How Bizarre
Ficaram alguns posts para colocar aqui, mas ando a matutar numa cena que me aconteceu há uns dias. Uma cena que por não ser normal acontecer me deixou a pensar.
Fui sair numa destas noites quentes de Verão. Conversa agradável. Partilhava a mesma mesa uma mulher que apenas tinha visto fugazmente há uns anos. Dois ou três talvez. Foi algo tão rápido que apenas nos cumprimentamos e trocamos meia dúzia de palavras.
Moramos incrivelmente perto, mas nunca nos cruzamos. Como ela disse ao fim da noite "este mundo é tão incrivelmente pequeno que por vezes se torna incompreensivelmente grande". Foi assim a nossa despedida. Fiquei a observá-la entrar em casa e quando a porta se fechou, não pude deixar de matutar no que tinha acontecido durante aquelas curtas horas.
Foi tudo tão rápido que fiquei a duvidar se foram sinais que tinha interpretado mal, ou então, se não foi mesmo tudo fruto da minha imaginação. Sei que não foi tudo fruto da minha imaginação. Talvez por mim tenha passado um diabo vestido na pele de um anjo, talvez tenha sido o diabo em mim que tenha passado ao diabo nela. Um diabo incompreensivelmente arrasador, mas ainda mais pelas parecenças do passado.
Ao início... simpática, mas distante... Minutos volvidos... simpática, mais próxima, provocante qb... sem nunca ser vulgar... os toques... os gestos... a suavidade nos movimentos... as palavras colocadas na hora exacta no sítio certo. Cada cigarro fumado caminhava da sua boca como se tratasse de um anjo fumegante. Confesso que me perdi naqueles gestos. Olhares fugazes... Toques rápidos... Duas provocações mais claras. Revivi momentos de um outro Mefistófeles. Foi uma noite fantástica. Revi uma amiga e encontrei uma vizinha... adorável.
O seu olhar pleno de calma e avidez de conhecimento. O seu riso confiante. A sua cultura clara. Sabe quilo que quer, como e quando quer. Provoca no momento certo. Da forma mais clara, mas menos vulgar possível. Semeia a dúvida na cabeça de quem quer. A sua pele suave tocou variadas vezes na minha. Falou bem de perto. Fez-me sentir o seu cheiro. Os seus cabelos tocaram na minha face. Até no momento em que disse que os meus olhos eram bonitos acertou. Apanhou-me totalmente com a guarda em baixo e o toque gentil no canto do olho, despertou-me os sentidos. Pouco depois apanhei-a em flagrante. Olhava-me e nem sequer tentou desviar o olhar. Quando menos esperava toquei-lhe no queixo. Brinquei com o buraco no queixo tal qual eu tenho. Sorriu com um olhar dócil.
Os toques eram repetidos no braço. Durante muito tempo continuou assim. Durante muito tempo andou a brincar comigo naquele seu jeito de anjo diabólico. O seu pé passou por baixo da mesa e descansou na cadeira em frente. Não pude deixar de dar alguns olhares. Passou-me pela cabeça como é que ele tinha ido ali parar. Pela segunda vez em toda a minha vida tive o seguinte pensamento: "incrível até o pé é lindo!". Enquanto bebíamos e conversávamos, roubava-me o isqueiro para fumar mais um cigarro. Quando abandonamos o bar, disse-lhe para procurar o isqueiro. Ela sorriu e largou um "se não encontrar não há crise... facilmente me devolves", mas acabou por o encontrar no bolso de trás das calças. Fez-me questão de mostrar. Não consegui deixar de olhar para onde tinha a mão. Não faças isso outra vez! Já o tinha feito quando se inclinou para procurar o isqueiro antes de seguirmos para o bar. Duas vezes um coração não aguenta!!!
Todo o caminho de volta seguiu encostada aos bancos da frente. Conseguía sentir a sua respiração no meu pescoço. Estava cada vez mais louco por aquele jogo. Milhares de pensamentos corriam a minha mente a uma velocidade extraordinária. Convidou-me a entrar em casa. A nossa amiga em comum ficou de lhe dar os meus contactos. No dia seguinte... já os tinha... e não consigo tirar uma frase da memória... "Sade es-tu diabolique or divin?" Não sei... Ainda hei-de descobrir!
Fui sair numa destas noites quentes de Verão. Conversa agradável. Partilhava a mesma mesa uma mulher que apenas tinha visto fugazmente há uns anos. Dois ou três talvez. Foi algo tão rápido que apenas nos cumprimentamos e trocamos meia dúzia de palavras.
Moramos incrivelmente perto, mas nunca nos cruzamos. Como ela disse ao fim da noite "este mundo é tão incrivelmente pequeno que por vezes se torna incompreensivelmente grande". Foi assim a nossa despedida. Fiquei a observá-la entrar em casa e quando a porta se fechou, não pude deixar de matutar no que tinha acontecido durante aquelas curtas horas.
Foi tudo tão rápido que fiquei a duvidar se foram sinais que tinha interpretado mal, ou então, se não foi mesmo tudo fruto da minha imaginação. Sei que não foi tudo fruto da minha imaginação. Talvez por mim tenha passado um diabo vestido na pele de um anjo, talvez tenha sido o diabo em mim que tenha passado ao diabo nela. Um diabo incompreensivelmente arrasador, mas ainda mais pelas parecenças do passado.
Ao início... simpática, mas distante... Minutos volvidos... simpática, mais próxima, provocante qb... sem nunca ser vulgar... os toques... os gestos... a suavidade nos movimentos... as palavras colocadas na hora exacta no sítio certo. Cada cigarro fumado caminhava da sua boca como se tratasse de um anjo fumegante. Confesso que me perdi naqueles gestos. Olhares fugazes... Toques rápidos... Duas provocações mais claras. Revivi momentos de um outro Mefistófeles. Foi uma noite fantástica. Revi uma amiga e encontrei uma vizinha... adorável.
O seu olhar pleno de calma e avidez de conhecimento. O seu riso confiante. A sua cultura clara. Sabe quilo que quer, como e quando quer. Provoca no momento certo. Da forma mais clara, mas menos vulgar possível. Semeia a dúvida na cabeça de quem quer. A sua pele suave tocou variadas vezes na minha. Falou bem de perto. Fez-me sentir o seu cheiro. Os seus cabelos tocaram na minha face. Até no momento em que disse que os meus olhos eram bonitos acertou. Apanhou-me totalmente com a guarda em baixo e o toque gentil no canto do olho, despertou-me os sentidos. Pouco depois apanhei-a em flagrante. Olhava-me e nem sequer tentou desviar o olhar. Quando menos esperava toquei-lhe no queixo. Brinquei com o buraco no queixo tal qual eu tenho. Sorriu com um olhar dócil.
Os toques eram repetidos no braço. Durante muito tempo continuou assim. Durante muito tempo andou a brincar comigo naquele seu jeito de anjo diabólico. O seu pé passou por baixo da mesa e descansou na cadeira em frente. Não pude deixar de dar alguns olhares. Passou-me pela cabeça como é que ele tinha ido ali parar. Pela segunda vez em toda a minha vida tive o seguinte pensamento: "incrível até o pé é lindo!". Enquanto bebíamos e conversávamos, roubava-me o isqueiro para fumar mais um cigarro. Quando abandonamos o bar, disse-lhe para procurar o isqueiro. Ela sorriu e largou um "se não encontrar não há crise... facilmente me devolves", mas acabou por o encontrar no bolso de trás das calças. Fez-me questão de mostrar. Não consegui deixar de olhar para onde tinha a mão. Não faças isso outra vez! Já o tinha feito quando se inclinou para procurar o isqueiro antes de seguirmos para o bar. Duas vezes um coração não aguenta!!!
Todo o caminho de volta seguiu encostada aos bancos da frente. Conseguía sentir a sua respiração no meu pescoço. Estava cada vez mais louco por aquele jogo. Milhares de pensamentos corriam a minha mente a uma velocidade extraordinária. Convidou-me a entrar em casa. A nossa amiga em comum ficou de lhe dar os meus contactos. No dia seguinte... já os tinha... e não consigo tirar uma frase da memória... "Sade es-tu diabolique or divin?" Não sei... Ainda hei-de descobrir!

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