segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Até Sempre...

O fim de 2008 não me trouxe noticias nada agradáveis. Bem pelo contrário. Perdi uma das minhas duas "irmãs" de forma trágica e com ela foi a sua filha. Sabem os que estão por perto da tristeza, da raiva e de algum desespero pelo que tenho vindo a passar. Horas antes tinha falado com ela e negado a ida ao réveillon com a minha mana e os amigos. Mal sabia que era a última vez que falávamos e que o seu alegre "até amanhã" seria, de facto, um até sempre.
Vi e senti cenas que ainda custam recordar e custam lembrar. Fica a certeza de um até sempre maninha e que onde quer que os dois anjos estejam, estarão sempre a olhar pelos dois loucos que deixaram neste mundo terreno. Os dois loucos ainda andam a ver como vão ser as coisas por cá sem elas, mas o tempo cura todas as feridas e esta também vai sarar, sem nunca as esquecermos. Viverão sempre connosco até ao fim dos nossos dias.
A passagem de ano foi em casa, sem ambiente nem vontade nenhuma. Estava lixado de todo. O brinde à meia noite não foi pelo ano que entrava, mas sim por quem tão jovem e de forma tão cruel tinha partido. Com muito custo, e a pedido de alguém para quem a perda foi muito maior evitei as lágrimas, mas não evitei que uma marota escorresse cara abaixo.
Resta um agradecimento muito especial, a uma pessoa muito especial. Naquele momento em que sabia que estava mais em baixo do que é normal, foi mantendo-se sempre atenta, a dar-me força. Talvez fosse das noites em que não devia estar preocupada. Nunca a chatearia porque se naquela noite em que estava com família e amigos, os seus amigos de sempre nem sequer se lembrasse. Mas manteve-se... e esse gesto será algo que nunca irei esquecer. Estás cá dentro e sabes bem disso... Obrigado do fundo do coração.
Resta agora levantar cabeça e seguir em frente. Ontem à tarde de quem não esperava saiu uma frase dirigida ao meu pai que me pôs a pensar: "Ó Zé... então fui dado como morto... estive quatro anos em cadeira de rodas, dois anos com canadianas e ainda me perguntas como é que ando? Eu estou porreiro!". E a vida é assim mesmo... aprende-se nos locais e nos momentos em que menos esperamos. Somos inspirados por essas pessoas e temos de ir buscar aquelas que já não estão connosco a fonte de inspiração que sempre foram para nós.

Até sempre minha querida irmã...

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Vou comentar este texto parafraseando-te se me permites "E a vida é assim mesmo... aprende-se nos locais e nos momentos em que menos esperamos. Somos inspirados por essas pessoas e temos de ir buscar aquelas que já não estão connosco a fonte de inspiração que sempre foram para nós." E mais nada....

Ah...quem dá muito recebe quase sempre quando o que dá é de forma gratuita.

Beijinhos
Rafaela

6 de janeiro de 2009 às 18:35  

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