quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Comunicação aos Leitores

Como se têm vindo a aperceber estou a viver uma altura em que coloco tudo em questão. Assim sendo, também o futuro do "Olha a Menina a Dançar" está a ser repensado. Não se admirem, portanto, se nos próximos dias ao tentar aceder ao blog, ele tenha deixado de existir. Também a minha participação e presença por este mundo da world wide web está em questão. Em breve poderei apagar tudo o que me liga a isto.
Enquanto não é definido o futuro e já que este pode muito bem vir a ser o último post, não quero deixar de agradecer a todos (conhecidos ou desconhecidos) os que passaram por este espaço, e comentando ou não, perderam o seu precioso tempo a ler estes sessenta e tal posts de mero lixo.
Um sincero muito obrigado a todos. Sejam felizes!

Amor de Mãe

Tudo se acaba nesta vida até a própria vida. É um facto indesmentível. Por estas alturas gostava de já ter os cem anos com que me sinto e que a minha vida estivesse prestes a acabar. Estou farto dela! Outro facto indesmentível. Ontem e hoje são dias cobertos pela tristeza e pela solidão. Apetece-me fugir para bem longe das pessoas. Cheguei à conclusão que detesto seres humanos.
Contudo ontem ao ver a publicidade a um automóvel ouvi uma música que me trouxe saudades do passado e um sorriso carinhoso. A canção é a segunda canção desta playlist. "Meravigliosa Creatura" de Gianna Nannini. Fui logo fazer o download e enquanto a ouvia vezes sem conta, dei por mim com uma lágrima a correr face abaixo. O amor é assim. Neste caso o amor puro e único de uma mãe ao seu rebento. Não ouvia esta canção desde 1998 ou 1999 já nem sei precisar.
Recordo-me que em duas semanas a ouvi centenas de vezes. Foi uma sensação incrível ouvir esta letra de novo. Foi uma emoção tremenda. Daí as lágrimas. Uma jovem mãe (pouco mais velha do que eu na altura) cantava à sua filha, uma bebé de dois anos. Não se cansava de cantar com um sorriso como nunca vi igual. Um sorriso terno, um sorriso de amor indescritível. Um sorriso que acredito que nunca mais verei e que serei incapaz de algum dia reproduzir.
A mãe, uma italiana de 19 anos, Alessandra, alta, loira, olhos verdes e pele morena cantava na praia enquanto brincava com a filha, Chiara, dois anos, a cara da mãe como se costuma dizer. Cantava em qualquer lado. Numa esplanada, no hall do hotel que partilhávamos, na rua. Estava completamente apaixonada pela criança. Falamos disso e recordo que me disse em italiano "que aquele era o seu grande amor, para a eternidade". A Chiara sorria com a pureza de criança ao ouvir a mãe cantar. Nunca se cansava de ouvir aquelas palavras de amor e carinho.
Talvez esta união de dois seres se deva ao facto de só se terem uma à outra. O passado da Alex tinha tido alguns erros, ultrapassados pelo nascimento daquela "meravigliosa creatura". De facto, a pureza, a beleza, a educação tremenda que tinha aos dois anos, fazia que qualquer pessoa se apaixonasse por aquela bebé. Era demasiado perfeita dizia eu à mãe. Como qualquer mãe orgulhosa, ela sorria e olhava para a filha "é a única coisa que me resta. O meu tesouro.". E tratava a filha como um tesouro.
Recordo-me das noites passadas na praia em que a Chiara brincava até à exaustão, enquanto eu e a Alessandra falávamos. Recordo-me quando se cansava e se recolhia nos braços da mãe até adormecer. E lá vinha de novo a canção para adormecer. Nunca vi amor igual. E nunca mais as vi. Sei que alguns amigos mantêm ainda contacto com elas. Que a Alex continua a amar a filha da mesma forma pura e incondicional. Que mantêm a relação extraordinária de cumplicidade que tinham. Que a Chiara é uma "signorina" quase a entrar na adolescência.
Gostava um dia de as rever, mas provavelmente nunca vai suceder. Por isso aproveito para ouvir esta música, sorrir enquanto choro e lembrar-me dos tempos em que "Un uomo abbraccia una ragazza / Dopo che aveva pianto / Poi si schiarisce la voce / E rincomincia il canto" e "Guardo' negli occhi la ragazza / Quegli occhi verdi come il mare / Poi all'improvviso usci' una lacrima / E lui credette di affogare".

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Triste

É assim que me sinto hoje. Imensamente triste. Todos os sonhos que tinha desde miúdo se esvaziaram e neste momento, quase a chegar aos 30, estou num vazio em que não sei bem o que fazer. Para trás ficaram sonhos que andaram bem perto de ser concretizados, outros nem por isso, mas neste momento olho para a frente e encaro a vida como um mar de dúvidas. É triste...
Ainda ontem fiquei com a sensação que não sou deste planeta. Como diz uma amiga pertenço ao planeta nomansland. Numa sociedade caracterizada por ritos e ideias nas quais não me revejo, qual o meu papel? Não o percebo. Talvez porque nunca o tenha entendido. Talvez porque seja uma pessoa incompleta ou um incompreendido. Tenho tanto para dar...
Os amigos foram-se ou andam afastados. A vida é mesmo assim. Cada um tem a sua vida e o ritmo a que vivemos não permite que, pelo menos os meus amigos, estejam presentes. Resta-me viver sozinho, quase em isolamento e tristeza. No fundo sou uma pessoa triste. Sou talvez o mais triste dos seres humanos. Todos os dias encaro e vejo transeuntes que fazem a sua vida complicada parecer simples. Pura e simplesmente não consigo.
Resta-me apenas dar o pouco de mim a quem o aceitar. Ultimamente tenho tentado oferecer o melhor de mim a uma pessoa. Também vive momentos como eu. Tento dar-lhe todo o carinho que tenho e erguer aquela pessoa maravilhosa das cinzas. Sei que vai conseguir porque é forte, muito forte. Merece tudo de bom nesta vida. Tentar ajudar e dar tudo o que ela me permite dar é o que posso fazer. Sinto-me bem por isso. Respeito-a como nunca respeitei ninguém. Talvez nunca olhe para mim como olho para ela. Ofereço tudo o que lhe posso oferecer sem pedir nada em troca. É mesmo assim. Mas estou aqui para ir ao fim do mundo por ela se preciso for. Seja como ou quando for. E um dia quando ela encontrar quem a respeite e mereça, volta tudo ao início. Tal como aconteceu vezes e vezes sem conta. Fica carinho por dar, respeito por oferecer.
Hoje estou como a música que passa em fundo. Sinto-me perdido no meio do mar sem saber se hei-de ficar no meio da rebentação ou se hei-de de me deitar com a morte, a minha noiva... Sinto-me a voltar ao mundo dos mortos onde já vivi. Nada faz sentido, nada tem sentido. Será que viver uma vida sem sentido é mesmo viver? Não sei.
Com o correr do tempo fui percebendo que se calhar não faz. Deixei de sentir raiva e tristeza para tentar perceber o porquê de algumas pessoas desistirem de viver. Hoje em dia tento mesmo responder se será de facto uma cobardia desistir de viver. Sempre defendi a tese da cobardia no suicídio tal como os clássicos. Agora que percebo melhor as coisas questiono seriamente se será uma cobardia ou um acto de dignidade final merecedor de respeito. Se for, sei que sou demasiado cobarde para cometer um acto digno.
Estou mesmo perdido no meio da multidão... A única companhia que me resta são mesmo os meus cigarros. Alguns fumados com vontade, outros simplesmente por fumar. A verdade é que sei que são os companheiros que nunca me vão abandonar. Até porque quando um maço acaba temos sempre uma tabacaria à beira para comprar mais. Estranho não é? De todos os vícios que tive, este foi o único que restou. Vá lá ainda sobra alguma coisa nesta alma penada que vagueia pelo mundo por entre o fumo do seu cigarro.
Sinto-me só. Muito só. Tão só que nem consigo perguntar porquê. Espetem-me um punhal no coração para ver se resta ponta de sangue. Sinto-me vazio... duvido que haja a réstia de algo dentro de mim. Ouço e volto a ouvir na minha mente uma música de Caetano (eu que nem sou grande fã de música brasileira). Não consigo responder a grande parte da letra. Em especial ao primeiro verso. "Existirmos: a que será que se destina?". Revejo-me em grande parte desta letra. O homem lindo... o menino infeliz. Enquanto tento responder fumo mais um cigarro e ouço a canção outra e outra vez. Eu sei que sou um homem lindo e ao mesmo tempo um menino infeliz em que a sina não se iluminou. Porque é que ninguém consegue ver isso? Agora alguém podia ver, já fiz a minha redenção...

http://www.youtube.com/watch?v=ZaxDlDbMppE

CAJUÍNA
Caetano Veloso

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

PS: Não queria deixar de agradecer um sms que recebi à pouco e que dizia "(...) tu tens muitas qualidades. vá anima-te lá.". Acho que foi a frase mais simpática que ouvi nos últimos tempos. Tal como outra de uma noite de Domingo ficou marcada cá dentro. Prometo que vou tentar... Enquanto isso ficas a saber: "Cause I will be there". Sempre! Grande beijo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Porquê?

Como sempre milhares de pensamentos invadem a minha mente. Porquê é uma palavra recorrente no meu ser. Porquê só o céu saberá, porque será que não regressa ao mar. Porquê? Pergunto como uma criança.
São porquês e mais porquês. Desde um porquê banal ao porquê impossível. Olho e quero-te. O teu sorriso sem os meus céus. Procuro-te e depois perco-te. Pergunto e adormeço. Pergunto e logo desperto. Tu saberás o porquê.
Busco respostas a perguntas que não cabem a mim responder. Porquê? Porque será que só me apaixonei por mulheres impossíveis. Porquê de tanto sofrimento em vão. Porquê de ter avançado. Porquê reiniciar a busca do amor. Porquê só o vento saberá. Porque as nuvens não podem ser paradas. Pergunto como uma criança. Com a minha voz, com as minhas palavras. Olho-te e quero-te. Tu sonhas sem dormir à noite.
Muitas perguntas ocupam este ser que se perde em questões vãs. Qual será a razão? Talvez os verdadeiros amores nunca terem sido correspondidos. Passaram por mim algumas mulheres que gostaram verdadeiramente de mim. Recordo-as com um sorriso de carinho. As que me levantaram e levantam questões e dúvidas, essas foram as que marcaram. Procuro-te e depois perco-me. Busco e depois quedo-me. Olho-te e quero-te...

Post passado pelo sensível lápis azul da censura...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pacotes de Açucar e Signos...

Hoje após almoçar, fui tomar café e no pacote de açúcar vinha a descrição do meu signo. Pese embora, não ligar muito a signos, achei piada a este até porque parte da minha personalidade está descrita no verso do pacote. Passo então a transcrever o verso do pacote de açúcar:

Leão - "Eu serei"
Com personalidade vibrante e líder nato, o leonino realça-se naturalmente pelo seu optimismo. De generosidade quase ingénua, muitas vezes é decepcionado por aqueles em quem confia. Elegante e com um charme admirável que conquista qualquer um. Tende a ser um pouco egocêntrico, mas sabe sempre responder ao amor correspondido. A este signo pertencem: Alfred Hitchcock, Jorge Amado, Andy Warhol, Madonna, Jung, Napoleão Bonaparte, Coco Chanel e Fidel Castro.

Ora bem... se me posso considerar em parte um líder, o optimismo por vezes esvai-se. A verdade é que quando gosto das pessoas sou tão generoso que posso considerar-me verdadeiramente ingénuo e tenho tendência a decepcionar-me com as pessoas. Elegante e com um charme admirável talvez... normalmente as pessoas ficam com boa impressão sobre mim e sobre a minha personalidade. Egocêntrico? Ás vezes... Estou certo que sou capaz de responder ao amor correspondido, pese embora os meus amores nunca tenham sido correspondidos... pode ser que um dia sejam. Voltamos à velha história de "Quem quer namorar o João Ratão?"!!! Sem dúvida que sou um respeitador e apreciador de três dos meus "familiares" de signo: Hitchcock, Jorge Amado e Andy Warhol. Sou um grande fã da obra de Andy Warhol. São masters pieces da era moderna. Curiosamente sou apreciador de três desaparecidos, dos outros nem tanto. Porque será?
Puxa... um post surgido de um pacote de açúcar é que dá que pensar...

Any Given Sunday

Pois é... este fim de semana não saí de casa. Ando lesionado e com umas dores bastante aborrecidas. Mas como bom apreciador de futebol americano ( sim aquele em que vinte e duas bestas correm atrás de uma bola oval e dão porradinha da velha uns aos outros) não pude deixar de ver o Superbowl. Até porque tinha uma das minhas equipas favoritas presente no jogo da decisão.
E pronto às 23 horas lá estava este vosso amigo deitadinho no sofá à espera do kick off para o jogo. Sem grandes expectativas, até porque o 18-0 (a série perfeita) não me davam grandes esperanças de ver ganhar os New York Giants, mas como estava enganado!!! Foi uns dos Superbowl mais emocionantes da história! Uma exibição verdadeiramente fenomenal dos monstruosos defesas dos Giants, acabou com a série perfeita dos Patriots e roubou-lhes o epíteto de "melhor equipa da história da NFL"! O resultado final de 17-14 demonstra a super actividade das defesas das duas equipas... mas foi tão fixe ver o Tom Brady ir ao chão por 5 vezes!!! Por duas razões, primeiro porque os Giants lhe retiraram a vozinha de que é o melhor quarterback da NFL, depois porque aquele sacana é o namorado da Gisele Bundchen!!!
O 7-3 para os Pats não demonstrava a verdade do jogo à entrada do último quarto. O touchdown que pôs os Giants em vantagem foi o verdadeiro salto para um final arrepiante. E se me convenci que o jogo estava quase ganho com estes 10-7, a verdade é que o touchdown conseguído que dava a volta ao resultado a apenas 2.42 do fim, me retirou as esperanças e só um milagre podia fazer mudar o estado das coisas.
Mas os milagres acontecem e a 59 segundos do fim aconteceu mesmo. 3rd & 5 nas 44 jardas defensivas. Manning agarrado por três gajos foge miraculosamente e mete um passe de 32 jardas que Tyree agarra no ar. E o milagre??? A bola foi agarrada com uma mão e com a preciosa ajuda do capacete. Jogada do jogo!!! E do Superbowl! Daí ao touchdown foi um passo e restou a defesa dos Giants fazer o que tinha vindo a fazer tão bem para ganhar a taça!!!
Giants World Champions!!! Parabéns pela soberba exibição defensiva e por acabarem com a equipa perfeita. É tão fixe ver como um único jogo perdido numa época, consegue fazer os recordes caírem por terra e aquela que era designada já por "melhor equipa da história" terminar a ser considerada uma equipa banal!!! Go Giants!!!