quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cose Della Vita I

Tive um fim de semana no mínimo estranho. Sexta ao tomar café à noite no sítio do costume. Converseta agradável e tal, quando vejo um fantasma. Fantasma do passado. Confesso que por curtos minutos fiquei sem saber o que fazer. Falo não falo? Será o namorado dela ou não? Quem tomou a iniciativa acabou por ser a C. Pelo canto do olho consegui vê-la a olhar vezes sem conta para a minha mesa. O telemóvel acabou por tocar e vi o seu nome. As dúvidas voaram e percebi que o gajo que a acompanhava a ela e a uma colega de trabalho não era o namorado. Senão não tinha tomado aquela atitude. Tentei parecer o mais inocente possível e procurei no meio das pessoas. Como se não soubesse que ela estava mesmo ali à frente...
Lá me levantei e trocamos umas palavras de ocasião. Como estás? O que fazes? Como vai o trabalho? Aquelas cenas do costume. Por ser tão inesperado acho que foi uma situação desconfortável para os dois. Já não nos víamos vai para mais de muito tempo e já não falávamos vai para lá desse tempo. Na minha cabeça não restavam dúvidas que aquilo que um dia tivemos, estava acabado e não havia mais nada para sentir entre os dois. Creio que aquela foi a prova dos nove que tirei. Olhei para ela e não senti nada. É incrível como aquele amor se diluiu no tempo. É incrível como o tempo cura tudo, mesmo deixando recordações de momentos especiais que nunca esqueceremos.
Não sou hipócrita e, por isso, não digo que não a gostei de ver. Gostei de ver que está bonita na sua beleza singela. Gostei de ver o seu sorriso. Não pude contudo deixar de me perguntar se aquele sorriso, como tantas vezes aconteceu, não escondia uma tristeza profunda. Fomos os dois politicamente correctos e não fizemos perguntas difíceis. Sempre as evitamos desde que nos separamos. Não pude deixar de reparar nas inúmeras vezes que olhou para a nossa mesa. Olhava porque eu estava numa posição em que ela pensava que não a via. Estrategicamente coloquei-me em posição de a observar com a visão periférica. A mente humana é lixada. Anda sempre com estratagemas para fazer joguinhos psicológicos. Honestamente espero que não pense que um dia possa voltar atrás e possa voltar a ter-me. O seu tempo passou. Tal como ela me disse era a altura de encarar a vida. Doeu, mas passou. Claramente o nosso amor acabou e ela fez a escolha que achou correcta.
A mim restou-me encarar o facto e curar-me. Agora que estou pronto para outra, não posso deixar de sentir um carinho especial pela C. Não guardo rancores nem tristezas. Sei que merece melhor do que tem, mas foi o caminho que decidiu tomar. Ficamos "amigos" numa amizade estranha. Só sei que quero o melhor para ela. O melhor, que sem sombra de dúvida, não sou eu. Tenho pena que tenha tomado aquela decisão. Tenho pena que não seja feliz e que se enterre num monte de trabalho e de alucinações estudiosas para não pensar. Se calhar até está certa ao fazer isso. Pensar é doloroso, mas se não pensarmos no que queremos, como queremos e quando queremos, o tempo não joga a nosso favor. E sinceramente espero que ela não deixe passar o tempo. Sei que vai jogar o que tem até ao fim. Lutar até ao fim como me disse um dia. Desconfio que quando esse dia chegar vai ser tarde demais e vai estar sozinha. São opções... certas ou erradas... isso só depois de jogarmos as cartadas todas é que o sabemos.

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