Por vezes a vida é assim. Alguns, pelos quais nutrimos grande simpatia e amizade... decepcionam-nos. Outros, pelos quais não conseguimos criar grande empatia inicial... surpreendem-nos como verdadeiras caixinhas. Os momentos são mesmo assim. A vida é mesmo assim. Se por um lado os fogos de artificio rebentam como verdadeiras caixas mágicas em poderosas baterias de fogo que nos acariciam a mente e a alma, por outro lado a desilusão das grandes simpatias e amizades conseguem ser cada vez maiores. E nesses momentos, senti-mo-nos tristes, vazios, como se fossemos indignos de partilhar momentos com essas pessoas. E a magia perde-se, a amizade esvai-se, começa a surgir a irritação, os porquês, as duvidas verdadeiramente existenciais que matam qualquer relação... amorosa ou de amizade...
Alguém me disse "porque hás-de matar uma relação que está destinada a morrer?". Hoje pergunto, porque não? Se está destinada a morrer, então não valerá mais matá-la de uma vez? Pergunto-me porque serei tão indigno... que mal terei feito eu? Talvez aturar demais de pessoas que não passam apenas de meras e vulgares egoístas, se calhar com vontade apenas de pensar nelas próprias ou utilizar os outros como instrumentos a gozo ou necessidade. E porque raio é que ainda me chateio ou preocupo com isso? Porque NUNCA fui indigno daquilo que certas pessoas me fazem. Porque sempre estive lá, porque me preocupei, porque ouvi quando precisavam desabafar. Se calhar é esse o motivo de ser indigno, porque se cagasse na cena, então se calhar merecia palavras, merecia preocupação, merecia pensamentos... Se calhar tinha outra importância que, pelos vistos outros têm... E porque é que ainda fico triste e chateado com estas cenas e estas coisas? Não sei... Não devia esperar outra coisa...
Como me disseram um dia "The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday." E hoje ainda é Sábado...
E sim... devia exigir mais. E sim gostava de poder exigir pelo menos uma amizade presencial...
PS: Adoro o coro feminino no final do Blower's Daughter... É simplesmente mágico e acaricia a alma... Doce e suave como a vida devia ser...
Did I say that I loathe you / Did I say that I want to/ Leave it all behind?