que sou demasiado cobarde para cometer um acto digno.
Estou mesmo perdido no meio da multidão... A única companhia que me resta são mesmo os meus cigarros. Alguns fumados com vontade, outros simplesmente por fumar. A verdade é que sei que são os companheiros que nunca me vão abandonar. Até porque quando um maço acaba temos sempre uma tabacaria à beira para comprar mais. Estranho não é? De todos os vícios que tive, este foi o único que restou. Vá lá ainda sobra alguma coisa nesta alma penada que vagueia pelo mundo por entre o fumo do seu cigarro.
Sinto-me só. Muito só. Tão só que nem consigo perguntar porquê. Espetem-me um punhal no coração para ver se resta ponta de sangue. Sinto-me vazio... duvido que haja a réstia de algo dentro de mim. Ouço e volto a ouvir na minha mente uma música de Caetano (eu que nem sou grande fã de música brasileira). Não consigo responder a grande parte da letra. Em especial ao primeiro verso. "Existirmos: a que será que se destina?". Revejo-me em grande parte desta letra. O homem lindo... o menino infeliz. Enquanto tento responder fumo mais um cigarro e ouço a canção outra e outra vez. Eu sei que sou um homem lindo e ao mesmo tempo um menino infeliz em que a sina não se iluminou. Porque é que ninguém consegue ver isso? Agora alguém podia ver, já fiz a minha redenção...
http://www.youtube.com/watch?v=ZaxDlDbMppE
CAJUÍNACaetano Veloso
Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina
PS: Não queria deixar de agradecer um sms que recebi à pouco e que dizia "(...) tu tens muitas qualidades. vá anima-te lá.". Acho que foi a frase mais simpática que ouvi nos últimos tempos. Tal como outra de uma noite de Domingo ficou marcada cá dentro. Prometo que vou tentar... Enquanto isso ficas a saber: "Cause I will be there". Sempre! Grande beijo.