Lição de Vida
Todos nós temos alguns encontros que nos marcam. Decididamente ontem tive um desses encontros. No fim não consegui ficar indiferente, aliás acabei por ficar de mal comigo mesmo. É quase um cliché dizer que as crianças com problemas graves de saúde são diferentes. Ontem tive a prova desse facto.
Uma menina linda de 12 anos com a consciência do seu estado grave e, no entanto, com um sorriso tão belo, tão vincado e tão maduro que me assustou. Dizer abertamente que "já me retalharam toda, por isso podem fazer aquilo que quiserem que já nem sinto", dizer que "quero ser médica" mesmo a saber que pode nem ter tempo para chegar a esse sonho, dizer que "não quero casar" são frases de uma maturidade impressionante, assustadora, avassaladora.
Como é que aquela menina com os seus gravíssimos problemas de saúde consegue ser feliz? Como é que tendo uma guilhotina a pender sobre o pescoço consegue ser a mais sorridente e mais feliz das quatro irmãs? Fiquei completamente esmagado por aquela simplicidade e serenidade.
Senti-me pequenino, minúsculo, fútil. Pensamos que os nossos problemas são sempre os piores e os de mais difícil resolução. Contudo medi os meus problemas e os desta criança e senti que os meus eram tão fúteis, tão mesquinhos que fiquei magoado comigo mesmo. Nunca pensei que fosse uma pessoa fútil, mas foi assim mesmo que me senti. Que intensidade ou que valor tem uma pessoa gostar de nós ou não? Que valor tem a falta de objectivos profissionais? Que tamanho têm aqueles problemas banais mediante o obscuro problema de saúde de uma menina/mulher?
Aquele sorriso, aquela felicidade, aquela intensidade, aquela vontade de viver marcaram-me o coração. Fiquei triste comigo mesmo, revoltado com a vida. Que mal fez aquela princesa para ter de andar metida em hospitais desde que nasceu? E ainda me perguntam porque não acredito em Deus e na igreja? Querem melhor resposta do que esta? Há muito que me pergunto que Deus permite que morram crianças à fome, que Deus permite que hajam guerras como no Darfur, que Deus é este que permite que os homens se transformem em animais e trafiquem crianças e mulheres? Que Deus é este afinal? Deixem-se de merdas e acreditem que se não formos nós a alterar todo este estado de coisas, não vai ser Deus a fazê-lo.
Por isso é que muitas vezes penso para mim... que se foda Deus! Tal e qual!
Esclarecimento: Tenho bem claro na minha mente que este é um post que pode ferir mentalidades. Acreditem que este grito de revolta não foi propositado devido à época que estamos a viver. Aconteceu ontem. Fiquei triste, demasiado triste com aquela história e ainda continuo com o mesmo sabor a fel na minha boca. Foi um encontro breve e casual, mas que deixou fortes marcas no interior do meu ser. Por este facto peço desculpa se feri alguém. Peço apenas que se puderem ajudar estas crianças e estas instituições (tal como o IPO) de alguma forma o façam. Não podemos ficar conformados. E aproveito para deixar os meus mais sinceros desejos de uma Boa Páscoa a todos os leitores do "Olha a Menina a Dançar".
Uma menina linda de 12 anos com a consciência do seu estado grave e, no entanto, com um sorriso tão belo, tão vincado e tão maduro que me assustou. Dizer abertamente que "já me retalharam toda, por isso podem fazer aquilo que quiserem que já nem sinto", dizer que "quero ser médica" mesmo a saber que pode nem ter tempo para chegar a esse sonho, dizer que "não quero casar" são frases de uma maturidade impressionante, assustadora, avassaladora.
Como é que aquela menina com os seus gravíssimos problemas de saúde consegue ser feliz? Como é que tendo uma guilhotina a pender sobre o pescoço consegue ser a mais sorridente e mais feliz das quatro irmãs? Fiquei completamente esmagado por aquela simplicidade e serenidade.
Senti-me pequenino, minúsculo, fútil. Pensamos que os nossos problemas são sempre os piores e os de mais difícil resolução. Contudo medi os meus problemas e os desta criança e senti que os meus eram tão fúteis, tão mesquinhos que fiquei magoado comigo mesmo. Nunca pensei que fosse uma pessoa fútil, mas foi assim mesmo que me senti. Que intensidade ou que valor tem uma pessoa gostar de nós ou não? Que valor tem a falta de objectivos profissionais? Que tamanho têm aqueles problemas banais mediante o obscuro problema de saúde de uma menina/mulher?
Aquele sorriso, aquela felicidade, aquela intensidade, aquela vontade de viver marcaram-me o coração. Fiquei triste comigo mesmo, revoltado com a vida. Que mal fez aquela princesa para ter de andar metida em hospitais desde que nasceu? E ainda me perguntam porque não acredito em Deus e na igreja? Querem melhor resposta do que esta? Há muito que me pergunto que Deus permite que morram crianças à fome, que Deus permite que hajam guerras como no Darfur, que Deus é este que permite que os homens se transformem em animais e trafiquem crianças e mulheres? Que Deus é este afinal? Deixem-se de merdas e acreditem que se não formos nós a alterar todo este estado de coisas, não vai ser Deus a fazê-lo.
Por isso é que muitas vezes penso para mim... que se foda Deus! Tal e qual!
Esclarecimento: Tenho bem claro na minha mente que este é um post que pode ferir mentalidades. Acreditem que este grito de revolta não foi propositado devido à época que estamos a viver. Aconteceu ontem. Fiquei triste, demasiado triste com aquela história e ainda continuo com o mesmo sabor a fel na minha boca. Foi um encontro breve e casual, mas que deixou fortes marcas no interior do meu ser. Por este facto peço desculpa se feri alguém. Peço apenas que se puderem ajudar estas crianças e estas instituições (tal como o IPO) de alguma forma o façam. Não podemos ficar conformados. E aproveito para deixar os meus mais sinceros desejos de uma Boa Páscoa a todos os leitores do "Olha a Menina a Dançar".

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