domingo, 25 de novembro de 2007

Cartas de um amor acabado I

Não sei se algum dia terei a coragem necessária para te mostrar estas palavras. Talvez para ti sejam apenas palavras ocas, despidas de qualquer sentimento, mas para mim, para mim são um desabafo sofrido daqueles que sempre, mas sempre me saíram melhor escritos do que falados.
Nunca fui bom a mostrar os meus sentimentos. Desde criança os ocultei. Hoje olhos para trás e presumo que fosse medo. Medo de sofrer, medo de chorar. Lembro-me de aos oito anos estar no funeral do meu avô (no preciso local onde, ainda hoje, me sou capaz de colocar) e ver toda a gente chorar e a minha mãe gritar pelo seu pai que partia.
Tenho noção que esse momento me marcou e fez-me forte para não derramar uma lágrima. E fingidor, fingidor para esconder, desde então o que sinto.
A minha mãe queixa-se que eu não rio, outros que passo demasiado tempo a pensar. Ambas são verdade, mas desde que te conheci, C. tu fazes-me rir mais do que ninguém.

Conhecemos-nos à tão pouco tempo, que nem sei porque não me escudei por trás da mesma máscara de sempre . Fui desde o primeiro momento mais honesto contigo do que alguma vez fui com outra pessoa.
Desvendei-te segredos tão profundos como o meu ser, não sei porque. Não consigo perceber o porque e é esse facto que me está a corroer por dentro. Sempre tentei perceber tudo e esclarecer tudo dentro de mim, talvez por isso não tenha chegado a lado nenhum.

Será que conheço o teu cheiro ou o sabor da tua pele? Porque raio me sinto assim? Estarei louco? Serei louco? Será isto amor? Será loucura? Insensatez? Não sei...

Ontem fiquei a saber que tinhas namorado. Sei pelo que senti depois que não levei nenhum soco no estômago, levei antes com uma pedra gigantesca que me esvaziou por dentro. O álcool, velho amigo das desilusões, voltou a encher-me por dentro.
Agora mais recomposto do choque, sei que me restam poucas hipóteses para que sejas minha. Qual David (nunca me senti como tal, sendo eu Adamastor) olho para Golias sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, sem saber como agir.

Fiz o que faço melhor e comecei a escrever. O meu coração palpita rapidamente, está acelerado. Se tu o pudesses sentir C.
Confesso que neste momento me apetece pegar no telefone e ouvir a tua voz. Não me apetece mesmo nada esperar pela manhã. Tu não sabes, princesa, mas vou preparar-te uma surpresa e ligar-te antes de chegares ao emprego.

Será que algum dia irás ler estas palavras? Será que vou ter essa coragem? O desplante de mostrar a quem escrevo, em quem penso. Será que mais uma vez me vou acobardar? Se o fizer, vou voltar a ler estas palavras daqui a meses ou anos, sozinho, triste e vazio.
Quero ter a coragem necessária para, desta vez, te mostrar o que é teu.


A verdade é que nunca ninguém leu estas palavras...

1 Comentários:

Blogger Golden disse...

Então sou a primeira a ler isto...que grande responsabilidade!
Ora bem...quando amamos alguém anteriormente é muito complicado amar depois de amar. É uma frase feita eu sei, mas aplica-se. Quando somos "aleijados" emocionalmente primeiro temos que nos despojar de todos os acessórios que nos foram impostos. E o que sao os nossos acessórios perguntas tu? Os medos, os receios, as dúvidas...é uma missão complicada mas que com a pessoa certa não tem necessariamente de ser impossível. Mostraste-me aqui mais uma vez a tua sensibilidade e gostei muito de texto. Espero que a C. um dia o leia e tenha a sensibilidade de perceber o que eu percebi .

Beijinhos vizinho

Golden

25 de novembro de 2007 às 23:41  

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