sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cartas de Um Amor Acabado II

Querida C.:

No preciso momento em que te escrevo estou a ter uma experiência nunca antes tida. Uns amigos espanhóis enviaram-me um álbum chamado "Ibiza Sunset - The Real Flamenco Chill Out Experience". Deves estar a perguntar "e o que é que eu tenho a ver com isso?". Como sabes a minha cabeça divaga rapidamente de uns locais para outros e foi aqui que comecei a meditar neste som e nas mudanças da minha vida desde que te conheci.
Talvez seja da idade, mas creio que foi muito devido a ti que deixei de ser fundamentalista em muitas situações. Este é um dos exemplos. Sempre odiei (e não é por estar a ouvir que mudo de opinião) flamenco. Era incapaz de o ouvir. Mandava vir com os meus amigos porque era incapaz de entender aquela música, cantada como se fossem guinchos próprios de uma qualquer dor de dentes. E, no entanto, cá estou eu a ouvir um som chill out misturado com guitarras e vozes flamencas... e a gostar... e a começar a entender o som terrivelmente sedutor que é gemido pelas guitarras.
Serve este exemplo para te dizer que mudei muito enquanto pessoa. Hoje sou capaz de perceber o porquê de teres preferido o Pedro. Hoje sou bem mais capaz de perceber o que significa a palavra amor e aquilo a que estás disposta por ele. Independentemente da minha opinião, não te julgo, sou até capaz de admirar a tua força e a vontade com que defendes esse amor.
Sabes que as conversas de café podem ser surpreendentes e, um destes dias, foi isso que aconteceu. Um amigo meu saiu-se com estar frase "muitas vezes as pessoas confundem amor com habituação". Fiquei a pensar naquilo. Não penses que estava sequer a falar de ti porque não o estávamos a fazer, mas peço-te que nunca te deixes confundir dessa forma. Luta sempre pela tua felicidade! Sabes bem que mereces ser feliz e realizada.
Creio que sabes que, durante o meu desemprego, optei por fazer uma espécie de busca interior para me entender melhor e, ao mesmo tempo, conseguir entender melhor os porquês das atitudes dos outros. E sem estar 100% certo que tenha conseguido alcançar tal objectivo, estou ciente que consegui melhorar muito e alcançar algo como uma paz interior que me ajuda a reflectir e a não julgar ser superior aos outros.
Talvez sejam tempos que não voltam ("nunca digas nunca" passou a ser um dos meus lemas), mas por vezes sinto muitas saudades das longas conversas que tínhamos. Nunca falei tanto tempo com uma pessoa como falei contigo. Parecia que não existia mais mundo para além de nós.
Senti exactamente o mesmo naquela noite, naquela sala de cinema. Com a tua mão na minha, ali tão perto que nunca mais me apeteceu largar-te. Não queria perder aquele momento mágico. Sentir o teu corpo ali perto do meu. E proteger-te, só eu sei a vontade que tive de te proteger das agruras da vida. Desculpa este parágrafo, mas divaguei para aquela noite. Ás vezes apetece-me voltar atrás e revivê-la consecutivamente.
Estes últimos tempos foram-nos afastando. Tão perto e, no entanto, tão longe. A vida é mesmo assim. Quero que saibas que aconteça o que acontecer a qualquer um de nós, podes sempre contar comigo, nos bons e especialmente nos maus momentos. Tenho a certeza que sabes que continuo a gostar muito de ti, que continuo a admirar-te enquanto mulher e tenho a certeza que sabes que tens um lugar guardado dentro do meu coração. E é um lugar bem especial.
Foi muito bom ter-te revisto no Lais. Estavas mais bonita, mais radiante. Gostei muito de te ver.
Tenho de abrir aqui um parêntesis para te pedir desculpa. Sem ter tido qualquer intenção, toquei num local onde tens cocegas. Só quando te afastaste ligeiramente é que percebi que podia ter causado algum constrangimento. Peço desculpa se o fiz, mas foi por mero esquecimento acredita. Mais tarde pude ver-te sorridente e animada em conversa com os teus colegas de trabalho. Foi até mais nesse momento que percebi como estás bonita.
Desculpa o que vou dizer, e se estiver errado, não entendas como um acto de convencido, mas nessa altura também não pude deixar de reparar que, de vez em quando, ias olhando na minha direcção. Se estavas a olhar para outro esquece o que acabei de escrever, tratou-se apenas de mais uma das minhas já habituais argoladas!
Confesso que de vez em quando dou por mim a pensar se ainda te digo alguma coisa, se também tenho o meu lugarzito pequenino nesse teu coração lindo. Gostava de ter! Nem que seja num recanto daqueles mais sombrios e escondidos. Tu sabes que gosto do escuro e da noite!
Já algumas mulheres passaram pela minha vida depois de nos afastarmos. Confesso que nenhuma delas foi capaz de ocupar aquele espaço especial que tinhas e é só teu. Sem dramas nem confusões, sem complicações (chiça agora parecia a publicidade ao Pingo Doce!) até porque a distância entre Porto e Amsterdam é bem maior do que a distância que separa Barcelos de Vila Real.
Sabes, estou certo que tomei a atitude correcta quando deixei de procurar o amor da minha vida. Se algum dia aparecer alguém aparece, senão aparecer também não é drama nenhum. Fosse esse o grande problema da Humanidade e era de fácil resolução não achas?
Antes de acabar e até porque este mail já parece os Gnósticos de Nag Hammadi, queria só dizer-te que és a mulher que mais amei na minha vida. Esse é o lugar especial a que me referia. O mais alto do pódio. Não sei se fiz bem ao dizer isto, mas olha foram os meus amigos os culpados! Felizmente o cd está a acabar e tu vais-te ver livre desta missiva! Ah! Se quiseres a morada dos espanhóis para lhes enviar uma prenda (sei lá... tipo uma bombita via correio hehehe) pede! A culpa desta minha divagação foi deles!
Queria só agradecer-te por tudo aquilo que me deste e, ainda dás acredita. Foi contigo que cresci e que me tornei num homem a sério! Obrigado por seres quem és!

Beijinhos grandes!
B.

1 Comentários:

Blogger Carina Oliveira disse...

Gostei muito destas tuas palavras.
Também tenho essa música na abertura do meu blog.
Sinto-a como mágica.

Um beijinho

22 de setembro de 2008 às 11:00  

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