Noites Sem Sono
A madrugada de Sábado para Domingo trouxe-me mais uma noite sem sono. E como todas as noites de insónias, costumo pensar até cair para o lado. Curiosamente, desta vez não pensei na vidinha nem em cenas que me pudessem estragar o humor. Fui parar a um passado distante, onde o bem não se misturava com o mal e tudo era simples. Apenas vivido a uma velocidade extrema. "Sentir sem pensar" era um dos lemas.
A pessoa que mais marcou nesse lema foi a Carmen. Provavelmente a única pessoa que me conseguiu ler como um livro aberto. Nessa noite apercebi-me que recordo todos os momentos significativos que vivemos. A primeira vez que a vi, estava longe de pensar que nos íamos aproximar. Lá estava ela no meio da rua a conversar com uma amiga sem medo nem receio dos carros que pudessem passar. Era noite, vestia um vestido branco de alças e, como habitual, as suas botas estilo tropa. Nunca consegui compreender porque é que com 40 graus ela usava aquelas botas... A sua tez morena, os seus olhos e cabelos castanhos tiveram sobre mim um efeito quase mágico. Foi das poucas vezes na vida que fui impelido a voltar-me para trás para a observar. É raro fazer isto!
Dias mais tarde fomos apresentados por uma amiga comum. A primeira pergunta que me fez foi "porque é que paraste para me observar na rua?". Sorri embaraçado. Detesto ser apanhado desprevenido... Tentei dissimular a situação e disse que estava a olhar para outro lado, que nem a tinha visto. A Carmen riu-se como se me conhecesse muito bem. Menti tão mal...
Os dias e noites correram entre conversas básicas e outras mais profundas. Numa tarde de praia, em pleno mar, esse meu grande amigo, sacou um beijo vindo não sei muito bem de onde. Nada o fazia prever. A partir desse momento vivemos intensamente cada momento. Em especial aquele em que levei sem pedir, as chaves de um carro potente a essa nossa amiga comum e fomos passear a alta velocidade.
Deixei-me arrastar por ela em momentos mágicos e algo loucos. Revivendo-os agora na minha cabeça apercebo-me que nunca fui julgado nem crucificado por aquela alma. Sempre me aceitou com os meus defeitos e virtudes. Com 18 anos já não somos crianças, mas naquela altura vivemos como tal.
Quando volto aquela que considero a minha segunda casa, cruzo-me invariavelmente com os seus pais. Sou muito bem recebido e acarinhado. Estive alguns anos sem ver aquela mulher, mas é curioso, com o correr dos anos ainda mantém o mesmo sorriso de criança. Mudou o olhar... agora ainda mais arrasador do que no passado. Quando nos reencontramos, senti-me outra vez transparente perante ela. É capaz de saber o que sinto e o que vivi só ao olhar para mim. "Com os anos passaste a ser um Lobo Hombre que se esconde cada vez que o dia se aproxima. Tentas ser invisível durante o dia, porque só as sombras da noite te fazem sentir em casa.". A noite, nossa fiel companheira, sempre nos uniu e sempre nos separou. É curioso, mas vivemos nas sombras para evitar ser observados.
A Carmen, deixou para trás um curso de História para se dedicar às Artes, nunca devia ter escolhido outro caminho. Deixou para trás as botas de tropa para usar sapatos de tacão alto, mas nunca deixou de ser quem é. Uma alma perdida na luz do dia. Uma sombra radiante de luz durante a noite.
Quando a vida nos cruza, algumas noites de Agosto por ano, sentimos algo mais do que apenas a amizade que restou. Uma profunda união de almas que por se terem um dia perdido, sabem que vivem no limbo até encontrarem o pouso final. Ainda esperamos por essa alma que nos faça cair e pousar enfim.
A pessoa que mais marcou nesse lema foi a Carmen. Provavelmente a única pessoa que me conseguiu ler como um livro aberto. Nessa noite apercebi-me que recordo todos os momentos significativos que vivemos. A primeira vez que a vi, estava longe de pensar que nos íamos aproximar. Lá estava ela no meio da rua a conversar com uma amiga sem medo nem receio dos carros que pudessem passar. Era noite, vestia um vestido branco de alças e, como habitual, as suas botas estilo tropa. Nunca consegui compreender porque é que com 40 graus ela usava aquelas botas... A sua tez morena, os seus olhos e cabelos castanhos tiveram sobre mim um efeito quase mágico. Foi das poucas vezes na vida que fui impelido a voltar-me para trás para a observar. É raro fazer isto!
Dias mais tarde fomos apresentados por uma amiga comum. A primeira pergunta que me fez foi "porque é que paraste para me observar na rua?". Sorri embaraçado. Detesto ser apanhado desprevenido... Tentei dissimular a situação e disse que estava a olhar para outro lado, que nem a tinha visto. A Carmen riu-se como se me conhecesse muito bem. Menti tão mal...
Os dias e noites correram entre conversas básicas e outras mais profundas. Numa tarde de praia, em pleno mar, esse meu grande amigo, sacou um beijo vindo não sei muito bem de onde. Nada o fazia prever. A partir desse momento vivemos intensamente cada momento. Em especial aquele em que levei sem pedir, as chaves de um carro potente a essa nossa amiga comum e fomos passear a alta velocidade.
Deixei-me arrastar por ela em momentos mágicos e algo loucos. Revivendo-os agora na minha cabeça apercebo-me que nunca fui julgado nem crucificado por aquela alma. Sempre me aceitou com os meus defeitos e virtudes. Com 18 anos já não somos crianças, mas naquela altura vivemos como tal.
Quando volto aquela que considero a minha segunda casa, cruzo-me invariavelmente com os seus pais. Sou muito bem recebido e acarinhado. Estive alguns anos sem ver aquela mulher, mas é curioso, com o correr dos anos ainda mantém o mesmo sorriso de criança. Mudou o olhar... agora ainda mais arrasador do que no passado. Quando nos reencontramos, senti-me outra vez transparente perante ela. É capaz de saber o que sinto e o que vivi só ao olhar para mim. "Com os anos passaste a ser um Lobo Hombre que se esconde cada vez que o dia se aproxima. Tentas ser invisível durante o dia, porque só as sombras da noite te fazem sentir em casa.". A noite, nossa fiel companheira, sempre nos uniu e sempre nos separou. É curioso, mas vivemos nas sombras para evitar ser observados.
A Carmen, deixou para trás um curso de História para se dedicar às Artes, nunca devia ter escolhido outro caminho. Deixou para trás as botas de tropa para usar sapatos de tacão alto, mas nunca deixou de ser quem é. Uma alma perdida na luz do dia. Uma sombra radiante de luz durante a noite.
Quando a vida nos cruza, algumas noites de Agosto por ano, sentimos algo mais do que apenas a amizade que restou. Uma profunda união de almas que por se terem um dia perdido, sabem que vivem no limbo até encontrarem o pouso final. Ainda esperamos por essa alma que nos faça cair e pousar enfim.

1 Comentários:
Queres uma verdade minha? A vida nunca é linear...a vida nunca é uma só...são momentos...e como um dia descobri sao os momentos que nos fazem encontrar o sentido da vida. Tu nesse momentos e ao escrever este post encontraste o teu...um dos sentidos da vida.
Beijinhos
Rafaela
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial