Lost in Translation
O título deste post não representa o título do filme com o mesmo nome. Os meus pensamentos derivaram para longe da tradução que estava a fazer. A vida não é fácil. Demasiado na cabeça neste momento. Muitos pensamentos ao mesmo tempo. Acerca de trabalho, acerca da vida, acerca de sentimentos. Talvez por isso tenha ficado perdido na tradução e tenha perdido alguns minutos a olhar para o monitor sem saber bem o que fazer e o que pensar.
Por essa altura as colunas debitavam o "The Blower's Daughter". Neste momento debitam exactamente o mesmo som. Perdi-me no tempo, perdi-me na tradução, perdi-me no som. Por vezes tenho aquela sensação de vazio, de não ser importante para ninguém. Tenho uma sensação de estar perdido num mundo que desconheço e do qual as noticias não são as mais agradáveis. Sinto um nó na garganta porque os meus problemas não são afinal pensamentos, mas apenas vagas melancolias e vagas tretas em nada importantes. Sinto um nó na garganta por mim. Sinto um nó seco de pensar que em breve 820 milhões de pessoas no mundo estarão a passar ainda mais fome do que já passam.
Nestes momentos sinto-me oco, vazio e fútil. Estou a pensar em merdas que honestamente não fazem sentido, em sinais que são dados ou não são dados, em situações que podem ou não ocorrer, quando existem milhões e pessoas a sofrer de fome, guerra, escravatura e muito mais. Até o simples acto de clicar nestas teclas para que vocês, caros leitores, possam ler estes pensamentos fúteis surge nos meus pensamentos como vago. Reparem bem na crueldade de tudo isto: enquanto milhões procuram uma migalha de pão para comer, outros tantos milhões estão agarrados a algo que nem é real sem qualquer contacto com a realidade que nos é oferecida através dos nossos próprios olhos. Estranho muito estranho... é agora que preciso mesmo do cigarro que não fumei. Volto já.
Confesso que de quando em vez penso como seria abandonar tudo isto, todos estes pensamentos maléficos e viver apenas procurando um copo de arroz, uma migalha de pão para tomar uma única refeição diária. Focar-me apenas em sobreviver, afinal devia ser apenas o que conta. "No love, no glory" diz a canção. Seria bem mais fácil...
Até devia estar contente, afinal recebi um mail de uma amiga da qual apenas sabia notícias de ano a ano. Sem contacto. Um mail... mais uma vez a tal realidade virtual. Estamos tão longe e ao mesmo tempo tão perto... Não consigo, hoje não. Desculpa Alex, mas já expliquei os porquês na resposta que enviei. Fico feliz por saber que estás bem e que a Chiara é uma miúda inteligente, sensível e sensata. Fiquei grato pela surpresa que tive hoje ao abrir a mailbox. Mas tudo isso são apenas alguns momentos de alegria. Não consigo dissociar deles os meus próprios pensamentos. As minhas próprias lutas. A confusão em que está o meu cérebro. Os amigos contribuíram para isto, mas a culpa foi toda minha. Pensei em cenas que não devia, pedi opiniões. Provavelmente não devia... Uns dizem sim, outros dizem sopas... E eu estou mergulhado numa luta complexa para saber como agir. Se bem, se mal, se vou agir correctamente perante aquilo que sinto, se não vou (como tantas vezes fiz) e agir a quente para depois me arrepender e perceber que tomei uma má decisão. Quem me conhece sabe que não sou homem para meias acções. Se decido separar-me de uma pessoa, de um sentimento faço-o. Posso vir a sofrer com os meus actos, posso arrepender-me, mas o passo que está tomado, permanece assim. Sem volta nem retorno.
Por isso é que esta é uma decisão que pela terceira vez me assola. Afastar-me ou não. Ficar e ver no que dá. Pressionar ou manter-me quieto. Já disse o que tinha a dizer. Não sei mais o que fazer. Estou confuso. Sinto-me inútil perante os sentimentos e os afastamentos. Perante a incapacidade de aproximação. Perante algumas mensagens trocadas ao longo do dia, sem conseguir agir e ajudar. Assim sinto que não consigo. Não me deixa ter qualquer acção. Talvez afastar-me seja o mais fácil... Talvez seja o único caminho. Apenas precisa de quem tem ao lado.
The Blower's Daughter...
Por essa altura as colunas debitavam o "The Blower's Daughter". Neste momento debitam exactamente o mesmo som. Perdi-me no tempo, perdi-me na tradução, perdi-me no som. Por vezes tenho aquela sensação de vazio, de não ser importante para ninguém. Tenho uma sensação de estar perdido num mundo que desconheço e do qual as noticias não são as mais agradáveis. Sinto um nó na garganta porque os meus problemas não são afinal pensamentos, mas apenas vagas melancolias e vagas tretas em nada importantes. Sinto um nó na garganta por mim. Sinto um nó seco de pensar que em breve 820 milhões de pessoas no mundo estarão a passar ainda mais fome do que já passam.
Nestes momentos sinto-me oco, vazio e fútil. Estou a pensar em merdas que honestamente não fazem sentido, em sinais que são dados ou não são dados, em situações que podem ou não ocorrer, quando existem milhões e pessoas a sofrer de fome, guerra, escravatura e muito mais. Até o simples acto de clicar nestas teclas para que vocês, caros leitores, possam ler estes pensamentos fúteis surge nos meus pensamentos como vago. Reparem bem na crueldade de tudo isto: enquanto milhões procuram uma migalha de pão para comer, outros tantos milhões estão agarrados a algo que nem é real sem qualquer contacto com a realidade que nos é oferecida através dos nossos próprios olhos. Estranho muito estranho... é agora que preciso mesmo do cigarro que não fumei. Volto já.
Confesso que de quando em vez penso como seria abandonar tudo isto, todos estes pensamentos maléficos e viver apenas procurando um copo de arroz, uma migalha de pão para tomar uma única refeição diária. Focar-me apenas em sobreviver, afinal devia ser apenas o que conta. "No love, no glory" diz a canção. Seria bem mais fácil...
Até devia estar contente, afinal recebi um mail de uma amiga da qual apenas sabia notícias de ano a ano. Sem contacto. Um mail... mais uma vez a tal realidade virtual. Estamos tão longe e ao mesmo tempo tão perto... Não consigo, hoje não. Desculpa Alex, mas já expliquei os porquês na resposta que enviei. Fico feliz por saber que estás bem e que a Chiara é uma miúda inteligente, sensível e sensata. Fiquei grato pela surpresa que tive hoje ao abrir a mailbox. Mas tudo isso são apenas alguns momentos de alegria. Não consigo dissociar deles os meus próprios pensamentos. As minhas próprias lutas. A confusão em que está o meu cérebro. Os amigos contribuíram para isto, mas a culpa foi toda minha. Pensei em cenas que não devia, pedi opiniões. Provavelmente não devia... Uns dizem sim, outros dizem sopas... E eu estou mergulhado numa luta complexa para saber como agir. Se bem, se mal, se vou agir correctamente perante aquilo que sinto, se não vou (como tantas vezes fiz) e agir a quente para depois me arrepender e perceber que tomei uma má decisão. Quem me conhece sabe que não sou homem para meias acções. Se decido separar-me de uma pessoa, de um sentimento faço-o. Posso vir a sofrer com os meus actos, posso arrepender-me, mas o passo que está tomado, permanece assim. Sem volta nem retorno.
Por isso é que esta é uma decisão que pela terceira vez me assola. Afastar-me ou não. Ficar e ver no que dá. Pressionar ou manter-me quieto. Já disse o que tinha a dizer. Não sei mais o que fazer. Estou confuso. Sinto-me inútil perante os sentimentos e os afastamentos. Perante a incapacidade de aproximação. Perante algumas mensagens trocadas ao longo do dia, sem conseguir agir e ajudar. Assim sinto que não consigo. Não me deixa ter qualquer acção. Talvez afastar-me seja o mais fácil... Talvez seja o único caminho. Apenas precisa de quem tem ao lado.
The Blower's Daughter...

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