Fantasmas e Pesadelos
Como podem imaginar pelo último post, a entrada em 2008 trouxe-me chatices. Se esta semana dormi oito horas foi muito. Falta de sono, sonhos atribulados e um sonho que se repete nas últimas duas noites, mas ontem com um final diferente. Para vos contar o sonho, preciso de abrir antes um parêntesis para contar o facto que levou a esse sonho esquisito.
Passo a descrever o que me aconteceu à dois ou três anos atrás. Sábado à tarde. A chuva e o vento convidavam a ficar em casa, mas este maluco resolveu ir ao cemitério. Quase no fim da visita (que rica visita!) ia a passar por um local, quando a terra resolveu ceder e eu fiquei com a perna direita enterrada quase até à cintura. Por sorte não parti a perna e como a visita até estava a correr bem, fui falar com o coveiro que simpaticamente me disse: "Eles já queriam que ficasse cá!". Se não conhecesse o senhor à vinte anos, juro-vos que tinha levado um directo de direita ali mesmo...
Mas este foi o facto. Passemos agora ao sonho ou pesadelo. Acontecia exactamente o mesmo, só que ao invés de ficar só com a perna enterrada, caía no buraco por completo. Enquanto tentava lutar para subir até terra firme, senti a perna a ser agarrada. Olhei para baixo e pude ver, como um fantasma do passado me agarrava e puxava cada vez mais para junto dela. "Já não há esperança. Fica comigo!" dizia. E eu incapaz de reagir, deixei-me ir ao fundo.
O facto que mais me marcou neste pesadelo, que me fez levantar da cama todo encharcado e a arfar como uma besta, foi que a pessoa em causa nunca me tinha aparecido em sonhos como um fantasma. Vou falar agora na 1ª pessoa com ela. É um vício que apanhei e, assim sendo, mesmo sabendo que é impossível ler, ouvir ou sentir algo, é a minha forma de conseguir explicar isto.
Sempre me apareceste em sonhos com a beleza única que tiveste. Mesmo sabendo que estás morta à mais de 11 anos, nunca te consegui ver como neste sonho. A tua pele seca a desfazer-se aos pedaços, o sangue que escorria pelos teus olhos e boca, as tuas mãos que me agarravam e das quais apenas podia sentir os ossos cravados na minha carne, fizeram-me notar que me querias. Sabes bem que sinto e sempre irei sentir a tua falta. A falta das palhaçadas que dizias e fazias, de repente, cortadas por uma força pouco comum nos teus olhos. A força e o querer que se foi esvaindo no tempo e que eu fui vendo acabar sem conseguir fazer nada. Se soubesses a falta que me fazes nos momentos como os que vivi esta semana. Sinto-me sempre um impotente que não conseguiu ganhar a batalha para te manter agarrada à vida. É o peso da espada, de que tanto falavas, a pender sobre o pescoço. Dia após dia. Já vão mais de onze anos.
Encaro estes sonhos como sinais. O sinal que me querias junto a ti. Que ainda queres cuidar de mim. Sabes bem que me apeteceu fugir e desaparecer para perto de ti. Mas esta noite, foi tão evidente o sinal. Ajudaste-me a subir. Precisava desse teu sinal. O sinal de que és apenas um fantasma do passado, que já não quer pesar sobre mim todos os dias. Pelo contrário. "Vai! Ainda há esperança para ti!" disseste. Sabes bem que mudei muito. Apesar de as visitas se terem tornado mais espaçadas e longínquas, sabes que continuas em mim. Nunca vai mudar. Apenas descobri que existe um mundo de sensações para viver e que o tempo se torna cada vez mais curto. Quero viver esse mundo. Quero encontrar a pessoa que tanto me tentavas encontrar, sabendo eu que te amava como nunca ninguém te amou. E tenho a certeza, que se algum dia encontrar essa pessoa, nos vais abençoar, porque escolhida por mim tens a certeza de que é a escolha correcta. Ao teu fantasma, digo adeus com a força nos olhos que sempre me deste. E deixo-te a rosa cor de fogo que sempre te deixei. Adeus, meu amor! Ainda há esperança...
Passo a descrever o que me aconteceu à dois ou três anos atrás. Sábado à tarde. A chuva e o vento convidavam a ficar em casa, mas este maluco resolveu ir ao cemitério. Quase no fim da visita (que rica visita!) ia a passar por um local, quando a terra resolveu ceder e eu fiquei com a perna direita enterrada quase até à cintura. Por sorte não parti a perna e como a visita até estava a correr bem, fui falar com o coveiro que simpaticamente me disse: "Eles já queriam que ficasse cá!". Se não conhecesse o senhor à vinte anos, juro-vos que tinha levado um directo de direita ali mesmo...
Mas este foi o facto. Passemos agora ao sonho ou pesadelo. Acontecia exactamente o mesmo, só que ao invés de ficar só com a perna enterrada, caía no buraco por completo. Enquanto tentava lutar para subir até terra firme, senti a perna a ser agarrada. Olhei para baixo e pude ver, como um fantasma do passado me agarrava e puxava cada vez mais para junto dela. "Já não há esperança. Fica comigo!" dizia. E eu incapaz de reagir, deixei-me ir ao fundo.
O facto que mais me marcou neste pesadelo, que me fez levantar da cama todo encharcado e a arfar como uma besta, foi que a pessoa em causa nunca me tinha aparecido em sonhos como um fantasma. Vou falar agora na 1ª pessoa com ela. É um vício que apanhei e, assim sendo, mesmo sabendo que é impossível ler, ouvir ou sentir algo, é a minha forma de conseguir explicar isto.
Sempre me apareceste em sonhos com a beleza única que tiveste. Mesmo sabendo que estás morta à mais de 11 anos, nunca te consegui ver como neste sonho. A tua pele seca a desfazer-se aos pedaços, o sangue que escorria pelos teus olhos e boca, as tuas mãos que me agarravam e das quais apenas podia sentir os ossos cravados na minha carne, fizeram-me notar que me querias. Sabes bem que sinto e sempre irei sentir a tua falta. A falta das palhaçadas que dizias e fazias, de repente, cortadas por uma força pouco comum nos teus olhos. A força e o querer que se foi esvaindo no tempo e que eu fui vendo acabar sem conseguir fazer nada. Se soubesses a falta que me fazes nos momentos como os que vivi esta semana. Sinto-me sempre um impotente que não conseguiu ganhar a batalha para te manter agarrada à vida. É o peso da espada, de que tanto falavas, a pender sobre o pescoço. Dia após dia. Já vão mais de onze anos.
Encaro estes sonhos como sinais. O sinal que me querias junto a ti. Que ainda queres cuidar de mim. Sabes bem que me apeteceu fugir e desaparecer para perto de ti. Mas esta noite, foi tão evidente o sinal. Ajudaste-me a subir. Precisava desse teu sinal. O sinal de que és apenas um fantasma do passado, que já não quer pesar sobre mim todos os dias. Pelo contrário. "Vai! Ainda há esperança para ti!" disseste. Sabes bem que mudei muito. Apesar de as visitas se terem tornado mais espaçadas e longínquas, sabes que continuas em mim. Nunca vai mudar. Apenas descobri que existe um mundo de sensações para viver e que o tempo se torna cada vez mais curto. Quero viver esse mundo. Quero encontrar a pessoa que tanto me tentavas encontrar, sabendo eu que te amava como nunca ninguém te amou. E tenho a certeza, que se algum dia encontrar essa pessoa, nos vais abençoar, porque escolhida por mim tens a certeza de que é a escolha correcta. Ao teu fantasma, digo adeus com a força nos olhos que sempre me deste. E deixo-te a rosa cor de fogo que sempre te deixei. Adeus, meu amor! Ainda há esperança...

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