quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Memórias de um Passado Distante II

Novo ano, novas memórias, novos sorrisos, novas pessoas. O último suspiro da ingenuidade de criança.
Recordo em especial aquela linda animadora espanhola. Encontrei-a à dias, nove anos depois, linda como sempre... Foi bom ter um traço do passado ainda bonito que vivi. Era bela, como era bela!
A pele suave e morena, os olhos negros a resplandecer alegria e aquele corpo, não muito alto, mas esguio e lindo. Um corpo onde passei horas mergulhado no seu cheiro, no seu sabor, na sua beleza.
Que bom recordar esses tempos e recordar aquela mulher. Parece que ainda a estou a ver sorrir, aquele sorriso puro de quem não pensa, só sente. De quem vive para o prazer.
Hoje, mais adulto e dolorido com a vida, tive com ela a conversa sobre uma vida e outra. Ela continua feliz e sorridente, e eu vejo esta vida passar sem sonhos, só com dor e aqueles pequenos prazeres de mergulhar em ti, meu amigo mar. Com ela senti de novo o eterno prazer de amar e como gostei... Seria uma boa companheira para a eternidade com o seu sorriso de criança.

Falei-lhe da minha nova vida, da minha nova filosofia. Disse e repeti que agora estou diferente, mais adulto... muito adulto até em demasia.
-"Pára de pensar e sofrer! Junta-te às crianças e sê uma delas!" afirmou com toda a certeza do mundo.
Hoje paro para pensar e vejo que ela tem razão. O único mundo perfeito e alegre. Feliz, essencialmente feliz. Porque no mundo das crianças não existe lugar para a mentira, não se pensa, apenas se sente.
Um mundo que é tão verdadeiro quanto cruel. Quantas vezes as crianças já nos leram de forma tão incrivelmente verdadeira que até dói? Dói muito alguém, em especial um bebé, pôr na sua boca todos os nossos defeitos e expor todos os nossos defeitos em praça pública. Não que seja por maldade. Não! As crianças são demasiado verdadeiras para mentir. Aliás sempre se disse que "criança não mente".
Como animadora, começou a trabalhar com crianças e voltou a ser criança de novo. E porque é que ela fez isso? Porque precisou de esquecer a verdade sobre o que somos e o que andamos aqui a fazer. A mais dura verdade de todas. A verdade eterna sobre a nossa vida...
Como foi bom ter reencontrado a minha amiga. Gostei de voltar a dançar junto ao corpo dela. Gostei de beijar aquela suave tez. Foi bom recordar o passado doce e suave!
Bom... de qualquer forma, hoje dorido e magoado com a verdade, recordo a nossa figura. Sentados na esplanada de um bar, óculos de sol nos olhos. Assim era melhor. Evitamos o sempre doloroso contacto visual de duas pessoas que sabem a verdade e que nos despe por completo.
Vi que ela estava feliz. E eu fiquei feliz por a ver assim. Senti até, confesso, um pouco de inveja. Mas fiquei feliz e um pouco apaziguado com a sua alegria...

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Recordar ...recordar é viver mais um cliché. Tão acertado! Sabes que foste um afortunado por teres a oportunidade de recordar e reviver momentos com a pessoa ao teu lado.
Sabe bem dar umas voltas ao passado...o Johan costuma dizer que é o passado que define quem somos hoje, as vivencias...este post é uma prova disso mesmo. Gostei muito Somo...és um excelente rapaz.

Beijinhos

Golden

29 de novembro de 2007 às 16:13  

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