quinta-feira, 29 de maio de 2008

Chill Out

Recebi hoje um álbum que me fez viajar. É preciso estar no mood certo para ouvir este tipo de musica. Hoje é um bom dia para isso. Estou calmo, mas não significa que esteja feliz ou contente. Sinto-me simplesmente calmo.
Estes sons fazem-me viajar ao passado. No tempo em que tudo era ainda fácil. As tardes de Verão com um calor tórrido a convidarem a um banho de mar e um grupo ali a curtir um som e a dançar debaixo dos mais de 42 graus daquelas tardes. O sol escondia-se lentamente oferecendo-nos como dádiva ou pedido de desculpa os últimos raios de luz do dia. Trocavam-se sorrisos e algumas palavras entre algumas bebidas e corpos molhados. O pôr do sol tem aquele efeito mágico de relaxar e criar um ambiente de menor tensão nas pessoas. Falo em todo o tipo de tensão, mesmo a sexual. Ali não havia lugar a qualquer tipo de pretensão. Gordos, magros, altos, baixos, homens, mulheres, tanto fazia... topless ou burkha? Who cared? Apenas um bando de gente a dançar livre e sem qualquer outra preocupação a não ser a perfeita conjunção entre o sol, o mar e um universo que por aqueles momentos parecia perfeito.
Mas a mais dura das realidades estava para vir e apanhou-me hoje de frente. Nada mais é fácil, nada mais é simples. Sei bem disso. Por isso gostava de recuar até aqueles dias, aquelas gentes que não pensavam, só sentiam uma ligação perfeita... sem nunca se terem conhecido. Queria estar ali de novo e soltar o sorriso fácil que surgia na minha face. Esse sorriso tornou-se mais ofuscado, mais apagado até que hoje praticamente deixou de aparecer. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Muda-se tudo enfim.
Não ter quem goste de nós, quem se preocupe connosco, quem seja amigo nos bons e nos maus momentos é muito mau. Por outro lado ajuda a crescer psicologicamente. Ajuda a crescer e a dar forças para encarar a realidade de uma forma diferente, mas também ajuda a ficar cruel e triste. É mau sentir que nos preocupamos com pessoas de uma forma gentil e sincera e, no fundo, acabar por perceber que não fazem o mesmo por nós. Que não nutrem a mesma amizade, o mesmo sentimento. Já não espero nada de ninguém. O tempo ajudou-me a perceber que sou um peão secundário no meio do jogo. Sou descartavel para todos. Nem vale a pena tentar mudar as coisas. As pessoas quando não têm ninguém, aceitam-me e depois acabam por se afastar quando aparece alguém melhor. E é tão fácil disso acontecer! As coisas são como são e não vale a pena tentar mudar. Perdi muita gente que passou na minha vida e sinto que vou continuar a perder.
Talvez por isso me seja fácil cortar relações com pessoas. Fácil nunca é, mas quando sabemos que vamos perder, largamos a pessoa, pedimos que nunca mude, deixamos de falar e fazemos um luto mais ou menos prolongado mediante a importância da mesma. Depois seguimos em frente porque a vida é mesmo assim e mais cedo ou mais tarde aparece outra pessoa e recomeça o ciclo.
Tudo isto me faz vontade de regressar aquelas tardes mágicas onde conhecemos todos sem conhecer ninguém e onde o que realmente importa se mantém secreto. Porque a única coisa que importa é estar em plena conjugação com aquele pequeno universo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sem Vontade Nenhuma

Desde o passado domingo que ando sem vontade de fazer nada, pensar em nada e realizar coisa alguma. O simples acto de pensar em levantar o corpo da cama é doloroso. Curiosamente não encontro motivos para estar neste estado. Devia estar já a pensar no concerto dos Metallica e a lembrar o fabuloso concerto de 2004, mas ainda nem sequer comprei bilhete nem pensei no horário do comboio em que vou para Lisboa. Adio dia após dia um passeio até à Fnac e até São Bento. Não consigo perceber esta falta de vontade e, quando estou assim, nem me esforço muito para entender.
Talvez seja do tempo, talvez seja da falta de sono. Como ainda alguém dizia "não devias estar assim... afinal até tens uma guerrinha psicológica para animar o dia". Pois é, mas nem assim esta cabeça vai ao lugar. Nestas épocas de laissez faire, laissez aller, laissez passer (e vejam o mal que estou para utilizar expressões francesas aaaaaaarrrrrrrrgh) até falar com pessoas custa imenso. Fico com vontade de estar no meu canto sem incomodar nem ser incomodado. Tanto faz de olhos fechados ou abertos, sentado ou deitado, acordado ou a dormir. Não suporto ninguém...
Apenas abro uma excepção para uma pessoa que não digo quem é. Apenas ela me preocupa neste momento. Espero que esteja a sentir-se melhor.
De resto por estes dias até tenho tido noticias agradáveis. Devia estar contente, mas como muita gente diz, pensa e sabe i'm weird! I'm very very strange! Talvez daí esta falta de vontade. Espero amanhã estar melhor pelos mais variados motivos. O primeiro dos quais é que posso tornar-me num gajo morto (pois... porque a minha avó anda a pedir uma revista desde sábado e aqui o cabeça de nabo ainda nem sequer se lembrou de a levar... e é grave ela andar-me a passar um atestado de incompetência diário... até porque está nos limites de se chatear verdadeiramente comigo). O segundo motivo é mesmo ter de meter pés ao caminho e ir comprar a merda dos bilhetes sob pena de ficar a ver navios... ou quimboios. O terceiro é estar a perder a paciência para estes dias... começo a pensar que estou nos dias maus do mês como as mulheres. E assim o raio do atestado de sanidade mental nunca mais chega...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

No Tocar Peligro de Muerte

Foi este o título de um mail que recebi esta semana. Lá dentro apenas um link para um vídeo do youtube e uma palavra "Locos!". Quando abri o vídeo reconheci a data e o local. Nem foi preciso ver o que era para rir-me como um perdido! As imagens do vídeo mostram uma valente tempestade no dia 12 de Agosto de 2007, uma sexta-feira.
O dia estava escuro e a ameaçar chuva, mas mesmo assim decidi sair. O calor proporcionava uma ida à praia. Quando subitamente começam a cair umas pingas de chuva, as pessoas normais começam a fugir para os apartamentos e hotéis. Nós resolvemos ficar. Poucos minutos depois... trovoada! Estávamos dentro das águas quentes do Mediterrâneo. Uma troca de olhares e foi tomada a decisão de ficarmos por ali. Saímos por segundos da água para trazer as toalhas para junto do mar. Nesse momento a chuva era já bem forte e a trovoada muito próxima.
Adoro sentir chuva de Verão na cabeça, mas aquela era tão pesada que fomos forçados a meter a mona debaixo de água. Uma praia com quase 4 kms de extensão vazia, com excepção de alguns malucos aqui e ali. Umas cabeças dentro de água. Subitamente a chuva tornou-se torrencial e a trovoada acercou-se perigosamente de nós. A água estava tão quentinha que resolvemos ficar por ali. Quando um relâmpago caiu ali bem perto, achamos melhor sair. Nova aventura...
As toalhas, os chinelos, as próprias ruas completamente alagadas. Apesar de totalmente molhados, esperamos debaixo de um prédio que a chuva acalmasse. Uma ironia... Ainda não consegui perceber qual foi a nossa ideia, mas enfim... Atravessamos duas ruas com aquela bonita água castanha... cheia de lixo... a cobrir os tornozelos. As restantes pessoas sentadinhas nas esplanadas e nos bares olhavam para nós com aquele ar de... vá lá... como expressar por palavra aquelas caras... bem lá deviam comentar para eles "coitados... são tolinhos... olha para aquilo" por entre sorrisos e caras de parvos. Nós prosseguimos o caminho... os outros que se lixem. Nós é que curtimos à grande! Os outros não sabem curtir!
Agora com a distância proporcionada pelo tempo, apercebi-me do risco que corremos. A trovoada cruzada é perigosa... agora dentro do mar... ainda mais perigosa se torna! Não levamos com um raio na corneta por mero acaso, mas fica a memória de uma tarde inesquecível... ou melhor mais uma tarde inesquecível... e a certeza de que o meu atestado de sanidade mental continua muito, muito longe de ser passado!
Na resposta a esse mail pedi um atestado... ao que me dito que a minha sorte é a polícia não querer problemas com doentes mentais. Tá tudo dito!

Payback Time!

Sou um tipo de ser humano que detesta qualquer tipo de injustiças. Fico verdadeiramente revoltado. Ontem aconteceram duas. Nenhuma tem a ver directamente comigo, mas não posso deixar de sentir uma revolta enorme pelo que aconteceu a esses dois amigos.
Se num dos casos tive de contar uma traição (depois de muito pensar se havia de contar ou não) acabei por ser forçado... É lixado quando um gajo não consegue olhar nos olhos dos outros quando se esconde alguma coisa... Somos logo apanhados... No outro caso fiquei ainda mais revoltado.
Aconteceu com uma figura com a qual não privo muito. Sou amigo, grande amigo mesmo do filho. Privei muito com essa "pessoa" (não é bem o que me apraz dizer dele agora) durante alguns anos e afasta-mo-nos. Passou de amigo a conhecido. Agora passou de conhecido a inimigo. Mentir, usurpar e abusar (não sexualmente) do próprio filho é algo demasiado grave para mim! Principalmente quando o filho teve muitos azares na vida. Peço desculpa pela frase dura que vou dizer, mas é o que me vai na alma.... Chular alguém é muito grave, mas quando se chula o próprio filho... é preciso ser muito fraco, muito cobarde, muito filho da puta...
Quando falei com esse gajo, ainda antes de conseguir juntar o fio todo à meada, vi uma cara que muitas vezes apelido de "cara de puta". Essa cara consiste em pensar que conseguimos enganar alguém e parecer santo quando no interior está um diabo. Basicamente cara de cínico. E como a conheço? Porque também a utilizo algumas vezes... Nessa altura cheguei a casa e desabafei com o meu pai que aquele nunca mais me via os dentes. Quando ontem consegui juntar finalmente juntar todas as peças do puzzle, soube imediatamente que tinha de agir... Furioso pensei em partir logo a louça toda. Mas não! Acalmei, pensei e sei muito bem que a vingança se serve fria. Preferencialmente gelada. E acredita meu cabrão... vou-te sugar o sangue todo (tal como estás a sugar o teu filho) e só descanso quando conseguir... Quando menos esperares ataco. Estás fodido comigo! You won't even see it coming! It's payback time!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Quando Não Encontro Motivos Para Escrever

Quando não encontro motivos para escrever ou não escrevo ou então acontece um momento estranho. No caso de hoje foi em muitos aspectos retro. Peguei numa colecção que nunca me tinha dado ao trabalho de ouvir e comecei a voar até ao passado. A grande maioria das canções foram escritas quando ainda nem encomendado à cegonha estava, no entanto, como amante de muitos tipos de música conhecia-as quase todas. Algumas dizem-me muito, outras nem por isso.
Dei por mim a cantar "American Pie" na sua excelente versão original... a gritar a plenos pulmões "too high, too far, too soon, you saw the whole of the moon"... a recordar Iggy Pop e o seu "Passanger" que tanto me diz... outra que já não ouvia há séculos "Driving away from home"... músicas dos filmes de Bond. James Bond... "One way or another"... e tantas tantas outras que até vos cansavam caros leitores!
E assim, como estou (mais do que sem paciência) sem assunto para escrever, deixo um update da playlist. É um post musical! E assim num dia em que estou cansado e meio aborrecido, estas canções deram gás para sorrir e divertir-me bastante! E já agora, com a vossa licença, este blog volta já a seguir... quando conseguir parar de cantar e dançar!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Noites da Queima

Escrevo este post após uma noite no queimodromo. A noite nem foi nada de especial em termos de concertos. O ambiente podia estar melhor. Os copos em grande quantidade foram bons. Mas mais do que falar da noite em si e dos copos que bebemos, vou falar de quem me levou até lá.
Uma grande e velha (sim... estamos a ficar velhos como nós próprios concordamos) amizade. Estende-se já por 11 ou 12 anos. Perdi-me no tempo. Neste caso é muito agradável porque torna esta amizade intemporal. Não podia faltar nem sequer tinha lata para dizer não a um enorme amigo que acaba o seu curso. Quando me falou disse logo que ia. Se em alguns momentos mais duros (recordo-me de um certo domingo que andei com ele das 19 às 23 atrás de alguém... só tu para me fazeres isso Litos hehehe) não era agora que ia falhar. Não fui por obrigação, fui com todo o prazer e com um enorme orgulho de lhe dar umas bengaladas na cartola.
Vimos os meus conhecidos Trabalhadores do Comércio, fiquei rouco com o "Chamem a pulissia". Deixem-me abrir aqui apenas um parêntesis para um cartaz que estava à nossa frente. Escrito nele uma boa frase para ser o cartaz da queima "Chamem o INEM". Perfeito! Copos, copos, pão com chouriço, copos, copos. A conversa sobre tudo o que é normal e sobre todas as coisas de que sempre falamos. Falamos de mulheres, de futebol, do curso dele. Falamos da quantidade de álcool que estávamos a ingerir e que não batia. O nível de vodka que conseguimos beber sem ficarmos sequer tocados representa aqueles anos de treino que tivemos. E são muitos...
A nossa amizade vem do inicio dos tempos. Estamos poucas vezes juntos, mas sabemos que quando é preciso (e nem é preciso perguntar) sabemos que estamos lá um para o outro. Nem um ano ou mais que estivemos sem nos ver e quase sem falar matou esta amizade.
Já em casa recebi um sms que rezava assim: "Obrigado por teres vindo comigo, era mesmo a tua companhia que eu queria para festejar esta minha etapa. Obrigado pela tua amizade. Um grande abraço amigo.". Confesso que babei! Na verdade fico um bocado lixado quando me agradecem coisas que não são para agradecer. Se eu não quisesse ir não ia. Não é assim meu c@r@lho?
Sei que vais ler e sei que falta assinar o caraças das fitas. Ainda bem que a tua prima se esqueceu de as levar. Não gosto de ser apanhado desprevenido para coisas importantes. Não vale a pena dizer que te desejo tudo o que de melhor existe no mundo. Sabes disso! Em tudo que faças e em tudo o que vivas nesta vida. Para finalizar deixo o sms que enviei de resposta: "Isso nem se agradece! Fui com muito orgulho acompanhar-te neste fim de etapa! Eu é que agradeço a tua amizade. Já aguentou muitos anos e vai ser eterna. Só te desejo as maiores felicidades. Um grande abraço cheio de amizade!"
E é isto mesmo que te desejo. Tudo o que existe de melhor. Um grande abraço!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Jam Sessions

Muitas vezes liberto-me de preconceitos e digo tudo o que me vem à tola. Obviamente nem tudo é positivo, mas quando temos alguma crença naquilo que acreditamos, mandamos bugiar tudo e todos e somos nós mesmos. Muitas vezes penso e acredito que chegou uma altura da minha vida em que decididamente estou condenado a ficar só. Gosto de dar esperança a quem merece. No entanto, essa esperança em mim vai e vem conforme o tempo. Não acredito muito nessas cenas do "cada laranja tem a sua metade" ou "cada panela tem o seu testo". São tretas que dizem quando quem está sozinho se sente em baixo. Um acto de compaixão ou piedade.
Quando procuramos muito e não encontramos ninguém temos vontade de desistir. O caminho torna-se longo, pesado e os kms pesam nas pernas e na cabeça. Talvez por isso quando vivemos sem esperança, resignados a algo que nunca vai acontecer, percebemos que podemos encontrar em pequenas coisas, como uma jam no meio de uma música ao vivo, os tais momentos de alegria e carinho que não vivemos com outra pessoa ao lado. Estou num desses momentos. Sinto-me vazio. Curiosamente peguei num concerto que tive a felicidade de ver ao vivo e, ao recordar aqueles momentos, sinto-me mais completo. A intensidade e o calor que faz falta é dada por um conjunto de instrumentos a tocar. Não é parecido com nada, daí a sua beleza. A diferença é que vai enchendo o coração com uma beleza estranha, muito mais mental. Uma ligação de arte que nos faz sentir vivos e a qual podemos ouvir sem parar. É uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo inexplicavelmente agradável.
Muitas vezes sinto-me cansado de mim mesmo. Na vertiginosa vontade de voltar para aquilo que fui e que deixei para trás. De voltar a ser mau para tudo e todos. De voltar a perder o respeito pelas mulheres e pelo mundo. Afinal elas gostam de bad boys. Desculpem qualquer coisinha ao dizer isto, mas tive um caso perverso. Quando uma mulher deixa que o namorado (nem é marido nem anda perto, penso eu) lhe bata em pleno centro comercial, vai fazer queixinhas à mãe e mesmo assim não o deixa, das duas... dez... ou é estúpida ou só gosta de gajos com a mania que são maus. Tenho outras teorias de gajas a comprovar isso, mas esta parece ser o caso mais chocante. Dizem que sou boa pessoa, talvez esteja mais próximo do que imaginam de voltar atrás e tornar-me mau outra vez. Algumas mulheres parece que gostam.

PS: Senhoras a ler este post... podem malhar à vontade! Do you really think i fucking care?!?!

Imperfeições

Cruzei-me este fim de semana com os meus dois opostos. Após uma pergunta que fiz à vários dias a uma amiga e da qual fiquei sem resposta, recebi um sms que dizia o seguinte "És essencialmente bom." Era a resposta. Ora sabe quem me conhece que é a mais pura das mentiras! Se fosse alvo de um estudo de qualquer National Geographic... estava entre um dinossauro e um paquiderme. Um novo ramo seria criado no ramo animal só para mim! Tanto em beleza física como em beleza interior. Depois de ter sentido algum choque pela resposta que recebi (confesso que sou poucas vezes elogiado logo fico como o tolo no meio da ponte quando recebo um) não tardou a voltar a encontrar o meu outro eu.
Domingo à tarde acabei por sair. O dia estava bom. Encontro-me de frente com um dos meus ódios de estimação. Fraco pela doença, incrivelmente abatido com dificuldades que nunca tinha sentido. Confesso que não senti dó nem compaixão, nem um mínimo de piedade ou pena. O sentimento de este mundo ser muito pequeno para nós os dois continua bem vivo em mim. Não cabemos no mesmo planeta.
É nestes momentos que sei que não sou boa pessoa. A vida tem sido madrasta de tempos a tempos. Cruzaram-se comigo muitas pessoas más, talvez em demasia. Foi contra essas pessoas que me rebelei, foi com elas que tive de aprender a viver, foi a essas pessoas que tive de aprender a ganhar constantes batalhas e guerras psicológicas. Foi através delas que me tive de impor talvez pela forma menos agradável. Tenho a consciência que sou mais temido do que respeitado. As minhas acções e as minhas palavras são cruéis. Quem já perdeu tudo na vida pouco mais tem a temer e nada tem a perder. É precisamente nestes momentos que me sinto sujo. Nem perante um inimigo abatido consigo sentir piedade. Tornaram-me assim... impiedoso, sanguinário, frio, calculista, sem sentimentos.
Guardo aquilo que tenho de bom apenas para meia dúzia de pessoas. As que sinto que merecem conhecer o meu lado bom. Essas poucas pessoas dizem que sou "essencialmente bom". Para elas sim, porque conhecem o lado em que sou de dar a camisa e ir ao inferno para ir buscar os meus amigos. Sei bem quais são essas pessoas. Por vezes faço até coisas que não gosto por eles e elas, mas duvido que isso faça de mim uma boa pessoa. Sou uma espécie de dois em um. Mau e bom. Frio e apaixonado. Sanguinário e protector.
Sei que já não posso optar por ter apenas o lado bom. É tarde demais. Mas estes defeitos e imperfeições fazem-me ser quem sou. Apenas mais uma alma perdida a fazer o seu caminho...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Acordos e Desacordos

Uma amizade envolve sempre um conjunto de pessoas diversas e diferentes em toda a plenitude. Isso mesmo se passa com uma velha amiga que tenho em Brasília. A nossa amizade tem sido marcada por encontros e desencontros e por muitas muitas questiúnculas. Contam-se pelos dedos das mãos (e ainda sobram bastantes dedos) as nossas zangas. No entanto, raramente estamos de acordo com o que quer que seja. Parece de propósito. Se ela diz branco eu digo preto. Se ela diz que um papel é uma pedra eu digo que o papel é uma banana! Esta semana e no mesmo dia estivemos de acordo em duas questões! Este facto é tão natural como um elefante se apaixonar por uma formiga... mas é melhor não dizer nada... afinal já vi um porco a andar de bicicleta!
A menina Kátia vem de férias em Junho ou Julho para cá. Convidei-a como bom anfitrião a ir até a um festival de Verão e escolher a data. Como de costume o meu pensamento foi "estou lixado". Isto porque pensava que ia escolher o dia que menos curtia. Puro engano! Escolheu o melhor dia! Surpresa absoluta e lá tive de concordar com ela. O segundo ponto de acordo foi mais um dar a mão à palmatória da minha parte. Estávamos a falar de relacionamentos para aqui e para ali. E ela acertou em cheio. Má como sempre perguntou "e tu como é que esqueceste a C.?" e atirou logo como resposta "não foi a conhecer outras pessoas?". Pois foi... Lá entrei eu à bilheteira novamente e disse que sim.
Creio que foi mesmo o facto que me fez esquecê-la. Sem nunca juntar ou iniciar uma relação, tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas das quais consegui absorver o melhores instintos e tirei ilações que me fizeram voltar a ganhar confiança em mim e nas próprias pessoas. Afinal não é por uma andorinha que morre a Primavera e mulheres há muitas... mas infelizmente contam-se pelos dedos de uma mão as que realmente valem a pena. O mesmo se passa com os gajos! Sei bem do que falo e não tentei ter aqui nenhuma reacção machista. Calma meninas!!!
Bom... mas como estivemos de acordo por uma vez, resolvi escrever este post até como tentativa para aquela gaja ler o meu blog por uma vez que seja!!! Káká a gente vê-se em Julho!